O Vasco busca um retorno ao futebol internacional melhor do que o ocorrido no Brasileirão e tem um contexto favorável para isso. Após a derrota para o Vitória no retorno da pausa da Copa, pela 19ª rodada, o cruz-maltino agora volta suas atenções à Copa Sul-Americana, pois enfrentará nesta quarta-feira o Independiente Medellín, fora de casa, mas em cenário tão ou mais indefinido que o do clube carioca, já que possui técnico recém-chegado, afastamento de sócio, novo elenco a trabalhar e até mudança de escudo.
Terceiro colocado no Grupo A da Libertadores, a equipe colombiana caiu nos play-offs da Sula diante do segundo colocado do Grupo G do torneio. Quem vencer o duelo terá pela frente o Olimpia-PAR.
Um fator primordial que pode pender a balança para uma boa atuação do Vasco é que o Estádio Atanasio Girardot, na Colômbia, estará sem a pressão da torcida, já que a equipe da casa atuará com portões fechados por causa da punição aplicada pela Conmebol após os incidentes ocorridos justamente no jogo de volta contra o Flamengo, na Libertadores, no dia 7 de maio.
Técnico com duas semanas de casa
A torcida colombiana provocou uma confusão generalizada em seu próprio estádio, em protesto contra a fase dentro e fora de campo que o clube vivia. A equipe fez uma "dança das cadeiras" de técnicos, mas que não evitou a eliminação precoce no campeonato nacional.
No primeiro encontro com o rubro-negro, quando perdeu por 4 a 1, no Maracanã, os colombianos eram treinados por Alejandro Restrepo, mas, cinco dias depois, o comandante foi demitido. Juan Sebastián Botero, de 39 anos, estava no sub-20 e passou a assumir o cargo interinamente. À frente da equipe profissional, ele vinha bem, com três vitórias consecutivas, incluindo uma contra o Cusco, pela Libertadores. Porém, foi derrotado em casa pelo Rionegro Águilas, por 2 a 1, na última rodada do Apertura Colombiano. Com isso, o Independiente foi eliminado na fase de classificação do campeonato nacional, terminando no 11º lugar da tabela — os oito primeiros seguem em frente.
Ídolo do clube, Luis Amaranto Perea, de 47 anos, então aceitou assumir o comando, mas com um detalhe: só após a eliminação da Colômbia na Copa do Mundo. Isso porque ele foi auxiliar técnico de Néstor Lorenzo na seleção por quase quatro anos.
Assim como Vasco terá dado uma semana de preparo para seu técnico Pedro Emanuel quando chegar ao jogo, o Independiente de Medellín também terá um tempo curto: Perea passou a dar treinos há duas semanas.
Mas, para embaralhar ainda mais o time colombiano, há uma diferença importante: a equipe já realizou diversas negociações e tem uma base de jogadores muito diferente da que iniciou 2026. Sete jogadores foram contratados, e outros sete, vendidos ou emprestados. Entre os nomes, estão o atacante Carlos Lucumí e o ponta Juan Córdoba.
Mudança de comando dos dois clubes
Enquanto o Vasco vive uma disputa judicial que retirou o presidente Pedrinho do posto por alguns dias, o Medellín também se abalou com uma mudança no alto comando, mas por outro motivo.
Um dos fatores que levaram à escolha de um técnico tão vinculado à história do clube colombiano foi associado à necessidade da diretoria de se redimir perante a torcida após o acionista majoritário, Raúl Giraldo, insultar torcedores no dia 3 de maio, data em que o time foi eliminado do campeonato.
Dias depois, Giraldo fez um vídeo se desculpando pelo episódio e renunciando ao cargo de liderança no Independiente Medellín, em decisão aceita pelo conselho. Porém, segundo a imprensa local, isso não significa necessariamente que ele venderá o clube.
Outra mudança pela qual o clube passa não tem tanto impacto para além do estético. O Ind. Medellín também trocou o seu escudo em junho, visando exaltar a "grandeza de nossas origens".
— Retornar às nossas raízes não significa olhar para trás, mas sim reconhecer quem somos para saber para onde estamos indo. Este escudo representa a grandeza das nossas origens e o orgulho de representar uma cidade que vibra com o futebol mais do que qualquer outra — disse o CEO do clube, Daniel Ossa.
Fonte: O Globo