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Remo: Tiago Braga fala sobre feito histórico nos Jogos de Cingapura


Terça-feira, 17/08/2010 - 23:29

Tiago Braga é a aposta do Brasil no remoO fluminense Tiago Braga, 18 anos, nascido em Campos, no norte do Estado do Rio de Janeiro, já fez história nos Jogos Olímpicos da Juventude Cingapura 2010.

Ele é o primeiro brasileiro a chegar a uma final olímpica de remo na história deste esporte no País. Na madrugada desta quarta-feira (18), pelo horário de Brasília, ele será um dos seis finalistas que lutarão por medalhas na categoria single skiff single 1.000.

Nesta categoria, um único remador atravessa um quilômetro num barco com dois remos.

Tiago foi campeão brasileiro de Novos Talentos em 2008 e campeão brasileiro convencional em 2009.

Conquistou também o título nacional de double skiff, o do barco com dois remadores, ao lado de Edson Senna.

Seu técnico no Vasco, Marcelo Campos, está animado:

- Comemoramos esta classificação histórica por 10 minutos e depois começamos a pensar na final. Agora é hora de manter o foco para melhorar o que for necessário. Estamos em um seleto grupo e vamos continuar representando o país da melhor maneira possível.

Nesta entrevista exclusiva ao R7, feita poucas horas antes da final, Tiago relembra sua trajetória de dificuldades, mostra todo seu otimismo e pede “muita torcida vinda daí do Brasil”:

Você está com o sexto tempo entre os seis que irão disputar a final do single skiff 1.000 metros daqui a pouco. Podemos considerar que está fora da disputa por uma medalha?

Tiago Braga – Não, cara, de maneira nenhuma. E, sinceramente, não falo isso porque sou eu o atleta em questão. Sou o mais leve e o menos forte dos seis finalistas. Como vamos disputar uma prova de single skiff 1000 metros, ou seja, um quilômetro com um único remador, esse detalhe, a princípio, dá vantagem para os outros. Mas veja bem: se eu pegar um bom vento que não privilegie tanto meus adversários, poderei levar um bronze ou até coisa melhor.

Como assim?

Como sou mais leve, tenho maior agilidade nas manobras. E, além disso, com o vento a favor meu barco anda mais do que o dos adversários, por causa do peso. Não estou dizendo que isso irá acontecer. Mas o remo é um pouco diferente do que a natação, por exemplo. Na piscina, o que funciona é apenas o desempenho do atleta. Se ele for melhor do que você e estiver em um bom dia, fica quase impossível tirar a diferença no braço. No remo, nós trabalhamos com uma quantidade maior de variáveis: o atleta, o barco, as condições do vento... As chances de ocorrer surpresas são maiores.

Quando e como você começou no remo?

Tiago Braga – Sou de Campos, no norte do Estado do Rio de Janeiro. Em 2007, comecei a remar em um projeto chamado Rema Campos, liderado por um professor muito querido, ainda na ativa, chamado Dimisson Nogueira. Eu remava no Rio Paraíba do Sul, o maior da Região Sudeste, que nasce na cidade paulista de Guararema, corta boa parte do Estado do Rio, inclusive Campos, e deságua no Oceano Atlântico em um lugar chamado Atafona, perto da minha cidade. Até hoje os meninos do projeto fazem isso. Tudo com muita luta, muito sacrifício, muita superação.

Sua família tem recursos para mantê-lo no esporte?

De forma alguma. Meu pai é caminhoneiro e minha mãe, balconista. T enho uma irmã menor, de seis anos.

Você tem patrocínio. Como você vive e sustenta o esporte?

Não tenho patrocínio nenhum. Aliás, aproveito a oportunidade para dizer que eu preciso muito, desesperadamente, de pelo menos um, para equilibrar um pouco minha luta. Desde 2008 sou atleta do Vasco da Gama, que me dá uma ajuda mensal de R$ 800,00. Gasto R$ 300 com suplementos alimentares e faço uma compra com quase tudo o que sobra. Moro no alojamento do clube, na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. Aí, já viu... Para estudar e tocar a vida, fica difícil. Acabei o Segundo Grau. Quero fazer faculdade de Ciências Contábeis para aprender a contar a grana que ainda vou ter. Mas sem patrocínio está complicado...

Está confiante?

Será difícil. Mas eu estou com muita fé. Falei com meus familiares. Quando soube que estava na final, fui para um canto da raia e chorei quietinho, comigo mesmo. Mas, cara, sei que tem um monte de amigos, familiares e milhares de pessoas torcendo por mim aí no Brasil, inclusive pela Rede Record. Muita gente vai empurrar meu barco daí do Brasil.

Fonte: Blog do Eduardo Marini - R7