Justiça faz ressalvas e cobra respostas sobre DIP e venda da SAF do Vasco
Quarta-feira, 26/08/2026 - 19:46
Gustavo Tutinha @gustavotutinha
🚨 JUSTIÇA FAZ RESSALVAS E COBRA RESPOSTAS SOBRE DIP E VENDA DA SAF DO VASCO

A nova decisão da 4ª Vara Empresarial coloca uma série de pendências e pontos de atenção antes da análise definitiva do financiamento DIP e da alienação da UPI Equity, que envolve o controle da Vasco SAF.

Entre as principais preocupações levantadas pelo juiz estão:

• Endividamento: o Vasco já teria contratado R$ 120 milhões em empréstimos e pretende mais R$ 150 milhões, enquanto existe projeção de prejuízo na ordem de R$ 300 milhões. O magistrado alerta para a necessidade de avaliar a operação para que "o remédio não mate o paciente".

• Destino dos R$ 500 milhões: o juiz questiona a cláusula da proposta da Almirante que impede que esse valor seja utilizado para pagamento de dívidas. Para o magistrado, "não é admissível" alienar o ativo de maior valor do Vasco estabelecendo essa vedação, diante das disposições do plano de recuperação.

• Falta de avaliação das ações: o juiz aponta a ausência de uma avaliação independente das ações da SAF e entende que, pelo princípio da maximização dos ativos, o lance mínimo deve corresponder ao valor dessa avaliação.

• Risco de "loan to own": a Justiça demonstra preocupação com os sucessivos empréstimos concedidos pelo mesmo grupo interessado na aquisição. Segundo a decisão, outro interessado já entraria na disputa diante de um débito histórico de R$ 270 milhões com o stalking horse, o que poderia dificultar uma competição efetiva.

• Arbitragem com a 777: a titularidade das ações que poderão ser vendidas está sendo discutida em arbitragem com a 777 Carioca. O juiz cobra informações sobre o andamento do procedimento e a probabilidade de êxito do Vasco.

• Risco envolvendo a CBF: também foi levantada a possibilidade de dificuldades para aprovação da transferência de controle da SAF. Caso a operação não seja concretizada, o Vasco poderá permanecer com dívida elevada e recebíveis importantes comprometidos como garantia.

• Déficit continua mesmo com o DIP: a decisão destaca que, mesmo com a autorização do financiamento pretendido, ainda existe projeção de déficit superior a R$ 100 milhões até o fim do ano.

• Contratações de jogadores: o Vasco também terá que explicar os investimentos realizados e pretendidos no futebol, comparando-os com os gastos de 2025 e com os demais clubes da Série A em 2026.

Administração Judicial, watchdog e gatekeeper terão que apresentar parecer conjunto até 2 de setembro, respondendo às preocupações levantadas pelo juiz e apresentando soluções ou alternativas para os riscos identificados. Depois, haverá vista ao Ministério Público.

Além disso, a Justiça determinou a publicização da futura venda da UPI Equity, para permitir que outros interessados no controle da Vasco SAF possam se apresentar.

Importante: a decisão não significa que o DIP ou a venda da SAF foram rejeitados. O juiz está exigindo respostas, documentos e maior segurança antes de decidir.

O recado da decisão é claro: antes de aumentar ainda mais a dívida e avançar na venda do principal ativo do Vasco, será preciso demonstrar que a operação é sustentável, competitiva e efetivamente benéfica à recuperação do clube.

Fonte: X do jornalista Gustavo Cunha/Colina 1927