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Nelson Rocha fala sobre a reformulação do Clube dos 13


Quinta-feira, 08/12/2011 - 11:30

Cortar gastos foi a solução encontrada para que o Clube dos 13 continue. Na assembleia de terça-feira, foi selado acordo no qual o próximo presidente do C13 não receberá salários. Fábio Koff, atual presidente, receberá seus R$ 70 mil mensais normalmente até março, quando deixará a entidade. Com as futuras receitas do C13 limitadas até o último mês do mandato de Koff, os clubes concordaram em socorrer a entidade.

Os associados pagarão mensalidade de acordo com a participação nos contratos de TV. Os valores vão variar de R$ 3 a R$ 7 mil mensais. A permanência de Koff até lá dará tempo para que os clubes quitem ou renegociem os empréstimos contraídos tendo o C13 como intermediário e Koff e Fernando Carvalho - ex-presidente do Inter - como avalistas. A dívida total dos clubes chega a R$ 54 milhões.

Depois de retirados o C13 e avalistas como figuras jurídicas da dívida, uma nova diretoria será escolhida. As regras desta eleição serão definidas pela Comissão Estatutária formada anteontem, que também terá a missão de criar novas diretrizes.

O orçamento do C13 para o ano que vem é de R$ 240 mil. Esse dinheiro virá da Caixa Econômica, por causa dos títulos de capitalização com a marca dos clubes. O valor não será suficiente para o cobrir os gastos de manutenção, de R$ 1,2 milhão.

Gastos mínimos na pauta

Para se encaixar na nova realidade, o Clube dos 13 teve que fazer uma limpa nos seus gastos. Sem o dinheiro da televisão, que recebia por ser o intermediário do contrato de cessão do Campeonato Brasileiro com a Rede Globo, a entidade demitiu funcionários e fechou sua sede em Porto Alegre.

A decisão foi tomada após o levantamento da Comissão de Finanças formada pelos associados, que estabeleceu a meta de reduzir de R$ 7 milhões o custo de operação do C13 para R$ 2 milhões. Este custo caiu para R$ 1,2 milhões/ano, com a decisão de não mais remunerar o presidente.

Para 2012, a sede de São Paulo será mantida, mas apenas um funcionário tomará conta do local. Os executivos terceirizados também tiveram seus honorários cortados - caso de Paulo Samuel, diretor financeiro, e Celso Rodrigues, diretor jurídico. O serviço de assessoria de imprensa foi igualmente reduzido.

Bate-Bola

Nelson Rocha

Vice de finanças e 2 vice-geral do Vasco, presente à assembleia

Além da questão financeira, o que motivou os clubes a manterem o Clube dos 13?


O desrespeito da CBF com os clubes. Ela tem que aprender a respeitar quem paga a conta. Acho uma sacanagem o que a CBF fez, de não consultar ninguém sobre o formato da Copa do Brasil. O presidente Ricardo Teixeira tem uma postura imperial, decide as coisas sem ouvir ninguém. Não podemos mais ser surpreendidos pelas decisões arbitrárias da CBF, temos que manter um fórum comum dos clubes.

O C13 quase acabou depois da negociação dos direitos de tevê. Como manter os clubes com o mesmo objetivo agora?

A negociação de tevê é passado, o C13 não vai mexer mais com isso. O que vemos é um mercado de futebol efervescente, os clubes se profissionalizando e a CBF se "desprofissionalizando". Isso não pode continuar assim.

Quando o C13 estará pronto?

Acredito que até junho saberemos exatamente qual será nosso encaminhamento.

Fonte: Lancenet