Gestor da Arena da Amazônia protesta contra veto da CBF a jogo do Vasco fora do Rio
Quarta-feira, 02/08/2017 - 17:11
Com São Janurário interditado, o Vasco tentou levar partidas do Campeonato Brasileiro a outros estádios do Brasil. No entanto, a CBF, em comunicado oficial nesta quarta-feira, rejeitou, mais uma vez, a possibilidade de vendas de mandos de campo para outras praças esportivas. Quem saiu perdendo com a decisão, além do clube Cruz-Maltino, foi a Arena da Amazônia que, por meio de seu gestor, Fabrício Lima, chegou a conversar com o presidente Eurico Miranda e colocou o estádio de Manaus à disposição para receber jogos.

Fabrício, que também é secretário de esporte do Amazonas, criticou o veredito da CBF, o qual considerou unilateral. O responsável pela pasta esportiva, inclusive, afirmou que vai entrar na Justiça contra a entidade. Para isso, ele diz contar com o apoio de outros três administradores de estádios de Copa do Mundo que, assim como o palco amazonense, têm o futebol local sem expressão: Mané Garrincha, em Brasília, Arena das Dunas, em Natal, e Arena Pantanal, em Cuiabá.

Com essa decisão, a CBF ratifica a vontade de excluir as arenas. São estádios que podiam receber esses jogos. Acredito que há um olhar só para um lado do Brasil, as Regiões Sul e Sudeste. A mesma entidade que diz estar formentando o futebol, é a entidade que está prejudicando o Amazonas mais uma vez. Por isso, vamos procurar a Justiça. Vamos entrar em contato com os outros estádios. Vou alegar que as arenas foram construídas para grandes eventos, mas que não pensaram no legado. É um contragolpe danado. A entidade que deveria formentar, estar ajudando a excluir as outras regiões brasileiras - disse o secretário.

A proibição da venda de mandos de campo foi determinada antes mesmo do início do Campeonato Brasileiro deste ano. Mas, àquela altura, as arenas acreditavam ser uma decisão provisória. Porém, a resposta negativa ao Cruz-Maltino de levar duelos para outras praças acabou de vez com a esperança de reverter o parecer inicial.

- Mesma com aquela primeira decisão, nós tínhamos esperança que a entidade mudasse de ideia. Porém, com essa nova negativa, não temos outra saída senão entrar na justiça. É complicado manter estádios desses tamanhos e estrutura sem grandes públicos e rendas. A CBF precisa reverter esse planejamento.

O Vasco, proibido de levar jogos para outros Estados, deve seguir mandando suas partidas no estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, assim como fez contra o Atlético-PR, na última rodada, e fará contra o Cruzeiro, nesta quinta-feira. Os estádios, por outro lado, seguem com o movimento que ganhou força no começo do ano: #LiberaCBF.

Prejuízo das Arenas

Desde 2014, a Arena da Amazônia sediou apenas cinco jogos do Campeonato Brasileiro, sendo três da Série A, todos na temporada de inauguração, e dois da Série B, ambos com Vasco, em 2014 e 2016. O lucro, somente com aluguel de estádio, é de R$ 847.489,25. Esse valor pagaria pouco mais de 10% da despesa anual do espaço, que gira em torno dos R$ 6 milhões. Sem o Brasileirão, as alternativas, além de shows, têm sido receber jogos do Campeonato Carioca e, ano passado, seleção brasileira. Inclusive, o público recorde do estádio foi na semifinal do Carioca de 2016, entre Flamengo e Vasco, quando mais de 44 mil pessoas prestigiaram o clássico.

Mais um que não é muito requisitado pelos times de ponta do país, a Arena Pantanal ainda conta com um ponto negativo: dos nove jogos que recebeu, sendo um da segunda divisão - desconsidera-se Luverdense-MT - apenas três tiveram o valor do aluguel divulgados. Dessa forma, a renda é toda contabilizada de 2015 e 2016: R$173.060. A quantia não faz cócegas nos gastos mensais de cerca de R$ 700 mil do estádio.

Mais caro dos estádios construídos para a Copa do Mundo, com gastos de mais de R$ 1 bilhão, o estádio do Distrito Federal é o maior entre os ‘'elefantes brancos'', com capacidade para mais de 70 mil pessoas. As despesas, claro, também são maiores. Assim como a receita. Desconsiderando estaduais, Primeira Liga, Copa do Brasil, entre outros, quase R$ 4,5 milhões foram arrecadados no período de 2013 a 2017. Foram 31 mandos vendidos a Brasília, que conta, principalmente, com o público flamenguista.

Menor estádio entre os quatro (capacidade para 31.375 torcedores) e distante do eixo, o estádio potiguar é outro pouco procurado pelas equipes da elite nacional. Pela Série A, foram apenas dois jogos, todos do Flamengo. Mesmo assim, quase 50 mil pessoas foram ao local, gerando uma bonificação de R$ 270.610. Único dos palcos que é privatizado, a Arena das Dunas, necessariamente, busca soluções em eventos culturais ou até mesmo em outros torneios de futebol, como estadual, Série B (principalmente quando ABC era representante), e jogos da seleção brasileira, tanto masculina quanto feminina.



Fonte: GloboEsporte.com