Sobre o histórico gol dos 3 lençóis, Vivinho dizia: 'Não tive a intenção de humilhar ninguém'

Segunda-feira, 14/09/2015 - 09:39
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Morreu na manhã deste domingo, o ex-jogador Vivinho, aos 54 anos. Em casa, ele passou mal, teve um desmaio e foi levado ao hospital mas não resistiu. Ainda não se sabe ao certo a causa da morte, mas Vivinho havia tido um trauma na rosto há duas semanas, em um torneio de Masters, no estado do Pará. No lance, ele se chocou com o goleiro adversário e teve um afundamento na face e fratura do nariz. A família ainda não deu notícias sobre o enterro do ex-craque do Vasco.

Relembre o bate-papo de Vivinho com a coluna "Por onde anda", de Márcia Vieira, em julho de 2013.

A palavra de Vivinho

Se houver uma eleição dos gols mais bonitos da história de São Januário, será difícil não votar na obra-prima criada por Vivinho. No Campeonato Brasileiro de 1988, o vascaíno aplicou três lençóis desmoralizantes no volante Capitão, da Portuguesa, chutou de primeira e marcou um gol antológico, com direito até a placa. Vinte e quatro anos depois, o lance é lembrado com orgulho pelo ex-jogador, que mudou completamente seus hábitos e há seis anos é pastor da Igreja Nova Vida, em Higienópolis.

“Foi um gol fantástico, mas circunstancial. Só tentei achar o espaço para chutar. Não tive a intenção de humilhar ninguém”, diz, com modéstia, o ex-atacante.

O golaço, à moda Pelé, abriu caminho para a seleção brasileira, foi convocado quatro vezes em 1989, e despertou a atenção de vários clubes do país.

Além de uma grande passagem pelo Vasco, onde foi campeão brasileiro em 1989 e bicampeão carioca em 1987 e 1988, Vivinho também se destacou no Botafogo. Em 1992, fez parte do grupo que foi vice-campeão brasileiro ao perder a decisão para o Flamengo.

No ano seguinte, se transferiu para o Atlético-PR e depois para o Goiás. Pendurou as chuteiras em 1997, na Cabofriense. Uma carreira surpreendente para quem começou a jogar profissionalmente aos 22 anos. “Antes, nunca havia usado uma chuteira. Só jogava em campinhos de várzea do meu bairro”, lembra.

Tudo mudou após ser aprovado em um teste no Uberlândia. A velocidade e os gols chamaram a atenção do Vasco, que o contratou em 1986. “Joel Santana queria que eu substituísse o Geovani, que ficou revoltado e abandonou o vestiário durante a preleção”, relembra. “Eu sabia que tinha que arrebentar naquele jogo, mas os jogadores não gostaram da mudança e não me passavam a bola. Só tive duas chances o jogo todo e fiz dois gols nos 3 a 1 no Ceará”.

Mas a grande virada viria em 1989, quando ele se converteu após reunião de Atletas de Cristo, na casa do colega e então jogador Bismarck.

Franzino, mas quase tão veloz quanto Bolt

Para vencer no futebol, o atacante Vivinho teve que superar a grande desconfiança em relação ao seu porte físico. Pequeno e franzino demais, ele foi dispensado até do Exército.

“Eu era pequeno e magro demais. Tinha o olho fundo, era horrível e isso me atrapalhou. Voltei do Exército arrasado e ainda tive que ouvir de um oficial que não era dia de Cosme e Damião”, gargalha o ex-jogador.

Em compensação, Vivinho tinha uma velocidade que impressionava até mesmo os companheiros nos treinos.

“No treinamento de 100m nem Romário nem Mauricinho me batiam. Eu fazia beirando os 11 segundos. O (auxiliar) Silveira falava que eu devia ter entrado para a equipe de atletismo”, relembra.

Competições de sexo antes da depressão

Antes de abraçar a vida religiosa, Vivinho aprontou. Orgias impublicáveis e até pensamentos suicidas fizeram parte de sua vida pregressa. Histórias que o pastor Welves Dias Marcelino não se envergonha de revelar.

“Tinha suruba com sete mulheres e aposta de quem fazia mais sexo entre os jogadores. O Mauricinho (ex-jogador) fotografava e depois pregava as fotos em um mural do vestiário”, revela Vivinho, que também fugia da concentração. “Pulava de uma varanda a outra do 16º andar do Hotel Barra Beach, para escapar. Se caísse, não sobrava nada”.

Mas, com o tempo, as farras deram lugar à depressão: “Várias vezes pensei em pular da minha cobertura. Tinha um vazio enorme até encontrar Deus”.



Fonte: O Dia