Veja histórias da infância e carreira de Dedé no quadro 'Brasileirinhos'

Domingo, 17/06/2012 - 12:37

Homônimo de lutador campeão, Anderson Vital Silva, o Dedé, buscou força desde pequeno para se inspirar na batalha da mãe pelo seu sucesso. E, mesmo sem ser aproveitado no Vasco por quase um ano, conquistou seu espaço e foi eleito por duas temporadas consecutivas como o melhor zagueiro do Campeonato Brasileiro (2010 e 2011). ‘Mito da Colina’, o jogador deixa de lado a falsa modéstia e reconhece a sua qualidade na terceira reportagem da série Brasileirinhos, sobre os jovens craques nacionais, do Esporte Espetacular.

- Eu acho que não tenho um ponto fraco – afirmou.

Antes do reconhecimento, o zagueiro de 23 anos teve que encarar uma infância complicada e um início de carreira de muita insistência, graças a sua mãe.

- Eu tive que batalhar para pagar a mensalidade do futebol dele e dos irmãos. O pai dele pagava pensão, mas não supria. Eu tive que trabalhar muito, mas muito mesmo. Eu acordava três horas da manhã, fazia salgadinho e vendia na rua, na beira do campo. Fazia faxina na casa dos outros. Mas para mim foi a maior satisfação, o maior prazer. Se fosse pra fazer tudo de novo, eu faria – disse Maria Helena, mãe de Dedé.

Bolada na orelha põe goleirão de futsal na linha

Dedé começou no mundo do futebol não como zagueiro, mas no gol, e de futsal. Sua infância boleira aconteceu bem do lado da sua antiga casa, numa praça chamada Ayrton Senna. Como já era grandão desde criança, foi ocupar seu lugar embaixo das traves. Mas ele também tinha outra paixão que atrapalhava seu rendimento.

- Goleiro de futsal é goleiro maluco. Tem que estar preparado para tomar bolada. O cara chutava, e eu, grandão, não tinha medo de pular em cima do cara. Mas não sei como conseguia agarrar. Eu jogava olhando para cima. Um dia eu olhei uma pipa bonita, maior pipão. Saí correndo, peguei a pipa e depois voltei para o gol – contou.

Um dia, Dedé foi agarrar um chute e tomou uma bolada na orelha. Isso foi determinante para que ele largasse de vez o gol e passasse a atuar na linha.

Do interior do Rio para o coração da torcida vascaína

Nascido na cidade de Volta Redonda, Dedé se tornou jogador profissional em 2008 no clube que representa a cidade. Foi destaque no Campeonato Carioca do ano seguinte e despertou interesse de clubes grandes, sendo obrigado a fazer uma difícil escolha.

- Houve proposta do Flamengo e do Vasco e eu escolhi o Vasco, independentemente de estar na segunda divisão. Entendia que eu iria me identificar melhor com o Vasco e é o que está acontecendo – revelou.

Decisão tomada, o zagueiro precisou de calma e paciência até conquistar seu espaço no time. Quando chegou à Colina, encontrou seis jogadores da mesma posição. Ele era a sétima opção. Ficou de maio de 2009 até abril de 2010 sem receber uma chance.

- Quando virou o ano de 2009 para 2010, eu pensei que teria minha chance com a saída do Dorival para o Santos – disse Dedé, que depositou suas fichas na chegada de Vagner Mancini.

Mas ele acabou tendo outra decepção. O novo treinador escolheu seus preferidos para a zaga e deixou Dedé novamente fora do time titular. Nem para o banco foi relacionado. Quando sua relação com o Vasco parecia chegar ao fim, a um mês do término do contrato, as portas finalmente se abriram. Com a demissão de Mancini e a promoção do interino Gaúcho ao cargo de técnico, o jogador ganhou uma chance na Copa do Brasil.

- Jogo contra o Vitória lá. Eu estava no banco. Eu falei comigo mesmo que tinha algo estranho, pois o treinador tinha depositado confiança em mim. A defesa não foi muito bem e, na partida de volta, fui escalado – relembrou Dede.

De lá para cá, o zagueiro foi conquistando seu espaço. Passou por um momento de desconfiança da torcida até seu nome ser gritado como ídolo. Com o técnico PC Gusmão, enfim, Dedé começou a se destacar com a camisa vascaína. Virou unanimidade entre os cruz-maltinos. Foi eleito melhor zagueiro do Brasil nos anos de 2010 e 2011 e teve sua qualidade reconhecida até por Neymar. Hoje, é cobiçado por vários clubes europeus, mas deixou claro que sua intenção é ficar no Vasco até a Copa do Mundo de 2014, na qual se imagina jogando pela Seleção.

- É um sonho, cara. Foi um sonho realizado estar na Seleção. Então, isso me motiva mais ainda para estar na Copa – finalizou.



Fonte: GloboEsporte.com