Oldair, autor de gol histórico do Vasco no título da I Taça GB, hoje vive em MG

Quinta-feira, 27/09/2012 - 12:51

Com cerca de 150mil m², o Labareda, clube de lazer do Atlético muito bem situado na região da Pampulha, conta com uma grande variedade de quadras esportivas, saunas e um dos melhores salões de festa da capital. Na sua entrada, uma bela estrutura maravilha cada atleticano que o adentra, com um imenso jardim repleto de história, já que três bustos de ex-presidentes alvinegros nos dão a honra de sua presença.

Apesar da temperatura agradável da noite de uma quinta-feira de outono, dispenso as elegantes piscinas e os campos de futsal chamativos, migrando para um edifício um pouco mais isolado do centro das atenções do clube. Lá, está presente uma das melhores estruturas de sinuca de Minas Gerais, chegando até a abrigar alguns campeonatos da modalidade.

Em seu interior, trajando uma calça esportiva e uma camisa social simples, está um dos maiores responsáveis pela parte dourada da camisa atleticana. Oldair, lateral-esquerdo da equipe de 71 e autor de um dos gols mais espetaculares da história do clube – e o mais importante, sem questionamentos. “Eu não vou falar que eu ganhei o Campeonato, mas o gol que marquei ganhou o Campeonato. Aquele gol decidiu, até porque depois tínhamos condições de só empatar no Rio de Janeiro” relata o ex-jogador.

Sempre presente no salão de sinuca do Labareda, Oldair é uma figura querida aos jogadores que frequentam o clube. Simples, com um ar sério e dono de respostas curtas e diretas, imagino que muitas vezes deve passar despercebido por torcedores desatentos a história do clube, que provavelmente jamais ostentariam a estrela amarela no peito se não fosse aquele homem.

Paulista da capital, Oldair não pensava muito em se tornar jogador profissional, mas chamou a atenção de olheiros do Palmeiras enquanto atuava por um time amador, na adolescência. Chegou ao Atlético em 1968, em uma negociação envolvendo o atleticano Bugleaux, autor do primeiro gol do Mineirão.

“Eu quase fui pro Cruzeiro, mas a negociação não deu certo na época. Logo depois, o Atlético teve o interesse e o Vasco me trocou pelo Buglê.” Oldair conta que chegou a Belo Horizonte com certa desconfiança da torcida alvinegra. Na época, chegava já experiente, tendo quase 30 anos, enquanto Buglê ainda era jovem.

Dono de um chute forte, Oldair já era um jogador moderno naquela época – conseguia jogar com facilidade na maioria das posições. Por muito tempo, atuou como volante na equipe de Yustrich – técnico com que teve um pequeno problema de relacionamento. Campeão mineiro de 1970 e tri da Taça Belo Horizonte, foi um dos capitães de maior sucesso da história do clube.

Sem triunfos nas campanhas de 72 e 73, acabou saindo do Atlético, indo jogar em Brasília e, no ano seguinte, encerrou sua carreira num pequeno clube de Contagem. Apesar da expressiva liderança no Brasileirão, Oldair nunca se considerou um craque, o que não o tira nem desqualifica na seleta lista de ídolos do Galo. Confira o bate-bapo na íntegra:

Você, como capitão e líder daquela equipe, estava confiante em ser campeão daquele Campeonato?

71 foi o seguinte: corremos na vice-liderança durante todo o Campeonato, porque todo mundo queria derrubar o 1º, que era o Grêmio. Aí o Atlético foi indo, foi indo e acabou no triangular final, com São Paulo e Botafogo.

Você era mesmo um líder dentro de campo como falam?

O líder não é feito, o líder vem de berço. Eles falavam que eu era líder, capitão e essas coisas. Mas não é bem isso, mesmo se não fosse o capitão, agiria da mesma maneira. Sempre tive esse negócio de tirar jogador de confusão, se o juiz anulou o gol, vamos fazer outro, não adiante ser expulso. Eu praticamente era o treinador dentro de campo, e o Telê fora.

Como era a relação entre os jogadores daquele time? Todos te respeitavam como um líder?

Todo mundo queria jogar, mas se respeitavam muito. Como não teve nenhum jogador expulso naquele campeonato, o treinador podia repetir a escalação tranquilamente. A campanha de 71 teve apenas 3 cartões amarelos sofridos pelo nosso time. Eu fiquei fora apenas de um jogo, mas nem me lembro o motivo.

Qual foi o jogo mais emocionante da campanha do título? E o que você atuou melhor?

É lógico que foi uma das finais contra o São Paulo. Eu não vou falar que eu ganhei o Campeonato, mas o gol que eu marquei ganhou o Campeonato. Aquele gol decidiu porque depois tínhamos condições de só empatar no Rio de Janeiro, contra o Botafogo.

Como foi aquela época de jogador?

Foi uma época boa, marcou muito, foi uma passagem ótima. Não fui um craque, mas era um bom jogador, de 10 partidas, podia fazer uma mais ou menos, uma ruim, mas fazia oito boas. Então eu tinha essa média que considero muito boa.

Você, que atuou em quase todas as partidas daquele Campeonato, se considera pouco valorizado pela sua atuação no Brasileirão?

Atualmente, sempre tenho muito convite pra eventos que o Atlético realiza, mas dificilmente eu vou, devido aos negócios que tenho. Não tenho nada pra reclamar do clube, recebi tudo aquilo que estava no contrato da época. Hoje ainda sou reconhecido pela façanha.

Como é o seu relacionamento com o Atlético hoje em dia?

É ótimo, sou sócio do Labareda e a uns seis anos atrás me tornei uma espécie de sócio especial. Não pago condomínio e minha família frequenta o local sempre. Tudo dado pelo Atlético.

E quando acabou o jogo contra o Botafogo, como foi?

Foi uma loucura, muita alegria. Tive que subir lá na tribuna, até tirei a chuteira porque lá estava escorregando muito e recebi a taça do Médici, que era o presidente da época. Teve até que ir mais gente receber ela comigo, porque era pesada demais (risos).

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“Os craques de 71: orgulho de uma nação” é uma série especial de entrevistas com os jogadores campeões brasileiros de 1971, produzidas por Lucas Ragazzi, com exclusividade para o Terreirão. Siga o cara no twitter: @lragazzi





Fonte: Blog do Torcedor - Terreirão do Galo - GloboEsporte.com

Nota da NETVASCO: Saiba mais sobre o título da I Taça Guanabara, em 1965, clicando aqui.