Veja mensagens que indicam ligação de David com investigação; atacante nega envolvimento
Quinta-feira, 03/09/2026 - 13:07
O conteúdo de mensagens encontradas pela Polícia Civil do Espírito Santo passou a ser um dos principais elementos da investigação que colocou o atacante David Corrêa, do Vasco, entre os alvos da Operação "A Tropa". Segundo o delegado Rodrigo Sandi Mori, chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, três diálogos analisados pelos investigadores levantaram suspeitas sobre uma possível relação do jogador com integrantes do grupo investigado.

A operação foi deflagrada na segunda-feira e apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, tráfico de armas e lavagem de dinheiro. David foi alvo de um mandado de busca e apreensão no Rio de Janeiro. O também capixaba Hayner William Monjardim Cordeiro, jogador do Vila Nova, foi outro atleta alvo da ação.

De acordo com a Polícia Civil, as conversas foram encontradas a partir da análise de um celular apreendido durante a investigação de uma tentativa de homicídio na Serra. Os investigadores passaram a cruzar informações e identificar possíveis conexões entre pessoas citadas no conteúdo do aparelho.

Entre os diálogos destacados pelo delegado está uma conversa na qual Júnior repassa a David informações sobre uma vítima de tentativa de homicídio. Segundo Sandi Mori, o interlocutor fala sobre a motivação apontada para o ataque e também sobre o estado de saúde da vítima. Na sequência, a resposta atribuída ao jogador foi: "mereceu tomar uns tiros mesmo".



Em outro diálogo, Júnior teria enviado a David uma fotografia de uma pistola. A Polícia Civil afirma que, em resposta à imagem, o investigado escreveu: "tem que matar um para ver de qual é".

O terceiro diálogo citado pelos investigadores envolve a negociação de um veículo. Segundo o delegado, Juan pediu a Júnior que intermediasse uma conversa com David para conseguir dinheiro emprestado e trocar um Fiat Argo. Conforme a investigação, o carro seria o mesmo utilizado em uma tentativa de homicídio e estaria "queimado", expressão usada pelos envolvidos para indicar que o veículo teria ficado comprometido após ser utilizado no crime.

"No primeiro diálogo, o Júnior presta informações da vítima para o investigado, falando o motivo pelo qual a vítima teria sofrido o ataque e também dando informações sobre o estado de saúde da vítima. Eis que o investigado no diálogo diz, "mereceu tomar uns tiros mesmo""
— Rodrigo Sandi Mori, delegado-chefe da DHPP da Serra

Ao explicar por que as conversas passaram a ser consideradas relevantes para a investigação, o delegado afirmou que o conteúdo levantou a hipótese de que David pudesse ter relação com o financiamento do tráfico de drogas na região.

— Esses fatos chamaram a nossa atenção para um possível financiamento do tráfico de drogas do bairro Serra Dourada 3 pelo investigado — afirmou Sandi Mori.

A Polícia Civil chegou às conversas após aprofundar a análise do celular apreendido no caso de tentativa de homicídio. A partir do material, os investigadores identificaram diálogos e possíveis conexões entre os envolvidos, incluindo os jogadores que se tornaram alvos da Operação "A Tropa".

David nega envolvimento

David Corrêa prestou depoimento após ser alvo da operação. Segundo informações divulgadas depois da ação, o jogador admitiu conhecer pessoas ligadas à investigação, mas negou qualquer envolvimento com tráfico de drogas ou armas. O empresário André Cury também afirmou que David não tem qualquer ligação com o crime organizado.

A investigação tramita sob segredo de Justiça. Até o momento, David é investigado e foi alvo de mandado de busca e apreensão, e não de prisão.

Fonte: ge