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Diego Souza fala do seu momento, infância e a paixão por pipas


Domingo, 02/10/2011 - 13:04

Diego Souza tinha apenas 13 anos e já ajudava a mãe, Maria Cristina, a fazer sorvete para vender. Hoje, com o dobro da idade, ele já se esqueceu da receita e não bota a mão na geladeira, mas vai fazendo ferver o caldeirão de São Januário: com nove gols, é o artilheiro do Vasco no Brasileirão.

Vasco:

Estou no meu sétimo clube e, nesse bom momento do Vasco, sem dúvida vou ficar marcado se continuar fazendo gols. Essa fase talvez já esteja sendo melhor até do que a do Palmeiras, em 2009. Cheguei à seleção, entrei e dei passe para gol.

Seleção:

Já tinha sido convocado pelo Dunga para jogos contra Chile, Bolívia e Venezuela. Joguei contra a Bolívia. Mas esse amistoso, contra a Argentina, foi especial porque, antes do jogo, o Neymar disse: "Estou com alguma coisa estranha. Vou pra nove jogos sem marcar". Dei o passe e ele veio me abraçar. Se o Vasco permanecer na liderança, minhas chances aumentam. O momento é esse. Quero me firmar.

Comemorações:

O Fellipe Bastos vive dançando. É um cara que chega para conversar já dançando. Estão me pedindo tantas comemorações, que, na hora do gol, eu não lembro. O pessoal quer que eu comemore soltando pipa e um amigo pede para eu homenageá-lo, mostrando o tamanho do seu cabeção (risos).

Infância:

Venho de uma família de classe baixa, da Ilha do Governador. Só estudei em colégio particular porque minha mãe conseguiu bolsa. Meu pai trabalhava com venda de uísque e minha mãe vendia o que desse para ganhar dinheiro: jóias, sorvete... Aprendi a fazer sorvete, mas acho que não consigo mais. E, ainda molequinho, carreguei areia, cimento e tijolo para ajudar na construção de uma casa nova, pois a gente morava com a minha avó, num espaço correspondente ao de uma garagem. Só tinha quarto, cozinha e banheiro. Eu convidava os amigos para brincar e, quando eles chegavam, botava todo mundo para me ajudar com o peso (risos) do material de construção.

Apelidos:

O pessoal gostava de me chamar de Orelha (risos). Faz sentido, né? Ou de Lima Duarte. O Joel Santana me chamava de Touro de Bronze. Costumava dizer que o Toró, magruinho, precisava comer muito. Já eu, Touro de Bronze, não podia comer pudim para não ficar muito fortinho. Coisas do Joel (risos)...

Dieta:

Como bastante salada porque, para ganhar peso, é molezinha. E tenho feito um trabalho especial de arranque com o preparador-físico.

Chapéu:

Esse gol contra o Cruzeiro foi um dos mais bonitos da minha carreira. Também gosto daquele de primeira, pelo Palmeiras. Foi consciente. Juro (risos). O pessoal sempre pergunta.

Cartões:

Eu tomava cartão de bobeira. Brigava muito. Meu pai e minha mãe reclamavam muito por causa disso. Sou muito calmo quando estou fora de campo. Meu proble$é esse negócio de querer ganhar sempre. Eu me transformo, mas estou bem mais calmo. Não sei explicar o que mudou, acho mesmo que foi por causa das cobranças dos meus pais. Passei a perceber que eu só prejudicava a mim mesmo.

Derrota:

Chego a chorar depois de $derrota. Pelo Palmeiras, brigando pelo título (2009), perdemos para o Santo André lá na casa deles. Naquele dia, eu chorei muito. A gente perdeu a primeira colocação. Eu não aceitava de jeito nenhum a derrota. Uma tristeza muito grande.

Família:

Sou pai do Davi, de 3 anos, e $mulher, Luciana, está grávida de uma menina. A Manuela vai chegar no fim de janeiro.

Disciplina:

Meu pai é quem mais queria que eu jogasse futebol. Antes de eu ser federado, treinava de manhã e, à tarde, ele me levava para um campo em frente a nossa casa para $eu fizesse treino físico. Ele improvisava tudo. Eu não gostava. Meu pai era rubro-negro, é mole? Hoje, ele só tem o Vasco na cabeça, é um cara ansioso que, na véspera da convocação, nem conseguiu dormir.

Corinthians:

Fiz um gol em cima do Corinthians, quando estava no Palmeiras. Foi na estreia do Ronaldo, em cima do Felipe, que hoje está no Flamengo. Na seleção, falei agora com o Ralf para tomar cuidado com o "caldeirão" (risos). A gente falou muito sobre esse jogo. Só provocação... Tudo brincadeira. Ele é bacana.

Ídolo. É o Romário. Sempre foi.

Pipa:

Tenho mais de 10 no carro. Eu e o Eduardo Costa fica$em São Januário soltando pipa e o motorista dele vai para a rua, para o posto de gasolina em frente. Um fica tentando cortar o outro. Há dois meses, fui a um festival em Jacarepaguá. Havia mais de 5 mil pipas no ar. Sou capaz de ficar seis horas soltando pipa e corto umas 50. Como na Barra não rola isso, vou para a Ilha e fico lá, descalço, brincando. Fazer gol é bem mais difícil (risos).

Ricardo:

Não fui visitar o Ricardo Gomes no hospital. Não me sinto bem em hospital. E ele estava insconsciente. Vou ver se agora, que ele está em casa, faço uma visita. Esse trabalho é uma continuidade do que ele iniciou. Estamos fechados e queremos vencer na intenção dele.

Fonte: Extra online