Caso Everton Costa gera alerta; uso de desfibrilador pode trazer risco a atletas

Quarta-feira, 28/05/2014 - 08:12
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Com o tamanho de um relógio de pulso dos grandes, o Cardioversor-Desfibrilador Implantável (CDI) tem finalidades espetaculares. Composto por um gerador com bateria de longa duração, ele monitora e trata alterações graves do ritmo do coração que podem provocar uma parada cardíaca. Esse dispositivo, um verdadeiro microcomputador, é acionado automaticamente ao reconhecer um distúrbio de risco do ritmo cardíaco, emitindo impulsos elétricos para reverter a arritmia. Muitos pacientes se beneficiam com ele.

Ele é colocado abaixo da clavícula, sob a pele local por um pequeno corte, e dele sairão os cabos-eletrodos que, na outra ponta, são implantados na parte interna do coração. Ao ocorrer uma alteração do ritmo cardíaco que possa trazer risco de vida, o CDI faz a leitura digital e em dez segundos dispara um pequeno choque elétrico que reverterá essa arritmia. Em geral, isso vai ocorrer se for uma alteração perigosa e letal, como a taquicardia ventricular e a fibrilação ventricular, tipos de arritmia em que o coração acelera muito e de modo irregular, não conseguindo ser eficiente no bombeamento do sangue.

Os cuidados no uso e conservação do CDI são fundamentais. Na área desportiva, existem importantes restrições e alguns cuidados específicos, principalmente com os esportes de contato que tenham risco de trauma corporal, pois os cabos do aparelho podem se soltar ou podem quebrar (chamamos de fratura do eletrodo). Conhecemos vários atletas brasileiros que o tem implantado. Pelo menos um deles fez tanta questão de jogar que preparou por sua conta uma verdadeira armadura de proteção no tórax para continuar a praticar seu esporte favorito, o basquete. Desaconselhado pelo imponderável de um trauma esportivo em uma disputa qualquer, mudou de pratica esportiva.

Na verdade, a causa das arritmias ser uma doença do músculo cardíaco (miocárdio) ou não é que nos leva a decidir se podemos deixar que o paciente pratique determinado tipo de esporte. A corrida é a modalidade que oferece menos restrições ao portador de CDI, mas é a análise individualizada e competente feita por um especialista que orienta qual e quanto de esporte poderá ser praticado.

Recentemente, várias publicações científicas iniciaram uma polêmica discussão sobre se um portador de CDI poderia reiniciar a prática até de futebol, um esporte de choques corporais. Dependendo do tipo de problema, mudariam as características técnicas de leitura do aparelho e mesmo de sua instalação, permitindo que o paciente jogue futebol! Entre nós, ainda é considerado temerário. Mas quem sabe em um futuro próximo isso muda?

O importante é que este dispositivo salva vidas e permite qualidade de vida ao seu portador. Problemas técnicos eventuais podem acontecer, pois, como tudo na Medicina, nada é 100% garantido. Mas a ciência conseguiu mudar o destino de milhares de cardiopatas condenados a complicações de alto risco e até à morte com a criação desse desfibrilador interno.

.* As informações e opiniões emitidas neste texto são de inteira responsabilidade do autor, não correspondendo, necessariamente, ao ponto de vista do Globoesporte.com / EuAtleta.com.



Fonte: GloboEsporte.com