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| NETVASCO - 08/02/2006 - 11:49 - Alcir Portella fala de Carnaval e do Vasco Demitido em abril do ano passado após 43 anos de Vasco -sendo 17 como jogador-, Alcir Portella ainda busca uma explicação para o fato. A notícia, que o pegou de surpresa há pouco menos de um ano, ainda não foi bem digerida pelo treinador. Mas, aos poucos, a dor vai sendo cicatrizada com a ajuda de um importante aliado: o Carnaval. Mais precisamente a Imperatriz Leopoldinense, uma das escolas de samba mais tradicionais do Rio de Janeiro. Amigo de infância de Luisinho Drumond -patrono da agremiação-, Alcir é o diretor de harmonia da escola. "O Luisinho me disse que queria uma comissão de frente só com jogador negro. Então eu chamei o Jairzinho, o Denílson, o René, e formamos a comissão da Imperatriz. Mas eu disse pro Luisinho que achava aquilo de apenas saudar o público muito chato e ele nos deu liberdade para inovar", contou Alcir. "Então passamos a sambar e a fazer coreografias. Aquilo levantou o pessoal nas arquibancadas e fomos Estandarte de Ouro em 1983. Depois disso, todo mundo passou a copiar e hoje em dia vemos tudo muito profissional, com bailarinos, coreógrafos", completou. "Conheço o Luisinho há uns 40 anos e desde 1978 desfilo pela Imperatriz. Sempre ajudei no Carnaval lá, mas agora, longe do Vasco, eu precisava ocupar o meu tempo e a minha cabeça. Não dava para ficar vindo à praia todo dia e ficar sentado olhando o mar", disse Alcir Portella, 61 anos e morador do bairro do Leme, na zona sul do Rio de Janeiro. Na escola, a responsabilidade do treinador é grande. Com o cargo de diretor de harmonia, Alcir comanda o recuo da bateria durante o desfile, hora mais crítica e que, se mal executada, costuma tirar vários pontos das escolas. "Ali é bem complicado. A bateria tem de recuar e as alas que vêm atrás não podem deixar buraco. Se não der certo, perdemos pontos em harmonia, evolução e conjunto", explicou Alcir, que considera a Imperatriz favorita ao título do Carnaval deste ano, mas aponta as principais concorrentes. "Nós vamos fazer um belo desfile e vamos fortes, mas a Beija-Flor também é sempre forte. E tem também a Unidos da Tijuca, que está evoluindo a cada ano". Contudo, a empolgação de Alcir Portella dá lugar à tristeza quando o assunto é Vasco. Não que o capitão do título brasileiro de 1974 guarde mágoa da instituição. Mas, até hoje, o treinador não encontrou uma explicação para a sua saída. "Não sei porque aconteceu isso. Falaram que iriam fazer uma mudança e me mandaram embora, mas não me explicaram até hoje o motivo", disse Alcir, que como jogador entrou em campo 508 vezes pelo clube, sendo o terceiro atleta que mais vestiu a camisa do Vasco. Aborrecido, não restou outra alternativa a não ser entrar na Justiça. "Minha única saída foi procurar a Justiça do Trabalho para receber o que tinha por direito", contou. "A minha relação com o Eurico [Miranda, presidente do Vasco] sempre foi ótima, era de irmão mesmo, ele sempre me consultava em relação a tudo. Quando ele tinha algum problema, ele chamava eu, o Clóvis [Munhoz, ex-médico do clube e que foi demitido um pouco antes de Alcir] para almoçar e resolvíamos os problemas. Não consigo entender o que aconteceu", completou Alcir. Com mais de quatro décadas de serviços prestados ao clube, como jogador, treinador, auxiliar e supervisor, Alcir sabe que ficou marcado como símbolo do Vasco e que isso o atrapalha na hora de ser convidado por outra equipe. Desde então, não conseguiu mais voltar ao futebol. Segundo o técnico, propostas existiram, mais nada que financeiramente o agradasse. Agora, espera um convite oficial do futebol japonês para ser auxiliar do amigo e treinador Joel Santana. "Meu negócio é a bola. É isso o que eu sei fazer e essa é a minha praia. Quero voltar ao futebol e o Joel está querendo me levar para o Japão. Vamos ver se vai acontecer isso mesmo", disse Alcir Portella. ESTANDARTE DE OURO A vida no Carnaval carioca não é nenhuma novidade para Alcir Portella. Mas, o que muitos não sabem, é que o ex-zagueiro foi um dos responsáveis por revolucionar as comissões de frente, que até o início da década de 1980 só desfilavam saudando o público, sem coreografia alguma. FILHA LARGOU A CARREIRA A saída de Alcir Portella do Vasco foi mais dolorosa para a família dele do que se possa imaginar. No clube, sua filha Nathália, então com 16 anos, era campeã brasileira juvenil de ginástica olímpica e também deixou São Januário depois que seu pai saiu. "Ela não foi mandada embora, mas não teria mais clima para continuar lá. Ela estava acostumada a ir comigo todos os dias para o Vasco e, quando saí de lá, fiquei desprestigiado e marcado. Isso refletiu nela e ela quis sair", disse Alcir. FICHA TÉCNICA Nome: Alcir Pinto Portella Prates Data de nascimento: 09/05/1944 Local de Nascimento: Rio de Janeiro (RJ) Clubes - Vasco (1963-1975) - Vasco (1975-2005), como técnico, auxiliar e supervisor Títulos como jogador - Rio-São Paulo (1966) - Estadual do Rio (1970) - Brasileiro (1974) Fonte: Pelé.Net |
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