Sobrinho de Geovanni, ex-Barcelona, Wendel lembra do início da carreira

Segunda-feira, 22/10/2012 - 12:18

Um parentesco não muito conhecido, mas fundamental para a carreira de dois jogadores importantes do futebol brasileiro. Aos 30 anos, Wendel, volante do Vasco, é sobrinho do meia Geovanni, ex-Barcelona e um dos ídolos da história do Cruzeiro. O curioso é que a diferença de idade entre os dois é de apenas dois anos. Com 32, Geovanni está no América-MG e mantém contato frequente com o sobrinho. Em bate-papo com o UOL Esporte, a dupla explicou a particularidade em torno do esporte na família e recordou obstáculos para que a trajetória no futebol fosse de sucesso. O jogador cruzmaltino não escondeu que o tio famoso é a sua principal inspiração no futebol.

Juntos, Geovanni e Wendel iniciaram a carreira na base do time celeste junto com outro sobrinho do “veterano”, o atacante Cristian (32), que teve destaque no Ipatinga e hoje trabalha em escolhinhas de futebol nos Estados Unidos. Geovanni morava na cidade de Acaiaca, enquanto Wendel era de Mariana. Os dois passaram a morar juntos em 1997 e se escoraram um no outro para vencer na carreira.

“Sou filho caçula de nove irmãos, a mãe do Wendel foi a terceira. Por isso, a pouca diferença de idade. É um privilégio ter o sangue do futebol na família e ainda tivemos a oportunidade de jogar no mesmo time. Moramos juntos até 2001. Só nos separamos quando fui vendido ao Barcelona. Quando percebi, ele já era titular do Cruzeiro e trilhava a carreira com as próprias pernas”, explicou Geovanni.

Para Wendel, o fato de o parentesco ser pouco divulgado está ligado diretamente ao processo de criação e a origem humilde da família. “Somos muito reservados e não damos importância a isso. Forçar as coisas e ficar aparecendo não é legal. Somos de uma família que não tinha luxo, apenas o simples. Uma criação humilde do interior, cidades com quatro mil habitantes. Tínhamos o nosso arroz, nosso feijão, e isso bastava”, disse.

Enquanto o sobrinho tenta classificar o Vasco para a Copa Libertadores do próximo ano, o tio vê o América-MG no meio da tabela da Série-B e com chances reduzidas de retorno à elite do futebol brasileiro. O trabalho segue dentro de campo e as lembranças da infância difícil servem de motivação para um momento decisivo da temporada.

“Nunca passamos fome, mas a nossa vida foi difícil. Lembro que precisávamos da ajuda de vale transporte e não tínhamos um real para pipoca, sanduíche. Depois de oito horas na rua, treino, não ter dinheiro para comer era complicado. Isso foi com suor e muito sacrifício. Moramos de favor e temos uma vida boa hoje”, lembrou Geovanni.

A carreira do tio é uma inspiração para Wendel. Autor do gol do título do Cruzeiro na Copa do Brasil do ano 2000, Geovanni foi vendido ao Barcelona e trilhou carreira na Europa. A passagem pelo clube catalão não foi de muito sucesso. No entanto, conquistou títulos e marcas importantes no Velho Continente.

Ele foi o primeiro brasileiro a jogar no Manchester City e no Hull City, ambos da Inglaterra. No Manchester City marcou o gol da vitória no clássico contra o United após 18 anos de jejum em casa. Já no Hull City se tornou ídolo. Fez o primeiro gol do time na 1ª divisão, ganhou música especial e foi aclamado ao deixar o clube. Fato que o fez “esquecer” os momentos de glória no Cruzeiro e até a passagem pelo Barcelona.

O gol pelo Cruzeiro me marcou muito, mas no Hull City permanecemos na 1ª divisão e quando passei com meus filhos o estádio inteiro cantou uma música para mim. É o respeito do torcedor com o ídolo. Foi o melhor momento. Aqui no Brasil parece que não tem isso, esquecem rápido. Gostaria que a mentalidade mudasse. As pessoas são apenas de momento. Ganhei oito títulos no Cruzeiro e deveria ter mais respeito”, afirmou, seguido por Wendel.

“Admiro o Geovanni e o Alex [hoje no Coritiba]. Minha vontade de jogar futebol cresceu depois que ele teve essa oportunidade no Cruzeiro. Isso me deu força para tentar vencer e ser um jogador. Ele foi o meu primeiro inspirador. Foi um dos que mais me ajudou para construir a carreira. Saí do interior com 11 anos e o Geovanni sempre me deu toques”, comentou.

Geovanni brinca com o sobrinho e diz que tem “cara de mais novo”. No entanto, planeja jogar mais três anos e encerrar a carreira. Wendel quer atuar pelo menos até os 36 anos. Eles ainda esperam se enfrentar no futebol brasileiro. Perguntado se o respeito pelo tio entrará em campo caso isso aconteça, Wendel brincou.

“Espero enfrentá-lo ainda até o final da carreira. Jogamos contra em Portugal e não teve descanso [risos]. Já não tinha esse respeito desde que éramos jovens. Ele queria que pedisse “bença”, mas não dava. Tio dois anos mais velho é dose. Ele está mais para meu irmão”, encerrou.

Wendel (d) foi levado por Giovanni (e) para as categorias de base do Cruzeiro


Fonte: UOL