Ademir, maior artilheiro brasileiro numa Copa, virou estátua em Recife; Vavá também brilhou na Seleção

Domingo, 08/06/2014 - 12:46
comentário(s)

A Copa do Mundo era de 1950. O atacante recifense Ademir Menezes brilhava nos gramados brasileiros quando foi convocado para a seleção brasileira. Era a quarta edição da maior competição esportiva do mundo e a primeira vez que um pernambucano foi lembrado para defender a seleção. Ademir Marques de Menezes iniciou a carreira no Sport, no final dos anos 30, e lá foi eternizado: há quinze anos foi homenageado com uma estátua na frente da sede do clube rubro-negro.

Localizada na Avenida Abdias de Carvalho, em frente à Sede do clube, a estátua de Ademir Menezes pode passar desapercebida. No entanto, pose-se dizer que daquela figura começou a história de Pernambuco em Copas do Mundo. Em 1950, quando jogou no Vasco, fez parte do elenco que virou a base da seleção. Na ocasião, dos 22 convocados, oito jogadores do Cruzmaltino foram chamados. Ademir era um deles. E brilhou. Fez nove gols e tornou-se artilheiro da Copa do Mundo, disputada no Brasil. Até hoje nenhum brasileiro marcou tantos gols numa única Copa.

A grande exibição, porém, não foi o suficiente. O Brasil perdeu o título mundial para o Uruguai, em um Maracanã com o público de 199 854 pessoas.

- Ele disse que foi a maior tristeza da vida dele. durante todo o tempo em que ele jogou futebol, ele teve inúmeros títulos. mas ninguém falava dos títulos que ele ganhou, só na época em que ganhava. só falavam dele da derrota - diz Vilma Menezes, viúva do jogador.

Dona Vilma casou com Ademir em 1962 e doze anos depois do Maracanaço, como ficou conhecida a partida, sempre ouviu histórias daquela Copa perdida.

- Ele até fugiu, fugiu mesmo. foi em casa, pegou uma maleta e foi embora pra itacuruçá. É um lugar que tem aqui no estado do RJ e ficou lá 15 dias escondido. ainda mandou buscar o Barbosa. ele era muito só, só tinha a mulher dele. diziam que ele tinha sido o culpado e eles ficaram lá mais de 15 dias escondidos – completou.

Depois de mais seis anos no Vasco, Ademir voltou ao Recife para jogar e se despedir no Sport, clube que nunca deixou de amar. Em 1996 morreu de câncer. No entanto, foi eternizado na Ilha do Retiro, com uma estátua.

O brilho de outros dois pernambucanos

Além de Ademir, outros dois pernambucanos que vestiram a camisa verde amarela em Copas do Mundo já morreram - Zequinha e Vavá. No entanto, esses jogadores conquistaram o que Ademir tanto ambicionava: o título mundial.

Um dos maiores jogadores da história do Santa Cruz, o volante Zequinha chegou a ser cogitado na seleção em 58, época em que vestia a camisa do tricolor pernambucano, mas como o próprio jogador admitia, naquele período a prioridade era outra: o Supercampeonato Pernambucano de 57.

A preferência deu certo. Zequinha foi campeão estadual naquele ano e na Copa do Mundo de 62, recebeu a oportunidade de participar da equipe que disputou o Mundial do Chile.

Naquela época, Zequinha defendia as cores do palmeiras e não chegou a entrar em campo pela Canarinho. O jogador era reserva de Zito – um dos craques do Santos de Pelé -, e as substituições não eram permitidas. Em 2009, aos 74 anos, Zequinha faleceu. Sobre o seu caixão duas bandeiras: a do Santa Cruz e do Náutico, clube pelo qual encerrou a carreira no futebol brasileiro.

O recifense Vavá tem uma história curiosa. Aos 18 anos ele deixou sua cidade natal e viajou para o Rio de Janeiro, o destino foi o Vasco da Gama. Profissionalmente ele não jogou em nenhum clube pernambucano. Nas divisões de base, defendeu as cores do Sport. Foram vários os títulos no sul do país e no exterior e em 58 chegou a Copa do Mundo como um dos principais jogadores da seleção brasileira. Naquela competição brilhou, marcou quatro gols no mundial, dois deles na decisão contra a suécia – 5 a 2.

O Peito de Aço, como era conhecido, já havia ido longe. Mas, na Copa do Mundo seguinte foi ainda mais longe. Vestindo a camisa do Palmeiras, Vavá foi titular em todos os seis jogos, marcou três gols o último foi o que fechou a vitória na final – 3 a 1, diante da Tchecoslováquia. Em 2002, aos 67 anos, Vavá morreu após um infarto.

(Clique aqui para assistir ao vídeo)



Fonte: GloboEsporte.com