Técnico interino do Botafogo, Rodrigo Bellão comandou o time na vitória por 3 a 2 sobre o Mirassol, nesta quarta-feira (1/4), no Estádio Nilton Santos, pelo Campeonato Brasileiro. E estará novamente no banco de reservas contra o Vasco, sábado, em São Januário, antes de Franclim Carvalho assumir.
– Já tem a confirmação da diretoria que eu faço o jogo do Vasco. Então, a partir de agora eu vou começar, assim que eu dormir e acordar, a começar a pensar no Vasco, que a gente também tem esse tempinho, tem que dormir e acordar. E aí vou pensar a respeito disso. Então, ainda não consegui ver muitos jogos do Vasco com o Renato. Então, é o que eu quero analisar junto com a minha equipe técnica toda, a partir de amanhã cedinho. Amanhã, seis horas da manhã, já estamos lá no CT trabalhando – afirmou Bellão, que deixa seu futuro nas mãos do Botafogo, seja como técnico do sub-20 ou auxiliar do profissional.
– Cara, eu já vivi diversas situações no futebol e eu estou muito tranquilo, eu estou muito feliz aqui no Botafogo, sendo treinador do sub-20 ou subindo para uma comissão fixa. Fiquei extremamente feliz quando a diretoria toda, no projeto de levar o sub-20 para lá (Lonier), também me deixou muito à vontade. Eu já consigo participar de muitas atividades do profissional, da equipe principal. E é lógico que a gente tem a ambição de estar sempre sendo participativo. Mas se eu puder ser colaborativo estando no sub-20, vai ser ótimo para mim. E se for colaborativo ajudando a equipe do Botafogo em cima, vai ser ótimo para mim também. Então, eu gosto de ser muito feliz e me sentir útil. E onde a diretoria achar que eu possa ser mais útil, eles podem contar comigo que eu estou muito feliz aqui no Botafogo – destacou.
O treinador tem como um de seus trunfos o trabalho de desenvolvimento de jovens.
– Em relação aos meninos, para mim tem uma questão muito clara do meu jeito de ser, da minha filosofia de vida, e eu passo muito para eles, acho que eles conseguem enxergar muito isso. Que é a grande diferença de ser e estar. Eu hoje sou treinador do sub-20 do Botafogo e estou no profissional. E eu passo isso para eles a minha vida inteira. Eles são jogadores do sub-20 e estão no profissional. E o meu papo com eles é "quando você fizer dez jogos como titular, aí você começa a pensar que você já é daqui o principal". Porque aí você está sendo muito utilizado, muito útil, enfim. Então, esse é o ponto que eu sempre coloco para eles ali no dia a dia. E não é só falar, é realmente ser isso. Transparecer. Eu sou um cara que eu cuido muito do ser humano.
– Acho que foi esse o meu principal papel aqui, quando eu cheguei, é entender o contexto, entender o quanto de meninos de comunidade eu tenho aqui, o quanto eles têm uma vida difícil, sofrida, o quanto eles têm uma dificuldade de entender que tem um mundo gigantesco pra eles poderem sair e construir a vida deles, não só aquela direção. Ao mesmo momento, eu também tenho meninos de classe social também alta, e é entender que eles também têm problemas, e são outros, né? E é esse lado que eu trabalho muito no dia a dia com eles. Talvez é por isso que eu consigo ter o carinho de muita gente, dos meninos. Porque é tentar fazer eles serem não só jogadores, como pessoas melhores, e acho que esse é o fato que eu estou conseguindo desempenhar bem aqui nesse clube. E me deixa extremamente feliz por isso – declarou Bellão, que vem conquistando também os profissionais.
– Cara, responsabilidade é grande no futebol, em muitas circunstâncias, e acho que quando é um futebol de verdade, como eu digo, que é na equipe principal, é gigantesca a responsabilidade. Mas, como eu disse na resposta anterior, é a criação de vínculo, porque as pessoas acabam vendo o quanto você se dedica, sabe? E o quanto você aposta nelas, o quanto você fala, o quanto você é sincero quando você precisa fazer uma situação diferente da que é esperada. Então, acho que esse carinho que eles tiveram comigo, para mim, é algo muito especial que eu estou levando dessa experiência que eu estou tendo, sabe?
– A ideia é que, como eu disse anteriormente, fui muito bem recebido, e acho que muito bem recebido não é só quando você chega lá. Acho que é em todos os momentos, em momentos de dificuldade, e você dá a palavra, você dá o direcionamento, e eles acolherem, entenderem, comprarem, e isso acho que é importante. Então, quando tem uma retribuição como essa, é algo especial. Esses dias me perguntaram, na base, os meninos também me abraçam muito, e um dos jogadores da equipe principal falou para mim "me chamava muito a atenção isso, todo gol, os moleques vão te abraçar. E aí eu fui perguntar pra eles, e eles falaram pra mim, pelo cara que você é com eles, eles gostam muito de comemorar contigo". Então, acho que é esse sentido, a gente conseguir enxergar um pouco além do jogador. Acho que essa é a maneira como eu trabalho no dia a dia – finalizou.
Fonte: Fogãonet