Campeonato Estadual é paralisado por 15 dias
Segunda-feira, 16/03/2020 - 14:01
Em reunião na manhã desta segunda-feira, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) e representantes dos clubes decidiram suspender o Campeonato Carioca por 15 dias, como ação de prevenção à propagação do novo coronavírus.

Houve unanimidade na decisão final. Botafogo e Fluminense votaram a favor da paralisação. O Flamengo, representado pelo presidente Rodolfo Landim, inicialmente não queria a paralisação, citou as consequências financeiras que podem ser acarretadas pela parada e recebeu até o apoio de alguns clubes pequenos, mas depois votou a favor.

O mandatário do Vasco, Alexandre Campello, se irritou com um encontro entre o presidente da Ferj, Rubens Lopes, e Landim por 40 minutos antes da reunião, deixou o local antes do começo do debate, mas comunicou seu voto a favor da paralisação para dirigentes presentes.

Os clubes receberam da CBF a garantia de que o calendário brasileiro será estendido até o dia 28 de dezembro e que a Copa do Brasil deve ficar parada até o meio do ano. Ou seja, os estaduais poderão recuperar ao menos essas duas semanas de paralisação.

O presidente do Fluminense, Mário Bittencourt, se mostrou a favor da paralisação por pelo menos 15 dias. E comentou que jogar de portões fechados já é desastroso neste momento. Mas lembrou a preocupação de jogadores e contou ter conversado diretamente com um deles que passou a posição do grupo. O receio não era com a saúde deles, atletas, mas da família – visto que muitos moram com outros parentes em casa.

O infectologista Celso Ferreira Ramos Filho, convidado pela Ferj, lembrou que não há garantia de qualquer melhora em 15, 20, 30 dias. O presidente do Botafogo, Nelson Mufarrej, falou também sobre os prejuízos inevitáveis neste período. Como na estreia do japonês Honda, de portas fechadas no Nilton Santos.

Comentou que seus jogadores também se manifestaram a favor da paralisação, com apelo pessoal do técnico Paulo Autuori.

O presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, lembrou as consequências financeiras para paralisação do Carioca. Ele e Cacau Cotta defenderam a continuidade dos jogos. Citou o alto investimento no elenco, na contratação de Gabigol, na renovação de Bruno Henrique e no seu elenco milionário.

Landim, que testou negativo no exame de coronavírus, disse que seria o primeiro a pedir a paralisação em caso mais urgente. Mas avaliou que o risco é pequeno perto do que pode ocorrer para o futuro do futebol carioca, lembrando a situação de outros clubes, incluindo os pequenos, que vão ter menos condições de se sustentam nesse período sem jogos.

Protestos e gestos por conscientização na rodada

Apesar da pandemia ter sido decretada pela Organização Mundial de Saúde durante a semana passada, os jogos do último fim de semana, válidos pela terceira rodada da Taça Rio, foram mantidos, mas realizados com portões fechados, após decreto do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Ainda na sexta-feira, Leandro Castán, zagueiro do Vasco, ironizou uma resposta de Wilson Witzel, Governador do Rio de Janeiro, que confirmou a realização da rodada do fim de semana do Carioca. "Obrigado pelo respeito com os atletas", respondeu ele. O Sindicato de Atletas de Futebol do estado fez coro a Castán e combinou que os atletas entrassem com a boca tapada como sinal de protesto.

No clássico realizado no Maracanã no domingo, os jogadores do Fluminense entraram em campo com o braço na frente do rosto, enquanto os do Vasco utilizaram máscaras. Atletas do Botafogo, que empatou com o Bangu no Nilton Santos, também entraram em campo com o objeto.



Fonte: GloboEsporte.com