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Antônio Lopes, técnico recordista de jogos no Vasco, ganha museu


Segunda-feira, 01/11/2010 - 09:13

Ele não é considerado um medalhão. Na lista dos melhores do Brasil, poucas vezes aparece. E ainda enfrenta dúvidas e críticas ao trabalho. Mas, aos 69 anos, Antônio Lopes resiste a tudo, soma títulos em todos os clubes por onde passa e, mais que isso, assume o posto de técnico de mais idade na Série A do Campeonato Brasileiro. Histórias não faltam para contar e, para que a curta memória do torcedor não se perca, ele está ganhando um presente da mulher Elza: um museu, onde todas as conquistas estão representadas através de faixas, medalhas, fotos e taças.

A carreira de Lopes começou há 36 anos, ainda como auxiliar-técnico, e foi a partir de 1980, quando assumiu o comando do Olaria, que ele passou a ser treinador. De lá para cá, trabalhou em 18 clubes no Brasil (atualmente está no Vitória da Bahia, que no sábado venceu o Vasco por 4 a 2) e em quatro no exterior. Também dirigiu a seleção do Kuwait e dos Emirados Árabes, sem falar a Seleção Brasileira, na Copa do Mundo de 2002. No total, são 37 títulos, sendo oito Estaduais, um Rio-São Paulo, uma Copa do Brasil, três Campeonatos Brasileiros, uma Libertadores e uma Copa do Mundo. Difícil encontrar outro no Brasil com esse cartel.

"Eu não fui o técnico da Seleção Brasileira na Copa, mas sem dúvida esse título é o mais importante da minha carreira", reconhece Lopes, que era o presidente da Comissão Técnica do Brasil na Copa do Japão/Coreia. "Estar em uma Copa, viver aquele ambiente e fechar com a conquista é algo para ser lembrado a vida inteira. Mas não posso deixar de citar os títulos da Libertadores com o Vasco, em 1998, assim como meu primeiro grande título como treinador, também no Vasco, em 1982, quando mudei meio time para enfrentar o Flamengo na decisão. Se eu tivesse perdido aquele título, minha carreira teria terminado ali", lembra bem-humorado.

Lopes é muito identificado com o Vasco, e o nome dele está ligado à maioria das grandes conquistas do clube. Porém, deixou saudades em outros clubes por onde passou, como o Atlético Paranaense e o Internacional, dos quais guarda cartas escritas pelos jogadores e dirigentes da época em que passou por esses clubes. Por falar no Furacão, é de lá que vem uma polêmica envolvendo o técnico. No currículo que usa, Lopes não se considera campeão brasileiro de 2001. apesar de ter trabalhado no clube em toda a primeira fase da competição, finalizada por Geninho.

"O Toninho nem gosta de tocar nesse assunto", revela D. Elza, mulher do técnico e idealizadora da sala de troféus em homenagem a Lopes. "Ele saiu de lá antes da final, mas deixou o time entre os oito classificados. É o jeito dele, não aceita que digam que é campeão brasileiro. Eu nem gosto de falar muito, pois o meu time de coração é Antônio Lopes F.C, mas tem muito treinador que trabalha em muito menos jogos e se intitula campeão", reclama D. Elza, mostrando a faixa do título, enviada ao técnico pelo clube. E por falar em faixa, Lopes é o único da Seleção Brasileira a ostentar uma de pentacampeão. Ao lado da medalha dada pela Fifa, o quadro guarda uma faixa verde e amarela, que D. Elza mandou fazer para festejar o marido. Orgulhosa, ela lembra que já precisou, até, ampliar o espaço para guardar tantas relíquias. Assim como Lopes, D. Elza não consegue imaginar como será a vida do marido sem o futebol.

"Ele não para em casa, caminha todo dia, se exercita e, no trabalho, sempre que pode, orienta treino em tempo integral. A idade não o impede de fazer nada. É um batalhador. E ainda tem gente que prefere dizer que o Toninho é um técnico de sorte. Brincadeira, não é?", pergunta. Se não for brincadeira, é maldade. A história de Antônio Lopes é das mais grandiosas e digna de homenagens. O filho, Júnior, segue os passos do pai, como mais um troféu. De certo é que, apesar dos que o contestam, nenhum pode ser retirado do currículo do treinador. Só um: o de mais idoso no comando de um time da Primeira Divisão.

"Só se o Evaristo de Macedo voltar aos campos", brinca Lopes, lembrando do amigo de longa data. "Mas ele já deu a contribuição dele, que é das maiores. Acho bom ele ficar descansando, curtindo a vida. Deixa essa honra comigo, a partir de agora", finaliza.


Dona Elza com a faixas de campeão do marido Antônio Lopes


Fonte: Jsports.com.br