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NETVASCO - 01/10/2006 - 00:14 - Conheça melhor o processo eleitoral do Vasco

Os ventos democráticos que varrem o país desde 1989, quando depois de 25 anos de ditadura militar o povo foi às urnas para eleger o novo presidente da nação, ainda não alcançaram São Januário.

No dia 13 de novembro tem eleição no clube, mas o processo ainda guarda ranço antidemocrático. Diferentemente do que acontece no Brasil, o presidente da nação vascaína é eleito de forma indireta, por intermédio de colégio eleitoral.

O artigo 58 do estatuto do clube define que a eleição deve ocorrer a cada três anos. Mas ela não elege o presidente vascaíno: apenas o presidente e o vice da Assembléia Geral são escolhidos. Além disso, no dia 13 de novembro, serão eleitos também a metade dos 300 membros do conselho deliberativo, já que a outra parte é formada por membros natos (grandes beneméritos e beneméritos).

Votam nessa eleição os membros de honra, grandes beneméritos, beneméritos, eméritos, campeões, proprietários, sócio remidos, patrimoniais, gerais, aspirantes e atletas. A chapa vencedora terá direito a eleger 120 dos novos 150 membros do Conselho deliberativo e a perdedora, 30.

O presidente do Vasco só será eleito, de forma indireta, na segunda quinzena de janeiro, quando os novos 150 membros do conselho deliberativo tomarão posse, unindo-se aos outros 150 natos. Nesse dia, segundo o artigo 76 do estatuto, os 300 membros do conselho elegem, nessa ordem, o presidente, o vice-presidente, o primeiro e o segundo secretários do conselho deliberativo. Em seguida é eleito o presidente do clube e seus dois vice.

Atual presidente, Eurico Miranda encabeça a chapa da situação para a presidência do clube, que tem José Pinto Cabral como candidato à presidência da Assembléia Geral.

Do outro lado estão o ex-jogador Roberto Dinamite, para a presidência do clube, e Olavo Monteiro de Carvalho para a da Assembléia.

Oposição reclama de lista

0 Coordenador da campanha de Roberto Dinamite, candidato da oposição, José Henrique Coelho disse que não é contra o formato eleitoral do estatuto do Vasco, mas sim como o processo é administrado.

- A administração do processo é confusa. Entramos em abril com pedido da exibição da lista de sócios aptos a votar e até hoje não a recebemos - reclamou.

Coelho disse que o estatuto prevê que a lista esteja disponível pelo menos 60 dias antes da divulgação da data da eleição: - Chegamos a pedir o adiamento da eleição por esse motivo, mas o estatuto não prevê punição. Faz parte do nosso projeto limitar a reeleição para uma vez.

Dinamite e Eurico podem não levar

O processo eleitoral no Vasco é tão confuso que Eurico Miranda e Roberto Dinamite podem não ser os indicados para disputar a eleição para presidente. Na reunião do Conselho Deliberativo, marcada para a segunda quinzena de janeiro, que definirá o nome do comandante do clube, tanto os situacionistas, que apóiam Eurico, quanto os oposicionistas, que defendem Dinamite, podem apresentar outros nomes para a disputa.

Até hoje, no entanto, não se tem notícia de que tal fato tenha ocorrido, mas o certo é que o estatuto do clube permite que tamanha bizarrice ocorra, para surpresa dos vascaínos desavisados.

Segundo diversos associados, das duas posições políticas que concorrem à presidência, o estatuto do Vasco, cuja última atualização foi feita em julho de 1979, está defasado em relação à Constituição Federal, de 1988, e ao novo Código Civil Brasileiro, de 2004.

O festival de bizarrices que assola o processo sucessório no Vasco não pára por aí. Segundo o LANCE! apurou, pode acontecer de a chapa vencedora da eleição para a Assembléia Geral não levar a presidência do clube. Para isso, basta que os vencedores da eleição de novembro não consigam a maioria na reunião de posse do novo Conselho Deliberativo do clube.

Fonte: Lance




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