Confira o que explica a queda nos números de Renato Gaúcho no Vasco
Segunda-feira, 27/04/2026 - 10:05
Renato diz que fez o que poderia para o Vasco vencer: "Entrar em campo também não posso"


Após um grande início no Campeonato Brasileiro, Renato Gaúcho vive seu primeiro período de oscilação no Vasco. De um aproveitamento de vice-líder nos primeiros jogos, a equipe apresentou uma queda nos números e venceu apenas um das últimas quatro partidas.

A equipe acumulou três vitórias e um empate nos quatro primeiros compromissos com Renato - um aproveitamento de incríveis 83,3%. Foi o segundo melhor rendimento no período no Brasileirão, atrás apenas do Flamengo, à frente somente pelo saldo de gols.

O recorte atual, porém, liga o alerta: são quatro pontos conquistados nos últimos 12 possíveis, um rendimento de apenas 33,3%. Mas o que explica a queda recente nos números?



Mudança tática

A primeira derrota do Vasco com Renato marcou também uma mudança na estrutura tática do time. Nos primeiros jogos, o time organizava-se no 4-1-4-1 na marcação, com o primeiro volante marcando entre linhas (Hugo Moura ou Barros), Thiago Mendes e Tchê Tchê mais à frente por dentro, e os pontas Andrés Gómez e Nuno Moreira pelos lados.

No jogo contra o Botafogo, Rojas foi escolhido para entrar como titular no lugar do português. A estrutura foi alterada, com Rojas circulando à frente da segunda linha de volantes, e Tchê Tchê foi deslocado para atuar mais pelo lado direito.



O volante, que havia subido de produção nos primeiros jogos de Renato, acumula partidas apagadas pelo setor. Além de pouca intensidade física, Tchê Tchê, muitas vezes, deixa o setor para participar do jogo com a bola por dentro ou até caindo pela esquerda e cede muitos espaços em suas costas quando o Vasco perde a posse. O time também perde em profundidade na parte ofensiva com ele pelo lado direito.

Desequilíbrio entre os lados

Essa mudança tática também causa um nítido desequilíbrio entre os lados. Os seus principais jogadores na fase ofensiva concentram-se sobretudo na esquerda: Andrés Gómez e Cuiabano, que ganham a companhia de Thiago Mendes, muitas vezes. Com o lado direito de pouca intensidade e velocidade, a equipe dá preferência às jogadas por ali na fase ofensiva - o que torna o time previsível, muitas vezes.

Com Tchê Tchê desprotegendo o setor em muitos momentos, a parte defensiva também fica desequilibrada. Os adversários exploram os espaços pelo setor para construir jogadas de perigo. Contra o Corinthians, por exemplo, o gol de Matheus Bidu é iniciado pelo lado direito da defesa vascaína.

Aos 37 min do 1º tempo - gol de dentro da área de Matheus Bidu do Corinthians contra o Vasco


Cuiabano

A sequência também marca a queda de rendimento de Cuiabano. O lateral somou cinco participações diretas nos quatro primeiros jogos de Renato, com um gol e quatro assistências.

Somando Copa do Brasil e Brasileirão, o jogador passou em branco nos últimos cinco jogos que esteve em campo: Botafogo, Remo, Paysandu, São Paulo e Corinthians. Cuiabano, no entanto, ainda é o jogador com mais participações em gols do Vasco no período de Renato e uma das principais válvulas de escape do time.



Defesa frágil

O setor defensivo tem sido um calcanhar de aquiles para o Vasco em todo o 2026. Seja com Diniz, ou com Renato, o problema persiste. O novo treinador ainda não conseguiu dar consistência ao sistema defensivo, e o time foi vazado em todos os jogos do Brasileirão até aqui. Como o ataque não vem funcionando como outrora, o time vem deixando escapar pontos preciosos pelo caminho.



Ao todo, são 19 gols em 16 partidas no Campeonato Brasileiro. A única vez que o sistema defensivo considerado titular não sofreu gols desde a chegada de Portaluppi foi na vitória por 2 a 0 diante do Paysandu, pelo jogo de ida da quinta fase da Copa do Brasil.

Fora de casa, a tônica dos jogos do Vasco tem sido o "gosto amargo". A equipe não venceu nenhum duelo como visitante até aqui e deixou pontos pelo caminho com Renato de forma frustrante.

Com o treinador, o time carioca levou gols no fim nos primeiros três duelos que fez longe do Rio de Janeiro: Cruzeiro, Coritiba e Remo. Foram, consequentemente, três possíveis vitórias que viraram empates e seis pontos pelo caminho no Brasileirão. E, contra o Corinthians, não conseguiu somar pontos mesmo com um jogador a mais durante cerca de 60 minutos de jogo.

Em meio ao momento oscilante, o Vasco terá o próximo compromisso pela Copa Sul-Americana. Na quinta-feira, a equipe volta a campo contra o Olimpia, pela terceira rodada da fase de grupos, em São Januário.

Fonte: ge