Ex-diretora Bianca Reis validou crédito do ex-lateral Max na recuperação judicial do Vasco
Segunda-feira, 14/09/2026 - 18:19
Gustavo Tutinha @gustavotutinha
🚨 EXCLUSIVO: CASO MAX — QUEM VALIDOU O CRÉDITO DE QUASE R$ 8 MILHÕES? 🚨

Novos documentos e depoimentos obtidos pela reportagem colocam a atuação da então diretora Jurídica e de Compliance da Vasco SAF, Bianca Reis, no centro de questionamentos sobre o crédito do ex-jogador Max na Recuperação Judicial.

Em julho de 2025, Club de Regatas Vasco da Gama e Vasco SAF apresentaram uma manifestação formal concordando parcialmente com a habilitação do ex-atleta.

Max pleiteava inicialmente R$ 9.741.812,61. Após excluir valores referentes à contribuição previdenciária e ao IRPF, a manifestação afirma que, "elaborando-se o cálculo dos valores exclusivamente devidos ao Habilitante", chegou-se a R$ 7.928.522,32.

Ao final, Vasco e SAF pediram expressamente à Administração Judicial a inclusão dos R$ 7,928 milhões na Classe I da relação de credores.

Pela Vasco SAF, o documento foi assinado pela então diretora Jurídica e de Compliance Bianca Reis e pelo então CEO Carlos Amodeo.

🔎 O QUE BIANCA DISSE À POLÍCIA

Em depoimento à Polícia Civil, Bianca afirmou que a análise dos créditos submetidos à Recuperação Judicial era responsabilidade do setor Financeiro da Vasco SAF em conjunto com a Alvarez & Marsal.

Segundo a ex-diretora, a conferência, validação e aprovação dos créditos também cabiam ao Financeiro e à assessoria financeira contratada. Ao Jurídico, de acordo com seu relato, caberia prestar esclarecimentos técnicos quando provocado.

A questão ganha relevância porque Bianca, como diretora Jurídica e de Compliance, assinou em nome da SAF a manifestação que apontava R$ 7.928.522,32 como valor devido a Max e solicitava sua inclusão na Recuperação Judicial.

📌 CFO DIZ QUE NÃO VALIDOU O VALOR

O depoimento do CFO Gabriel Souza acrescenta outro elemento.

Gabriel, executivo da Alvarez & Marsal que assumiu a função de diretor financeiro da Vasco SAF, declarou que não validou a planilha apresentada quando houve tentativa de negociação do crédito no primeiro semestre de 2025.

Segundo seu relato, após consulta ao escritório trabalhista do CRVG, IDESES, recebeu a informação de que a ação de Max ainda estava em fase de conhecimento.

Apesar disso, o próprio CFO reconheceu que posteriormente houve concordância institucional:

> "equivocadamente, tanto o CRVG quanto a SAF concordaram com os valores apresentados, correspondente a aproximadamente oito milhões de reais".

⚠️ DIVERGÊNCIA SÓ É IDENTIFICADA EM 2026

Segundo Gabriel, somente em abril de 2026, durante o fechamento contábil do CRVG, o setor Financeiro do clube identificou a divergência no crédito anteriormente habilitado por aproximadamente R$ 8 milhões.

O CFO cita Carlos Magno como um dos responsáveis pelo Financeiro do CRVG naquele período. É nessa revisão que aparece um novo cálculo apontando aproximadamente R$ 2,5 milhões como valor incontroverso.

A partir daí, segundo Gabriel, ele e a Alvarez & Marsal identificaram o erro decorrente da concordância anterior e constataram que o crédito era ilíquido.

❓ JOGO DE EMPURRA E UMA PERGUNTA CENTRAL

Os depoimentos revelam versões que deixam uma lacuna sobre a responsabilidade pela validação.

Bianca Reis afirma que conferência, validação e aprovação cabiam ao Financeiro da SAF e à Alvarez & Marsal. Gabriel Souza, CFO da SAF, afirma que não validou o valor.

Apesar disso, existe um documento assinado pela própria diretora Jurídica e de Compliance, juntamente com o CEO da SAF, concordando formalmente com R$ 7.928.522,32 e pedindo sua inclusão na Recuperação Judicial.

A pergunta central é:

Se o Financeiro da SAF não havia validado o valor, por que Bianca Reis, na condição de diretora Jurídica e de Compliance, assinou uma manifestação concordando com um crédito de quase R$ 8 milhões?

E mais: qual análise ou validação interna serviu de fundamento para que a Vasco SAF apresentasse formalmente esse valor à Administração Judicial?

Até o momento, os depoimentos analisados não esclarecem quem efetivamente validou o cálculo antes da concordância formal de CRVG e Vasco SAF.

A reportagem procurou o ex-CEO da Vasco SAF Carlos Amodeo, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.

Apuração com meu parceiro @Pieronigabriel_



Fonte: X do jornalista Gustavo Cunha/Colina 1927