Com experiência na NBA, Alex Evangelista faz 'trintões' do Vasco renderem

Domingo, 08/05/2016 - 13:25
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A equipe vascaína que venceu a primeira partida da decisão do carioca tem uma média de idade de 31 anos. São jogadores rodados que tem jogado constantemente e se mantido longe das lesões. E o que tem ajudado os trintões vascaínos a se manterem a disposição de Jorginho é o trabalho preventivo realizado por Alex Evangelista. Ele é fisioterapeuta e fisiologista, mas quem quiser falar com ele em São Januário deve procurar pelo gerente científico. Com experiência tratando de grandes figuras do esporte como Kobe Bryant, Stephen Curry, Ronda Rousey e Novak Djokovic, ele tem trazido para o clube cruzmaltino toda sua experiência internacional.

A joia da coroa é o craque Nenê, que aos 34 anos percorreu 13,55 Km e deu 32 arrancadas no clássico. E não é que esse time corra muito apenas, os veteranos também não tem se lesionado. É o projeto “lesão zero” se tornando realidade.

- Eu estou vivendo uma utopia. Nesse momento eu estou com o departamento médico zerado, a gente hoje não tem lesão. Nós acreditamos que o projeto lesão zero está indo para caminho certo. É nossa obrigação dar ao atleta segurança ao trabalho. O gerente científico tem uma missão árdua, que é tentar fazer as áreas se comunicarem. O dentista tem que falar com o médico, o médico com o fisioterapeuta, o fisioterapeuta com o nutricionista, o nutricionista com o psicólogo, e o psicólogo com o preparador físico.

Os 24 jogos de invencibilidade já duram seis meses. A reportagem do Esporte Espetacular visitou o CAPRRES (Centro avançado de prevenção, reabilitação e rendimento esportivo) onde Evangelista combina os fatores para resolver uma das equações mais complicadas do futebol de alto nível: correr mais e se machucar menos. Neste centro a ênfase é na prevenção. Ele usa, por exemplo, uma câmera termográfica para fazer avaliações antes dos treinos e às vezes revela a fadiga que pode virar lesão. Evangelista mostra um exemplo de um jogador para explicar como funciona.

- Esse é um atleta que apresenta um processo inflamatório numa coxa. Então a gente normalmente solicita ao treinador que ele saia do treinamento por que ele é um provável jogador a se lesionar.

Além disso, é possível estudar a pisada dos jogadores e até mesmo qual a palmilha ideal para a chuteira de cada um.

- Esse jogador aqui tem um desnível na cintura pélvica, ou seja, na bacia. Aqui eu consigo descobrir qual é a largura do passo durante a corrida, quanto tempo o pé fica em contato com o solo. O Vasco teve a iniciativa de utilizar uma avaliação inédita, que se usa muito na NBA.

Boa parte do que Alex Evangelista aplica no Vasco ele trouxe dos Estados Unidos. Em 2013, o ala-armador Leandrinho sofreu uma gravíssima lesão no joelho. Com Evangelista, a recuperação durou seis meses, um terço do previsto. E a fama do cientista se espalhou. No seu portfólio de pacientes brilham as estrelas do basquete americano Kobe Bryant e Stephen Curry, a lutadora de MMA Ronda Rousey, e o craque do tênis Novak Djokovic. Com esse currículo ele conseguiu convencer o clube a investir ainda mais no Centro, que tem ciência até na tinta da pintura externa.

- A pintura de polímero de cerâmica, que é uma pintura de foguete da NASA, para suportar a transferência de atmosfera. Fica muito quente o foguete, então ela repele até 90% cento da temperatura e do calor.

A obra deve ficar pronta até o fim deste mês. Por enquanto, é festejar as conquistas. O time veterano teve apenas uma lesão muscular no ano, do atacante Riascos, em fevereiro. E chega à finalíssima com a confiança de uma boa preparação física. Jorginho explica a importância do CAPRRES e do trabalho de Evangelista.

- Às vezes, a minha opinião, minha colocação, minha necessidade, nem sempre é atendida. Sou um cara democrático e abro mão pro CAPRRES de poder segurar um jogador ou outro. Às vezes até preciso do jogador, mas acredito que esse trabalho em equipe tem feito com que esses jogadores cheguem bem, estão bem. São jogadores de 34, 35 anos correndo como jovens – explica o treinador.

Na bola e no talento, e também na pisada correta, na checagem da condição dos músculos, na permanente investigação do organismo dos jogadores, o Vasco está a um empate do título. Com bom futebol, ciência e alguns trintões sarados.




Fonte: GloboEsporte.com