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Em 1960, Olaria venceu Vasco e Flu e foi campeão do Torneio Início


Sexta-feira, 22/04/2011 - 08:05

A Guanabara nasceu em 1960. O Rio deixava de ser Distrito Federal, mas não perdia a pose, se transformando no menor e mais charmoso estado brasileiro. Charme com trilha de bossa nova, as cariocas em doce balanço a caminho do mar (a primeira miss do novo estado, Gina MacPherson, seria Miss Brasil daquele ano), o polêmico Carlos Lacerda no Governo do Estado e um futebol cheio de malandragem, quando o subúrbio mostrava suas armas a cada rodada e os grandes eram cinco — o precocemente rebaixado América, inclusive, foi o campeão estadual daquele ano.

Mas, vejam só, não foi o primeiro campeão da Guanabara. Essa honra coube ao Olaria, o mesmo azul e branco da Bariri que enfrenta o Vasco amanhã, na semifinal da Taça Rio.

É que, naquele tempo (e até 1967, com uma edição comemorativa em 1977) havia o Torneio Início, espécie de apresentação das equipes cariocas às torcidas. A competição era disputada num único e festivo dia de Maracanã lotado, com partidas que duravam apenas dois tempos de 10 minutos, com exceção da final, quase um jogo normal com seus dois tempos de 30 minutos. E no dia 17 de julho deu Olaria na cabeça, com direito a receber a taça das mãos de João Havelange, presidente da CBD (antecessora da CBF) desde 1956, cargo que ocuparia até 1974, quando assumiu a gigante FIFA.

No seu primeiro jogo, o Olaria não teve grandes problemas para passar pela Portuguesa por 2 a 1, gols de Jaburu e Da Silva, contra um de Castelo para o time da Ilha do Governador. A segunda partida já foi bem mais difícil. O adversário era o Botafogo, com o lendário Manga no gol e Amarildo (que dois anos mais tarde seria o Possesso da Copa de 1962) no ataque. Deu 1 a 1 no tempo normal, gols de Neivaldo para o alvinegro e Drumond para o Olaria. Nos pênaltis, disputados em séries de três, 5 a 2 para o time do subúrbio –— 2 a 2 na primeira série e 3 a 0 na decisiva, para desespero do quase nunca tranquilo técnico alvinegro, Paulo Amaral.

Já estava bonito para o time da Bariri. O próximo desafio era o Vasco, já pela semifinal, como agora, na Taça Rio. O time de São Januário tinha Brito na zaga (o mesmo que se tornaria tricampeão mundial em 1970), Pinga e Roberto Pinto na frente, além do folclórico técnico Filpo Nuñez no banco. O Vasco saiu na frente com Pinga, mas o habilidoso meia-esquerda Drumond voltou a marcar e garantiu o empate. Na série de três pênaltis, Roberto Pinto perdeu um e Drumond converteu os três. Olaria na final.

E o adversário era o Fluminense, como aliás pode ser de novo numa hipotética final da Taça Rio. Olha que o tricolor era o campeão estadual — e seria vice na próxima edição da disputa. O tempo de jogo era maior, quase normal: duas etapas de 30 minutos, o que, tradicionalmente, favorece o melhor time. E foi isso que aconteceu. Só que esse time, ao menos naquele domingo, era o Olaria. Um contundente placar de 2 a 0 garantiu a façanha, com gols de Jaburu e Petit. E isso mesmo com o time azul e branco perdendo o ponta-esquerda Da Silva, expulso.

Jogo encerrado, João Havelange entregou a taça para o capitão Sérgio, central de boa técnica que chegou à Bariri vindo do Flamengo e depois jogaria na Venezuela, antes que uma contusão no joelho abreviasse sua carreira. Hoje, aos 77 anos, Sérgio ainda é apaixonado pelo Olaria:

— É meu segundo time: primeiro o Flamengo, depois Olaria.

Sérgio é meu pai.




Fonte: O Globo