Marlon Gomes, sobre o Vasco: 'Sinto muita saudade. Saudade do dia a dia daquele grupo, do clube e da torcida'
Sexta-feira, 07/08/2026 - 12:54
Cria do Vasco, Marlon Gomes deixou o clube carioca há pouco mais de dois anos para defender o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. Por lá, teve que lidar com um cenário que jamais tinha convivido antes: a guerra.
Antes de acertar a mudança para o futebol ucraniano, o meio-campista admitiu que teve dúvidas por conta da situação no país. A decisão, porém, mudou após uma conversa com Alex Teixeira, um dos brasileiros mais marcantes da história do Shakhtar e com quem jogou no Cruzmaltino.
Desde a invasão russa ao país, em 2022, a equipe de Donetsk precisou deixar sua cidade de origem, passou a mandar seus jogos longe de casa e convive com uma rotina de constantes deslocamentos.
"Eu lembro que era Ano-Novo. Eu estava em Mangaratiba, no dia 31, e quem me liga é o Alex Teixeira, que jogou aqui e é um paizão para mim. Ele e o Nenê, quando eu e o Andrey (Santos) subimos para o profissional, abraçaram muito a gente. Temos uma amizade muito legal até hoje. O Alex me ligou e falou que um diretor do Shakhtar, que era amigo dele, tinha procurado informações sobre mim, sobre quem era o Marlon Gomes como atleta e como eu era internamente dentro do clube'', disse em entrevista exclusiva à ESPN.
''De cara, eu falei para ele, porque tenho muita intimidade: 'Pô, Teixeirinha, lá está em guerra. Como é que eu vou me transferir para lá? Não sei nada de lá'. Ele me explicou como era a estrutura do clube, a situação atual, batemos mais um papo e pronto", completou.
Apesar da distância, Marlon Gomes garante que continua acompanhando o Vasco e mantém o desejo de voltar a vestir a camisa que marcou o início da sua carreira.
"Sinto muita saudade. Saudade do dia a dia daquele grupo, do clube e da torcida. Eu sempre fui um torcedor dentro de campo. Tem vídeos meus em que, quando a bola parava, eu estava ali no meio do campo cantando junto com a torcida. Sinto muita falta disso. Toda vez que estou no Rio, minha família, que é toda vascaína, e alguns tios perguntam sobre isso'', declarou.
''Eu sempre respondo a mesma coisa: ainda sou muito jovem, tenho uma carreira pela frente e o sonho de me consolidar aqui na Europa. Mas, lógico, penso em voltar para casa daqui a alguns anos. Não sei quando, nem exatamente em que momento. Mas, quando eu voltar ao Brasil, se Deus quiser, minha prioridade será o Vasco, para que eu possa voltar para casa", detalhou.
Negociado pelo clube carioca por R$ 64 milhões em janeiro de 2024, Marlon esteve perto de trocar a Ucrânia pelo RB Leipzig em 2025. A transferência, porém, não foi concluída, e o jogador permaneceu no futebol ucraniano.
O volante afirma que não se arrepende da decisão, mas admite que o contexto vivido no país influencia quando pensa nos próximos passos da carreira.
"Depois que cheguei aqui, entendi por que tantos brasileiros ficaram tanto tempo no Shakhtar. O clube é muito acolhedor, te trata super bem e oferece toda a estrutura. Antes da guerra, dava para pensar em construir uma carreira longa aqui. Hoje ainda é um clube excelente, mas a guerra torna tudo mais difícil. A gente vive viajando de ônibus, porque não existe tráfego aéreo, e o clube precisou deixar Donetsk. A maior dificuldade não é o Shakhtar, é a guerra. A gente joga na Arena Lviv, que é um estádio muito bom, mas não é a nossa casa'', disse.
No elenco atual, o time de Donetsk possui 13 brasileiros e recentemente atingiu a marca de 50 atletas do Brasil contratados em toda a sua história. O primeiro foi Brandão em 2022 e o mais recente foi Bruninho, do Athletico-PR.
Fonte: ESPN