Talles Magno assiste a lances de brasileiros na Copa do Mundo de 2002, ano em que nasceu; veja vídeo
Sexta-feira, 25/10/2019 - 14:41
Talles Magno recebe o tablet. Dá o play no vídeo e escuta Galvão Bueno: "Pra cima deles! São quatro em cima dele! Quaaatro em cima dele!". Se você tem mais de 17 anos, talvez se lembre. Talles via o icônico lance em que Denílson é perseguido por quatro turcos na semifinal da Copa do Mundo de 2002. Eis que acontece o seguinte diálogo entre o atacante da seleção brasileira sub-17 e a equipe de reportagem da TV Globo.

– É difícil parar o Canhotinha, né? É difícil, é difícil... Ele levou lá para o fundo, segurou. É enjoado ele, né? – pensa alto Talles, enquanto vê o vídeo.

– Você sabe quando foi isso? – perguntamos.

– Não... – responde o jovem.

– Que dia você nasceu?

– 26, do 6 de 2002.

– Esse lance aconteceu exatamente nesse dia.

– Foi nesse dia? Foi no dia do meu aniversário?

Sim, Talles. Enquanto você surgia no mundo, Denílson era perseguido por quatro turcos e um tal de Ronaldo, com seu bico infalível, levavam o Brasil a uma final de Copa do Mundo. O atacante do Vasco não tinha noção do feito histórico ocorrido no dia do seu nascimento. Ele, e todos jovens que se preparam para o Mundial Sub-17, nunca viram a Seleção ganhar um título mundial.

Dos 21 convocados pelo técnico Guilherme Dalla Déa, só um jogador não nasceu em 2002, ano do penta: o lateral-esquerdo Patryck, que é do dia 18 de janeiro de 2003. Nem todos sabem detalhes das cinco conquistas do Brasil. Não conhecem todos os jogadores. Seus ídolos são recentes. Mas carregam a geração que conquistou a última Copa para o Brasil como uma referência.

Talles Magno não sabia que Ronaldo havia sido decisivo em uma semifinal no dia em que nasceu. Nunca havia visto o gol de bico contra a Turquia. E se inspirou com o lance.

"Olha aí, ele pegou a bola fora da área, entrou na área e finalizou. Por isso que sempre olhei muito para ele, nunca fui muito um 9 de ficar na área. Sempre fui mais solto, um ponta. Então eu sempre me espelhei nele", disse Talles sobre o Fenômeno.

Mas há um detalhe sobre o camisa 9 do penta que não foi bem aceito pelo cruz-maltino: o corte de cabelo Cascão.

– Esse cabelo dele aqui? Fraco demais. Não dá, não dá. Melhor o black – diz Talles Magno, aos risos, se referindo ao próprio estilo.

Brasil x Inglaterra: o dia de Rivaldo, Ronaldinho... e Yan

Enquanto o Brasil inteiro acordava com o despertador na madrugada do dia 20 para o dia 21 de junho de 2002, Gilberto e Dayane iam para a maternidade em Curitiba. No Japão, Rivaldo e Ronaldinho brilharam na vitória da equipe de Luiz Felipe Scolari contra a Inglaterra, pelas quartas de final. Na capital paranaense, Yan Couto nascia.

Após 17 anos depois, Yan defenderá a seleção brasileira no Mundial Sub-17. E reage com um sorriso no rosto ao ver Ronaldinho encobrindo Seaman naquele dia e conta como seu pai, Gilberto, o influencia.

– Tá louco, é sacanagem (ao ver o gol). Meu pai sempre me mostra esses lances. Foi no dia que eu nasci, Brasil x Inglaterra. Ele fala que foi um dia muito emocionante, que o Brasil virou contra a Inglaterra e foi o dia que eu nasci. Muito feliz, né? Nunca vamos esquecer desse dia.

Talles Magno nunca havia visto aquele memorável gol do camisa 11 do penta. Viu. E a partir de agora deve ver e rever.

– Esse eu nunca tinha visto. Deixa eu ver de novo, que isso?!! Qual é, Yanzinho, ele mandou direto para o gol. Absurdo! Vamos ver de novo, vamos ver de novo! Pode se esperar tudo desse cara. É o Ronaldinho, né? Não dá pra saber o que vai fazer – diz o atacante do Brasil, depois de ver o golaço contra a Inglaterra.

Resgate da história da Seleção

Mas como fazer com que meninos que nunca viram o Brasil levantar uma Copa do Mundo entendam o tamanho da Seleção na história do futebol? Essa é uma preocupação na CBF. E ficou maior depois que, durante a preparação para o Sul-Americano Sub-17 de 2017, a comissão técnica comandada por Carlos Amadeu se surpreendeu com uma realidade: ninguém daquele time, que tinha Vinicius Junior e Paulinho, sabia quem é Zagallo.

Desde então, há um trabalho de incentivo aos jovens atletas a pesquisarem e resgatarem ídolos da seleção brasileira. O lateral Garcia participou de uma atividade dessas e ficou encarregado de falar justamente sobre o time de 2002. E relembra a experiência.

– Na minha primeira convocação na Granja, tivemos estudos sobre as Copas e eu fiquei com o grupo da Copa do Mundo de 2002. Comentamos bastante, falei sobre os principais jogadores, Cafu, Ronaldo, Rivaldo... A gente sonha em levantar um troféu desse tipo, ainda mais no nosso país – comentou o jovem atleta do Palmeiras.

Vai ter cambalhota na rampa do Palácio do Planalto?

Eis que o momento nostálgico do pentacampeonato do Brasil com os jovens da seleção sub-17 chegou à festa do título. E aí só dá para mencionar uma imagem: Vampeta e suas cambalhotas. Na rampa do Palácio do Planalto. Na frente do presidente Fernando Henrique Cardoso.

E Talles Magno, mais uma vez, se surpreendeu.

– E quem é esse aqui?! Que isso, cara?! – indagou Talles, ao ver as piruetas do Vamp.

Até mesmo Yan, que mostrou maior familiaridade com os lances do título conquistado no Japão, se assustou com a comemoração insólita do ex-volante do Corinthians.

– Tá maluco. Que resenha! Resenha para caramba. Doidão. Nunca tinha visto essa aqui, não – diz o lateral do Coritiba.

Vale uma cambalhota para comemorar um possível tetra do Mundial Sub-17? Claro.

"Ah, depois do Penta, pode fazer tudo. Pode fazer tudo, tudo é permitido", diz Talles Magno.





Fonte: GloboEsporte.com