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Marcação por pressão e Bernardo foram os diferenciais táticos do Vasco


Quinta-feira, 10/03/2011 - 15:04

Depois dos 18 gols marcados e apenas um sofrido nas três primeiras partidas do Vasco sob o comando de Ricardo Gomes, a derrota pré-carnavalesca na estreia da Taça Rio para o Macaé por 3 a 1, como um “choque de realidade”, deixou claro, não só pelo resultado, que alguns problemas táticos dos tempos de PC Gusmão e Carlos Alberto não estavam resolvidos.

A começar pelo posicionamento dos laterais Fágner e Ramon, que avançam simultaneamente, tanto no apoio quanto na caça aos adversários e deixam verdadeiras crateras às suas costas que Dedé e Anderson Martins precisam cobrir e, muito abertos, escancaram o meio da área obrigando os volantes, já sacrificados pela falta de combatividade dos meias no 4-2-2-2 cruzmaltino, a recuar demais e, com isso, deixar generosos espaços na intermediária. Um verdadeiro “efeito dominó”.

No primeiro tempo da vitória por 4 a 2 sobre o Duque de Caxias em São Januário com bom público, contudo, o Vasco de Ricardo Gomes apresentou uma alternativa estratégica que pode ser interessante, embora exija um considerável sacrifício físico e mental difícil de executar em todas as partidas durante noventa minutos.

A equipe marcou no campo do oponente, com Elton e Éder Luís apertando os zagueiros, Bernardo e Felipe saindo nos volantes e Fágner e Marcio Careca – o substituto de Ramon, expulso em Macaé – combatendo na intermediária adversária, dentro de uma dinâmica condizente com suas características de alas, e não laterais. O volante Rômulo foi outro a participar ativamente da pressão na intermediária do Caxias, deixando Eduardo Costa mais próximo a Dedé e Anderson Martins na cobertura. Os zagueiros vascaínos, mais habituados a sair nos atacantes do que ficar na sobra, também se sentiram mais à vontade com a proposta defensiva.

A “blitz” em 45 minutos terminou com 3 a 0 no placar. E o bom desempenho coletivo teve um grande destaque: Bernardo confirmou a boa impressão do segundo tempo contra o Macaé com agilidade, técnica e objetividade. O meia-atacante se juntou à dupla de ataque alternando com Éder Luís pelos lados. Depois do gol de pé direito de Felipe, que ficou responsável pela armação com o companheiro mais avançado, Bernardo desequilibrou com belas jogadas, a cobrança de escanteio que Anderson Martins cabeceou de costas surpreendendo o goleiro e depois sofrendo e convertendo o pênalti que praticamente resolveu o jogo.

O Vasco sofreu na segunda etapa com a natural acomodação que afrouxou e recuou a marcação, expondo os velhos erros defensivos. Mas foi a saída de Bernardo, com problema estomacal, que prejudicou sensivelmente a fluência do time da Colina. Caíque entrou e, mesmo atuando praticamente como um terceiro atacante, pouco produziu.

Com a retaguarda desprotegida, o time novamente teve um defensor expulso: Anderson Martins. Mas Dedé, seu companheiro de zaga, aniquilou com belíssima cobrança de falta qualquer chance de reação do Caxias, que diminuira com Somália e Ari.

Leandro estreou substituindo Éder Luís e mostrando a vontade habitual, mas a tendência é que funcione apenas como uma opção no elenco. A expectativa é pela entrada de Diego Souza, o novo camisa dez.

A questão agora é como barrar Bernardo depois da bela atuação, mesmo considerando a fragilidade do adversário. O jovem meia apresentou soluções que o Vasco procurava há tempos e o novo reforço, com características muito semelhantes às de Carlos Alberto, pode não atender a demanda.

O ótimo primeiro tempo com Bernardo e marcação adiantada pode e deve ser a referência vascaína para a sequência do Estadual e da Copa do Brasil. O problema de Ricardo Gomes será repetir formação e dinâmica e, enfim, ter um mínimo de regularidade em 2011.


O Vasco de Ricardo Gomes, no 4-2-2-2, marcou mais à frente pressionando a saída de bola e imprimiu velocidade no ataque com Bernardo, a ótima novidade no setor ofensivo.


Fonte: Blog Olhar Tático - GloboEsporte.com