Mirim: Confira entrevista com o treinador Adriano Barreto

Sábado, 06/04/2013 - 10:02

A equipe mirim do Vasco da Gama retornou no início dessa semana de uma excussão pela Europa. A delegação cruzmaltina viajou para o velho continente para disputar o Mundialito de Clubes de Futebol de 7, que foi realizado na Espanha e em Portugal.

O Gigante da Colina não conseguiu retornar com o título, porém teve uma participação bastante positiva nesse torneio. Dos sete jogos disputados, o cruzmaltino venceu seis e perdeu apenas um. A única derrota ocorreu na fase de oitavas de finais para o Benfica e ocasionou a eliminação do clube de São Januário da competição.

Apesar disso, a participação no torneio rendeu muitos frutos para a delegação vascaína, que teve a oportunidade de conviver com outras culturas futebolísticas e trocar experiências com pessoas que trabalham nos principais clubes do mundo. Além disso, o crescimento da maturidade dos jovens jogadores e a valorização da marca Vasco da Gama foram coisas que também aconteceu durante esse período.

Com o objetivo de obter informações mais completas da participação da equipe mirim nessa competição, o programa 'Só dá Base' entrevistou na última quarta-feira (03/04) o treinador da categoria, o senhor Adriano Barreto. No bate-papo, o profissional revelou detalhes da participação vascaína, revelou como o Gigante da Colina foi recebido pelos europeus e contou quais são os planos para a categoria no futuro.

Confira uma entrevista exclusiva com Adriano Barreto, técnico da categoria mirim:

Como você avalia o desempenho do time mirim no Mundialito de futebol de 7?

"O resultado foi positivo mesmo a gente não tendo ido mais longe do que pretendia e do que poderíamos ir. Não vamos aqui mentir e a verdade tem que ser dita. No primeiro adversário mais forte que a gente enfrentou, no primeiro rival que poderia equilibrar forças, a gente saiu. No futebol equipe forte contra equipe forte tudo pode acontecer. Fazendo uma comparação com o passado vamos lembrar que numa Copa do Mundo o Brasil também saiu numa segunda fase após bater de frente com a Argentina. Ganhou de todo mundo na primeira, mas na segunda enfrentou a Argentina, perdeu e voltou para casa. São situações do futebol, todo mundo está sujeito a esse tipo de coisa. Mas mesmo eu acredito que tenha sido uma participação positiva, pois os adversários que não batiam de frente com o Vasco, o Vasco superou".

Quais foram os adversários mais complicados que o mirim enfrentou nessa competição?

"Na primeira fase nós tivemos um adversário um pouco complicado, que foi o Sacavenense. Eles vem fazendo um trabalho forte na base e nos torneios que acontecem por lá eles estavam até superando o Sporting, o Benfica e o Porto em algumas situações. A gente já foi para lá com um sinal de alerta em relação a isso. Eles fizeram até mais gols do que a gente nas equipes que eles foram enfrentando, mas quando foram nos enfrentar tiveram dificuldades. Foi um combate direto pelo primeiro lugar. A gente não podia nem empatar, pois a diferença de gols era muito grande. Foi um jogo muito forte, muito estudado, mas graças a Deus conseguimos fazer um 4 a 1, que é um placar expressivo. O primeiro tempo foi 0 a 0, estava sendo um jogo muito amarrado, mas no segundo tempo prevaleceu a nossa técnica, a nossa força e a nossa tática. Foi um jogo bastante estudado, mas a gente conseguiu superar e abrir vantagem até larga por conta daquilo que a gente esperava do jogo. Depois disso enfrentamos um time da Venezuela. Até tirei realmente o pé do acelerador, pois a equipe jogou dois jogos no mesmo dia. A partir do momento que nós fizemos 4 a 0 no primeiro tempo, no segundo tempo eu tirei os principais jogadores e fui revezando bastante porque sabia que teríamos um combate difícil de tarde e eu queria todo mundo inteiro. Eu posso dizer que com quatro minutos e meio no jogo contra o Benfica a gente já tínhamos criado três oportunidades de gol, que infelizmente não foram convertidas. Com sete minutos ocorreu um encontrão e foi dado um pênalti para o Benfica. Foi um lance de encontro de corpo, pois meu jogador foi proteger a bola e o jogador do Benfica bateu nele e caiu na área. Eles abriram o placar, aumentaram um pouco de pressão e meu time se perdeu, foi um dos poucos momentos em que o time se perdeu. Tomamos o segundo gol com 15 minutos, mas mesmo assim a equipe se organizou e passou o restante do jogo em cima do Benfica. O time batalhou, lutou, colocou o goleiro para trabalhar e acertou até bola na trave. Diminuímos a vantagem, mas infelizmente não conseguimos o empate. Mas foi um jogo de placar não elástico, equilibrado e onde faltou para a gente converter as chances de gol. Demonstramos um bom futebol, tanto é que nossa equipe foi elogiada e aplaudida por todos. Depois da eliminação a gente assistia os jogos e todo mundo passava nos parabenizando por conta do trabalho que foi feito. Acho que que isso é algo positivo, pois saímos daqui para ir ao exterior mostrar um bom futebol e a grandeza do Vasco".

Conversamos recentemente com o Mauro Galvão e ele nos falou que a viagem seria importante para dar rodagem aos garotos e colocá-los em contato com outros povos, outras culturas futebolísticas. O que pensa sobre isso? Quais as principais dificuldades enfrentadas pelo time na Europa?

"Eu já havia citado em entrevista anterior o que o Mauro Galvão falou. Nós fomos disputar uma competição internacional de futebol de 7 para observar a cultura e como é feito o trabalho, já que eles só praticam essa modalidade até os 12 anos. Cada país tem uma cultura diferente. A Noruega é sempre muito fechada, muito retrancada, sai nos contra-ataques, possui jogadores altos e que tentam sempre diminuir os espaços. Os portugueses e os espanhóis já possuem outra tendência. Você observar essas diferentes escolas é uma oportunidade ímpar. O menino com 12 anos sair aqui do Brasil é ótimo. Nós não fomos lá para copiar nenhuma escola, mas sim para ter a noção de todas elas. É a partir disso que teremos um formato de como devemos proceder. Vamos analisar tudo que observamos lá para saber se estamos na frente ou atrás em alguma coisa para poder aplicar no nosso trabalho. O comportamento dos meninos foi excelente. Eu sempre procurava mostrar para eles as coisas. A gente chegava antes dos jogos e eu mandava eles ficarem de olho em algumas situações. Tudo isso foi observado de forma positiva por eles, que sentiram um pouco a temperatura. Lá estava muito frio. Era início de primavera, mas lá essa estação é muito gelada. Estava chovendo todos os dias e a temperatura atrapalhou nos primeiros dias, principalmente no primeiro jogo. Eles reclamaram muito disso. A própria situação do futebol de 7, apesar da gente ter treinado aqui dois meses, dificultou. Lá eles estão mais ambientados e a prova maior disso foi as quartas de finais do torneio, que só tinha times europeus. Dificilmente passa algum clube fora da Europa das oitavas, até chega, mas num número muito reduzido. Tudo isso foi analisado e para mim foi muito positivo o que os meninos viveram. Para nós da comissão técnica foi muito importante também, pois tivemos a oportunidade de entrar em contato com essas escolas e com as pessoas que comandam essa escolas. Conversamos com pessoas do Barcelona, do Porto e do Real Madrid. Trocamos idéias, pois eles também se mostraram curiosos e quiseram saber o que a gente faz aqui".

O Barcelona foi o campeão da sua categoria. O título foi merecido? O que poderia falar sobre o futebol e o trabalho apresentado pelo Barcelona nessa competição?

"Futebol é uma coisa muito engraçada, alguns dizem injusta, mas eu não sei se é. O Barcelona jogou após o nosso jogo contra o Benfica e venceram. Depois eles jogaram contra o Benfica e ganharam de 2 a 0 jogando um grande futebol. Foi um jogo de muita paciência, de não infiltrar no momento em que a marcação está cerrada. Eles possuem paciência, voltam a bola e tocam até adquiri o espaço para conseguir penetração. É um time que desenvolve pouco chute a gol, mas quando vai é de forma bem cirúrgica. Isso realmente parece ser uma escola deles. A metodologia que se usa embaixo vai até o profissional e eu achei isso muito interessante. Eles provaram que realmente fazem isso lá. É bem a cara do que se usa lá em cima. Apesar disso, eles não tiveram tanta facilidade no jogo final. Empataram no tempo normal com o Porto, que teve um caminhão de oportunidades para matar o jogo e não matou. O jogo foi para os pênaltis e nos pênaltis o Barcelona foi mais feliz. Eu vejo a equipe do Barcelona boa, mas vi outra equipe de muito destaque e que apontei como favorita. Estou falando do Milan, que não chegou na final. Eles apresentaram um futebol bonito, dinâmico e de muita velocidade. Eles tinham mais variações de jogada que o próprio Barcelona. Era um time muito inteligente, mas nem sempre no futebol chega aquele que você considera o melhor. Mas o Barcelona teve um título merecido por conta da qualidade do futebol que apresenta".

Você pensa em implantar no Vasco algo do que observou nessa nova passagem pela Europa?

"Já é o quarto ano que eu vou lá, sendo três defendendo o Vasco. Sempre observo e analiso o que pode ser implantado aqui, principalmente na base de conversa com os profissionais que a gente tem acesso lá e com quem podemos trocar uma ideia. O sentido de marcação e desmarcação coletiva foi algo que mais me chamou atenção nesse torneio. Já havia citado anteriormente que não vejo como um atacante hoje não ajudar na marcação. Acho que o futebol tem que ser compacto. Se tu perder bola, você tem que voltar, compactar, defender no seu campo, diminuir o espaço, ganhar bola e depois ter a posse de bola para ir na frente e buscar teu objetivo, que é o gol. Eu venho tentando adaptar aqui essa metodologia do futebol europeu, mas não como copia da Europa, mas sim como cópia do futebol moderno. Hoje o futebol tem que ser coletivo e todo mundo tem que se dedicar e buscar da melhor maneira possível todos os objetivos: marcação, desmarcação e infiltração. Você vê muito a volta do atacante, mas a subida de um zagueiro e de um ala, que chegam ao ataque e decidem jogos. Acredito que isso pode ser implantado aqui sem nenhum tipo de trauma e sem nenhum tipo de descaracterização da qualidade técnica do jogador brasileiro".

Como é foi a recepção ao Vasco em Portugal?

"O Vasco tem tanta visibilidade que nós fizemos a amizade com um rapaz chamado Rui. Ele nos acompanha desde a primeira vez que fomos lá. Ele é um português que sempre está infiltrado no meio da nossa torcida e que possui camisa e bandeira do Vasco. Se você perguntar o time dele ele não responde que é Porto ou Benfica, ele fala que é Vasco. Existem várias pessoas como ele, algumas não chegam ao ponto de dizer que são vascaínas, mas reconhecem quando os meninos passam nas ruas com o uniforme, falam Vasco da Gama, acenam, pedem para apertar a mão, tentam puxar conversa. No dia da abertura e durante todo o período dos jogos havia no complexo a bandeira de todos os países. As bandeiras de Brasil e de Portugal estavam lado a lado e costuradas. Isso aí já serve como resposta, não é preciso dizer mais nada. Nós lá somos muito bem recebidos. Todos conhecem o Club de Regatas Vasco da Gama pela história e pela tradição que ele tem. Sem contar no contexto histórico, pois Vasco da Gama foi um português de grande importância. Lá se tem ponte, shopping e várias coisas com o nome dele. Todo mundo associa futebol, Vasco da Gama e Brasil".

Quais serão os próximos passos do trabalho na categoria mirim?

"Fomos com um grupo 2001 e o foco maior da categoria mirim para esse ano é o grupo 2000, que está no segundo ano da categoria e ano que vem irá subir para o infantil. Nós temos que fazer um foco maior naqueles atletas que vão ser promovidos, mas sem deixar nunca de trabalhar e observar os atletas do primeiro ano de categoria. Observei o comportamento e vi que tem alguns meninos que podem estar junto do grupo 2000. Tem alguns já possuem uma certa maturidade e uma força física, características que podem ajudá-los a disputar vaga com os jogadores do grupo 2000. Dependendo da evolução, alguns podem até pintar no time titular, isso aí não seria nenhuma surpresa. Cito aqui o Roger, que é o nosso atacante. No Rio Grande do Sul, onde ocorreu a Copa Cidade Verde, ele foi o nosso artilheiro mesmo sendo nascido em 2001. Essa competição foi importante para você observar o comportamento, saber quem estranhou menos e quem se destacou mais dentro da competição. Recebemos um convite para disputar uma competição na Espanha, mais precisamente na região da Galícia. Ainda não fechamos nada e até mesmo por isso nosso objetivo agora é trabalhar para o Carioca, que começa em agosto. Antes disso nós temos uma competição no Espírito Santos e provavelmente a Ibercup para o grupo 2000".

Quais jogadores se destacaram no Mundialito e podem compor o grupo formado por atletas nascidos em 2000 na sequência da temporada?

"Posso citar o goleiro Lucas, o zagueiro Vitor Lariu, o Marcelo Germano, que joga como zagueiro ou volante, e o Carlos César, que também faz a duas funções. Esses aí são os principais em relação a destaque na competição. Sem contar com o Roger, que lá também foi o nosso artilheiro. Além do Roger, o Carlos César já tinha disputado um campeonato no Rio Grande do Sul. Acredito que os três que falei acima são os garotos que possuem mais condições de ingressar no grupo 2000. Vai depender muito do desempenho deles no decorrer do trabalho".

Deixe uma mensagem final.

"Agradeço a todos que nos apoiaram. Ficamos acompanhando a mobilização do pessoal nas redes sociais e vi que todos estavam mandando forças. Agradeço aos atletas e pais de atletas, os que foram e os que ficaram no Brasil. De vez em quando eles mandavam mensagens para gente. Nós sabíamos que existia uma corrente aqui muito boa e muito positiva. Deixo meu agradecimento também a comissão técnica. Cito a coordenação, o preparador de goleiros, preparador físico, o roupeiro e todos aqueles que participaram da preparação, até porque nem todos viajaram conosco. Todo mundo fez parte do trabalho. Se a gente voltasse com o título, todos seriam campeões. Não poderia deixar de agradecer a essas pessoas. Agradeço a direção, principalmente ao Mauro Galvão. Quero dizer que não voltamos campeões, mas fizemos o melhor. Fizemos aquilo que foi ao nosso alcance e defendemos o Vasco da maneira que ele merece, pois se trata de um time muito grande. Batalhamos e conseguimos sair de lá com um saldo positivo. Digo isso por conta da receptividade do povo português, espanhol e de todos que estavam lá. Todos elogiaram o trabalho e a conduta dos nossos jogadores dentro e fora de campo".

Com informações do Programa Só dá Base/Só Dá Vasco.



Fonte: Blog do Carlos Gregório Jr - Supervasco