Quem viu a atuação de Jair contra o Fluminense, sábado, pela partida de ida das oitavas de final da Copa do Brasil, dificilmente imagina que o volante havia somado pouco mais de 60 minutos em campo nos 11 meses anteriores. Depois de enfrentar a segunda grave lesão no joelho em menos de dois anos, o camisa 8 voltou a ser titular do Vasco justamente em um dos momentos mais importantes da temporada.
Jair sofreu a lesão em setembro do ano passado, na partida contra o Sport, pelo Campeonato Brasileiro. O volante rompeu parcialmente o ligamento cruzado anterior e o ligamento colateral medial do joelho direito, além de lesionar os meniscos. Era um cenário ainda mais delicado porque ele havia acabado de retornar de outra longa recuperação: uma ruptura completa do LCA do joelho esquerdo, sofrida no ano anterior.
A nova lesão foi encarada internamente com muita preocupação. Além da gravidade das lesões, havia uma apreensão com o impacto na sequência da carreira do jogador. O trabalho do volante com o Departamento de Saúde e Performance do Vasco foi primordial para a recuperação acima da média do jogador.
O entendimento era de que esse tipo de lesão apresenta um alto índice de atletas que não conseguem retornar ao nível anterior de desempenho — e, em alguns casos, até antecipam o fim da carreira. Aos 31 anos, Jair teria que enfrentar mais um longo período de recuperação física e também um enorme desafio mental. Ele havia ficado muito triste com a lesão em 2025, que veio durante um bom momento, logo depois de gol em clássico contra o Botafogo em jogo válido pela Copa do Brasil.
Mesmo assim, a recuperação foi considerada surpreendente e muito acima da média. O volante cumpriu todas as etapas da reabilitação e voltou aos trabalhos com bola antes mesmo do previsto. O período da pausa para a Copa do Mundo também foi importante para que ele recuperasse ritmo de jogo. Jair participou de amistosos antes de voltar a ser relacionado oficialmente.
O ge apurou que Jair passou por um processo extremamente cuidadoso, até mesmo nas férias. A parte clínica foi considerada o grande diferencial no processo de recuperação. O jogador é visto como um atleta que se cuida muito bem também fora dos gramados, então o processo se tornou ainda mais fácil. Isso impressionou funcionários do Vasco nas duas lesões do volante.
O retorno ganhou ainda mais importância por causa do contexto do elenco. Com a saída de Hugo Moura, o Vasco ficou só com Barros para a função de primeiro volante. A posição já era tratada como prioridade no mercado de transferências e que será reforçada com a contratação de Santiago Sosa, que está a detalhes de ser anunciada.
— Até falei com os jogadores. Há oito meses eu estava na arquibancada, torcendo em um jogo de Copa do Brasil contra o Fluminense. Hoje estar de volta é o que me motiva a ajudar o clube. Feliz por estar jogando. O que me motiva a voltar de duas lesões é poder escrever meu nome na história do clube. Eu acho que a gente só escreve com títulos. O clube e o torcedor merecem isso. É uma das minhsa missões aqui dentro — disse o volante, depois do jogo contra o Fluminense, no sábado.
Jair reapareceu como uma alternativa importante. Além de atuar como primeiro volante, o camisa 8 oferece versatilidade para jogar mais adiantado no meio-campo, disputando espaço com Thiago Mendes, Ramon Rique e Tchê Tchê.
Depois de quase um ano afastado dos gramados, Jair voltou em um momento decisivo da temporada. A boa atuação diante do Fluminense mostrou que o volante pode se tornar um reforço interno para Pedro Emanuel justamente quando o Vasco divide as atenções entre a luta contra o rebaixamento no Brasileirão e os mata-matas da Copa do Brasil e da Sul-Americana.
Fonte: ge