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Anderson Martins: 'Sinto saudade dos companheiros e da torcida'


Domingo, 23/10/2011 - 13:08

A traído por uma proposta financeira irrecusável do mundo árabe , Anderson Martins saiu do Vasco repentinamente, em agosto, e deixou saudades. Em oito meses, o zagueiro — que chegou a ser comparado ao italiano Paolo Maldini — conquistou a confiança do torcedor em apenas 40 jogos coma camisa cruzmaltina, ao fazer excelente dupla com Dedé.

O mais novo jogador do AlJaish conta em entrevista ao MARCA BRASIL como está sua vida em Doha, no Catar, fala sobre a saída do Vasco e garante que, se o título for parar nas mãos do Gigante da Colina, ele também se sentirá campeão.

Como está sendo a sua primeira experiência no exterior?

Interessante. Ainda é recente, cheguei há pouco tempo (em setembro) e ainda não deu para conhecer muita coisa, mas já percebi que eles admiram os jogadores e treinadores brasileiros.

A sua saída do Vasco foi muito repentina. Como aconteceu tudo?

Já havia recebido outras propostas, inclusive do meu atual clube, mas meu objetivo era permanecer no Vasco para brigar pelo título brasileiro e disputar a Taça Libertadores. Mas eles vieram novamente com uma proposta muito boa, que era interessante para a empresa que tinha meus direitos econô- micos (Traffic) e que me daria a possibilidade de uma independência financeira. Era irrecusável. Sofri para decidir sair, mas conversei com minha família e achamos que seria a hora.

Como está sendo a sua adaptação?

Aqui tem muitos brasileiros e todos acabam se ajudando. O clube tem intérprete para ajudar com o idioma. Os treinamentos são parecidos com os dos clubes brasileiros porque nosso técnico é o Péricles Chamusca, então, os métodos não diferem tanto. Apenas o fato de treinarmos à noite de vez em quando por causa do calor ou no período do Ramadã (mês do calendário islâmico no qual os jogadores muçulmanos têm que fazer jejum desde que o sol nasce até a hora em que se põe).

Tem acompanhado os jogos do Vasco? Como faz? Com quem do clube você mantém contato?

Procuro me informar sempre, principalmente pela Internet e no contato com a família. Não tenho conseguido muito contato com o pessoal do time, até porque ainda estou morando num hotel, procurando residência, enfim, me organizando aqui no tempo livre. Mas torço muito à distância.

Caso o Vasco seja campeão Brasileiro, você quer estarna festa do título, se estiver de férias?

Com certeza. Só deixei amigos no clube, tenho um carinho muito grande por todos, pela instituição e pela torcida. Seria maravilhoso comemorar essa conquista. Além disso, participei de boa parte do Campeonato Brasileiro e também me sentiria campeão. Estou torcendo.

O dia em que você resolver voltar para o Brasil, o Vasco será prioridade?

Prefiro não fazer esse tipo de projeção agora, até porque tenho contrato (por quatro anos) aqui e cheguei recentemente. Não sei o que acontecerá no futuro e nem se o Vasco vai querer a minha volta. Se acontecer de eu voltar ao Brasil no futuro, aí sim a gente pensa. O que posso dizer agora é que o Vasco é um clube especial, pelo qual conquistei um título inédito (Copa do Brasil), foi muito importante na minha vida e que meu carinho será eterno. O futuro a Deus pertence.

Seus ex-companheiros Dedé e Rômulo foram convocados para a Seleção. Você acha que se ainda estivesse no Vasco também poderia ter sido lembrado pelo Mano Menezes?

No futebol, tudo pode acontecer. Seleção brasileira é um sonho para qualquer jogador, mas, às vezes, não podemos deixar algumas oportunidades passarem. Também poderia ficar e não ser chamado. O Mano Menezes já me viu atuar e sabe do meu potencial. Talvez possa ter adiado um pouco essa possibilidade, mas o sonho e a luta para ser lembrado para a Seleção vão permanecer onde quer que eu jogue.

Ao ver o Vasco na luta pelo título do Campeonato Brasileiro, dá um pouco de arrependimento por ter saído do clube?

Arrependimento, não. Porque vim para cá acreditando que vai dar certo. Mas sinto saudade dos companheiros e da torcida. A vinda para o Catar foi uma decisão razoavelmente rápida, mas bem pensada.

Quanto tempo pretende ficar fora do Brasil?

Acabei de chegar aqui, ainda não fiz essa projeção.

O que tem sido mais difícil de viver no Catar?

A saudade da família e dos amigos. De resto, a cidade de Doha tem de tudo, é um lugar bonito e bom de se viver. Ainda não tive muito tempo para conhecer mais do país, mas até agora estou gostando bastante.

Você acompanha as notícias sobre o Ricardo Gomes? Já falou com ele?

Quando saí, ele estava internado e só pude visitá-lo no CTI do hospital. Ainda não tive a oportunidade de falar com ele, mas fiquei muito feliz em saber que ele está bem e já cheio de vontade de voltar a trabalhar.

Qual é o lado bom de morar no Catar? Fazer a independência financeira?

A proposta pesou muito, mas claro que me informei bastante antes de decidir. Busquei informações com o Felipe (ex-companheiro de Vasco, que jogou no Al Saad, no Catar), por exemplo, que sempre falou muito bem do país. A cidade de Doha é excelente, organizada, limpa, moderna, bonita e tem uma sensação de segurança impressionante. Tudo funciona bem. É um ótimo lugar para viver.

Com quem você mora em Doha?

Estou morando sozinho e ainda não pude trazer a família. Não tive a oportunidade de conhecer as coisas com calma, passear. Por enquanto, está sendo bom ter uma experiência internacional, conhecer outras culturas, ter contato com pessoas de vários países, além da excelente qualidade de vida.

Fonte: Marca Brasil