Na mira do Porto, Evander, hoje no Midtjylland-DIN, acha que faltou paciência com ele no Vasco e ressalta: 'Sou vascaíno roxo'
Quinta-feira, 06/06/2019 - 08:46
Uma das principais promessas recentes do Vasco, Evander encontrou na pacata cidade de Hening, na Dinamarca, as condições ideais para, enfim, fazer seu futebol desabrochar.

Emprestado pelo Vasco ao Midtjylland em agosto de 2018 – em janeiro deste ano, o clube exerceu a opção de compra -, o meia completou sua primeira temporada europeia em alta e com a sensação de que fez o melhor para a carreira.

Tanto que, com o mercado europeu se aquecendo, Evander tem chance de dar o pulo para uma liga mais forte. Na última semana, o pai e empresário do jogador, Evandro Ferreira, foi procurado pelo Porto, que buscou informações sobre uma possível transferência - informação divulgada inicialmente pela "TVI", de Portugal.

Acredita-se que o Midtjylland não aceite vender o atleta por menos de 8 milhões de euros. O Vasco tem direito a 14% de uma futura venda de Evander, assim como 3,5% do mecanismo de solidariedade, por ser formador do jogador.

Em vez da pressão e da cobrança de São Januário, o jovem de 20 anos encontrou no Midtjylland um ambiente mais tranquilo. Ganhou a camisa 10 e, mais importante, pôde desfrutar de uma sequência de partidas. Terminou a temporada com 20 jogos, seis gols e o título da Copa da Dinamarca.

- Pude pegar aquela confiança que eu tinha na base. Fazia tudo e voltei a jogar meu verdadeiro futebol. Estou adaptado. (No Vasco) teve questão de um pouco de paciência, né? Acho que alguns jogadores se adaptam rápido, e alguns demoram um pouco mais, como no meu caso. Mas me sinto agradecido por tudo que fizeram por mim – analisou o meia.

Desculpas à torcida por foto polêmica

A saída de Evander do Vasco veio alguns meses depois de ele postar uma foto polêmica com companheiros, que ironizavam as vaias da torcida. Todos os jogadores deixaram o clube, com exceção de Gabriel Félix. Vascaíno roxo, o meia contou que se arrependeu logo em seguida da postagem e afirmou que ainda acompanha o time.

- Minutos depois eu vi a besteira que fiz. Me arrependi totalmente. Vi que foi um momento que errei demais, mas que serviu como aprendizado. Todo jovem erra. Até mesmo pessoas experientes erram. Me desculpei para não ter mágoa alguma. Se precisar que peça desculpas 10 mil vezes, eu vou pedir.

Nesta entrevista, Evander conta sobre sua primeira temporada na Dinamarca e como faz para se manter conectado ao Vasco.

Confira:

Diferenças do futebol dinamarquês

- Dinâmica e força. Eles jogam com bastante intensidade e jogam com muita bola longa, para brigar pela segunda bola. Uma coisa que dificilmente acontece no Brasil. Aqui eles brigam muito, jogadores muito fortes, tem diferença enorme.

Adaptação tática

- Quando eu cheguei o treinador me botou no meio, como segundo volante. A gente jogava com linha de três zagueiros, dois jogadores no meio e três na frente. Eu joguei nessa posição no meio. Foi bacana, experiência nova, uma formação nova, nunca tinha jogado com três zagueiros. Também joguei pelo lado em algumas situações.

Já estou acostumado a jogar (como volante), sempre joguei por dentro. Tanto de meia quanto fazendo segundo volante. Independentemente da posição, precisa ter intensidade, dinâmica.

Vida em Hening (cidade de 50 mil habitantes)

- Aqui é super tranquilo. Zero violência, zero poluição, ruas limpas, segurança tranquilo. Ainda mais na cidade que estou, é como se fosse interior. Não tem nada demais. Adaptação foi mais o frio, aqui faz muito em dezembro, cheguei na época do frio, fazia um frio enorme, mas não foi tão difícil a adaptação.

O temido frio

- Aqui venta muito por ser um lugar muito aberto. Fiz uma partida em dezembro que estava -5 ºC e nevando. Foi complicado, tive que botar quatro camisas térmicas.

Motivos para não ter se firmado no Vasco

- Questão de um pouco de paciência, né? Acho que alguns jogadores se adaptam rápido, e alguns demoram um pouco mais, como no meu caso. Sente um pouco a pressão, estar num clube grande.

Fiz grandes partidas também, mas acaba que fica na memória sempre as que não foram boas. Acaba que acontece isso que aconteceu comigo.

Eu fico feliz por tudo que pude fazer pelo Vasco, nos momentos bons que ajudei, por tudo que passei lá. Me sinto agradecido por tudo que fizeram por mim. Me ajudaram bastante, estava lá desde os meus oito anos até os 20.

Polêmica da foto

- Desde quando aconteceu, minutos depois eu vi a besteira que fiz. Me arrependi total. Ficar fora de um clube grande assim é chato, você quer estar ali com o grupo, depois ser afastado é pior ainda. Vi que foi um momento que errei demais, mas que serviu como aprendizado. Todo jovem erra. Até mesmo pessoas experientes erram. Me desculpei para não ter mágoa alguma. Se precisar que peça desculpas 10 mil vezes, vou pedir.

Relação com a torcida do Vasco

- Querendo ou não, a torcida sabe que sou um bom jogador. Muitos falavam que eu não corria, que eu não dava sangue, mas eu fazia tudo que podia. Quando não dava certo, caía sempre para cima de alguém.

As coisas acabam não acontecendo, mas eles sabem da minha qualidade, tudo que fiz pelo clube na base, pelos jogos bons que fiz no profissional. A questão foi ter um pouco mais de paciência e dar seguimento. Eu fazia três jogos bons, fazia um ruim e ficava de fora. Faltou alguém para bater de frente no clube e me deixar no campo, me deixar errar, como aconteceu com um monte de jogador que errava e continua jogando.

Relação com o Vasco atualmente

- Sou vascaíno roxo. Acompanho aqui. Os jogos passam de madrugada, eu estou aqui vendo. Quando eu posso, assisto ao jogo todo, só vou dormir depois do jogo. Tenho acompanhado o início do Brasileiro, um início não tão bom, mas estou torcendo, tenho amigos lá, torço sempre por eles.



Fonte: GloboEsporte.com