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| NETVASCO - 18/10/2006 - 08:34 - Nasa, campeão pelo Vasco, não quer mais saber de futebol Durante 19 anos, o volante Nasa foi o 'cão de guarda' das defesas nas equipes em que atuou. Atualmente, o vigoroso ex-jogador comanda uma academia de ginástica, em Juazeiro do Norte, no Ceará. Em entrevista ao Pelé.Net, o atleta, que ganhou notoriedade em sua passagem pelo Vasco, de 1997 a 2001, revela ainda que administra cerca de 70 imóveis espalhados pela região Nordeste do país. "Comprei minha primeira casinha em 1997, em Madureira. Fui gostando do negócio e fui comprando", afirma Gesiel José de Lima, nome verdadeiro do agora empresário. "Minha rota é Fortaleza, Recife e Juazeiro", continua. Nasa encerrou sua carreira justamente no Madureira, após o Estadual do Rio de 2005. ![]() PALCO DE TRAGÉDIA E GLÓRIA O estádio Nacional de Tóquio não traz apenas más recordações para Nasa. Depois que deixou o Vasco, o ex-volante se aventurou pelo futebol japonês, atuando no Yokohama FC Marinos. Justamente em sua primeira temporada pelo clube (2001-2002), Nasa conseguiu desfazer a imagem ruim que tinha do estádio na memória. "O mundo dá muitas voltas. Em 2002, fui campeão japonês naquele mesmo estádio pelo Yokohama", diz. Aliás, a academia de ginástica que comanda tem o nome que o consagrou no futebol brasileiro: Nasa Global Fitness. "Na academia, as pessoas me reconhecem mais pela minha passagem pelo Vasco", diz. O ex-atleta lembra que, durante sua carreira, conseguiu acumular dinheiro suficiente para sustentar seus familiares por um bom tempo. "Deixei o futebol porque já tinha minha estabilidade na vida", explica. Ao contrário da maioria dos boleiros, Nasa descarta se aventurar no futebol como dirigente ou treinador e cita momentos de sua época de atleta para fundamentar sua decisão. "Quem convive no futebol, passando por times pequenos e grandes, sabe o que um jogador tem que suportar, a cobrança é constante". No entanto, as lembranças dos tempos de gramado o fazem sentir falta das preleções e concentrações: "Nunca vou deixar de ter saudade. Mas, trabalhei 19 anos no futebol, já havia um desgaste". Na época em que defendeu no Gigante da Colina, Nasa conquistou suas maiores glórias. Entre os títulos estão o do Campeonato Brasileiro de 1997, o da Copa João Havelange de 2000 e o da Libertadores da América em 1998. O ex-volante conviveu com craques consagrados do futebol brasileiro, como Edmundo e Romário. Apesar da personalidade forte destes atletas, Nasa descarta qualquer tipo de problema de relacionamento no dia-a-dia. "Cada um tinha sua própria vida, seus próprios ideais, se respeitavam tanto dentro como fora de campo. Para se conquistar alguma coisa no futebol, a pessoa tem que ter uma boa índole", afirma. "FAÇA O QUE DIGO E NÃO O QUE FAÇO" Pai de duas filhas, Karoline e Kaline, Nasa afirmou durante todo o tempo que não voltaria a trabalhar com futebol por este ser um meio repleto de pessoas de índole duvidosa. No entanto, em dado momento, o ex-atleta traiu-se e confirmou que se tivesse filhos homens interessados em seguir a mesma carreira do pai, não faria oposição à escolha. "Eu deixaria eles jogarem futebol. A escolha seria deles, eu não poderia ficar contra a vontade dos meus filhos", afirma. Do episódio que marcou negativamente sua carreira, o ex-jogador lembra com alegria e bom humor. Durante a final do Mundial Interclubes, no dia 1º de dezembro de 1998, o volante marcou de cabeça - contra - o gol que abriu a vitória por 2 a 1 do Real Madrid sobre o Vasco, no estádio nacional de Tóquio, no Japão. "Tenho boas lembranças daquela decisão. Quando lembram daquele lance [do gol contra], eu digo: 'a bola não bateu na minha cabeça, foi o Roberto Carlos que chutou'", brinca. Na jogada, o lateral brasileiro cruzou para a área vascaína e Nasa acertou uma cabeçada sem chances para Carlos Germano. "Claro que se tivesse sido campeão, a história seria outra, mas tinha que acontecer. Já aconteceu com Zico, Baggio, Toninho Cerezo. É uma coisa natural, faz parte do futebol. Só acontece quando você está lá dentro", se exime. Aliás, o ex-atleta afirma que nenhum de seus companheiros o culpou pelo fatídico lance. "Ninguém me culpou pela derrota. Nunca me falaram nada, nem mesmo o Eurico. Todos sabiam da minha condição, da minha luta dentro de campo", diz. Nasa 'solta o verbo' e dispara contra empresários e dirigentes Contudo, quando a conversa toma o rumo restrito aos bastidores do futebol, as boas recordações são deixadas de lado e Nasa mostra toda sua indignação com os que regem o rumo do esporte. CLUBES 'QUEBRADOS' E PROCESSO A atual situação financeira dos clubes brasileiros também é alvo das críticas de Nasa. "Nós temos jogadores com muita capacidade, mas hoje em dia o clube finge que paga e o jogador finge que joga. Ou você tem organização nos clubes grandes e paga os atletas em dia para trabalhar, ou as coisas não dão certo", alerta. Um dos exemplos que o ex-jogador cita é justamente o Vasco. De acordo com Nasa, os dirigentes do clube - leia-se Eurico Miranda - sempre o trataram da melhor maneira. Apesar disso, o agora administrador lembra que aciona judicialmente o clube de São Januário cobrando salários atrasados. E não é o único. "Eu sou um dos jogadores que está na justiça contra o Vasco. Aliás, da última vez que eu vi, tinha na faixa de 300 e poucos jogadores com processo contra o clube", confessa. "Não penso em voltar ao futebol por tudo que passei. Aqueles dirigentes, Kléber Leite, Eurico Miranda, Caixa D'água, é tudo uma máfia. Eu já bati de frente com eles como jogador, não quero bater como técnico", dispara, dizendo que perdeu a vontade até de acompanhar os campeonatos. Contudo, não são apenas os dirigentes que figuram em sua lista de desafetos. Sem citar nomes, Nasa faz graves acusações a alguns atletas com os quais teve contato durante o período em que esteve em campo. "Já vi muitos jogadores que, depois que passavam a caneta e assinavam contrato, não queriam mais nada com o clube", lembra. "Futebol não é mais jogado por amor. Hoje em dia é apenas uma fonte de renda, está todo mundo atrás de dinheiro", continua. Para Nasa, a entrada maciça dos empresários no meio esportivo fez com que o futebol perdesse seu significado para os atletas das categorias de base. "O problema não está só nos jogadores, mas principalmente nos empresários. Existem muitos empresários corruptos, que enganam os pais dos jogadores mais jovens", afirma. "Quando o jogador vai subir [de categoria], o empresário coloca na cabeça da criança: 'você vai ganhar dinheiro'", diz o ex-jogador. Fonte: Pele.net |
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