Alexandre Campello fala sobre sua candidatura à presidência do Vasco
Terça-feira, 11/07/2017 - 07:43
Em coletiva após a confusão contra o Flamengo, o presidente Eurico Miranda culpou a oposição pelas bombas em São Januário. No entanto, a Frente Vasco Livre não fez campanha durante a partida. Alexandre Campello, ex-médico do Vasco e candidato à presidência do clube, foi o primeiro a lançar candidatura, e falou de forma exclusiva para o Torcedores.com sobre unificação das oposições e sobre sua passagem vitoriosa pelo clube.

“Eu tive uma história no Vasco como médico… Participei de diversas competições, diversas conquistas que o Vasco teve de 1984 até 2004, que foi quando eu sai do Vasco por divergir da maneira autoritária que o Eurico Miranda comandava o clube. Em 2008, fui convidado pelo Dinamite a voltar e fiquei até 2012, quando novamente me desliguei por mais uma vez discordar da maneira que o clube era conduzido. Eu achava que o Vasco merecia muito mais, o Vasco podia muito mais e insatisfeito com a forma que o Dinamite conduzia, falta de objetivos e a pretensão pequena, eu decidi me desligar”, explicou o candidato.

“Depois fui convidado pela Identidade Vasco para fazer parte da chapa com o propósito de reintegrar o departamento médico do clube. Aí ingressei na política e participei ativamente dessa campanha. Após a eleição do Eurico, houve um entendimento pelos grupos de oposição que os nomes que já participaram de eleição estavam desgastados. Existia uma rejeição a esses nomes [Julio Brant e Roberto Monteiro], por isso começou-se a pensar em nomes diferentes que pudessem ir ao encontro ao que era pretensão do vascaíno. Alguém mais jovem, com uma história dentro do clube e que pudesse dar uma gestão com modernidade. Dentro desse processo, cogitaram o meu nome”, complementou.

Antes do lançamento da chapa, o candidato admitiu ter conversado com outros grupos de oposição. Eles chegaram a um consenso que ele seria o melhor nome. Porém, Julio Brant e Otto Carvalho lançaram suas candidaturas alguns meses depois. Campello explicou como foi o lançamento da Frente Vasco Livre e os grupos que a compõem.

“Escolhi ser candidato com dois objetivos principais: primeiro que isso fosse discutido entre os grupos de oposição e segundo que se o meu nome fosse um consenso: a gente deveria trabalhar para um projeto de gestão. Isso teve início no começo de 2017. Nós postergamos esse lançamento, conversamos com diversos grupos e entendendo que deveria existir um tempo suficiente para que esse projeto fosse construído, que fosse um projeto de consenso pensado por diversas correntes. Já no lançamento da chapa, cinco grupos faziam parte da Frente: Identidade Vasco, a Cruzada Vascaína, Pró Vasco e o Vira Vasco – que na última eleição apoiou o Julio Brant – e o Desenvolve Vasco, que é formado por profissionais do BNDES. Depois do lançamento, ainda tivemos adesão de mais um grupo, o Time da Virada, que apoiou a atual gestão”, explicou candidato.

Em 2014, o candidato da Sempre Vasco, Julio Brant utilizou a cor amarela para representar a chapa, e continua com a estratégia neste ano. A Frente Vasco Livre também optou por não seguir as cores do clube – escolheu o verde para simbolizar a esperança de ter um futuro melhor para o Vasco.

“A escolha do verde foi uma escolha de consenso. Deveria ser uma cor que marcasse a campanha e o verde remete a esperança, a liberdade e tudo aquilo que o vascaíno pretende e sonha em relação ao seu clube, além do que, o verde com a cruz de malta lembra a bandeira de Portugal”, lembrou o médico.

Veja o que Alexandre Campello falou sobe outros temas:

União da oposição

“Eu acho que ainda tem muita coisa para acontecer até novembro, é importante frisar aqui que nós somos o grupo que primeiro trabalhou pela unificação da oposição. Como eu disse, antes do meu nome ser lançado, nós discutimos. O nome foi colocado para os grupos…Houve um consenso entre eles que eu deveria representar a Frente Vasco Livre. Continuamos conversando, continuamos até hoje e pretendemos fazer até novembro no sentido de unificar. Depois surgiu o nome do Otto, que é presidente do conselho fiscal, que agora faltando seis meses para eleição rompeu teoricamente com a atual gestão. Tem também o Julio Brant, que se lançou agora. A gente entende que tem muita coisa para acontecer. A unificação ainda é possível, mas é necessário dar tempo ao tempo”.

Pesquisa por um candidato único

“As pessoas falam de pesquisa, mas isso não é uma coisa simples de se fazer. Primeiro ponto que a gente se depara é a dificuldade de saber o número de indivíduos para que vá fazer a pesquisa, como vai ser a composição do grupo que vai fazer essa pesquisa. Não se conhece o colégio eleitoral do Vasco, hoje você não sabe quem são as pessoas aptas a votar. Como pode pensar numa pesquisa se você não sabe qual é a sua amostra?”.

VascoMed

“Estamos dispostos a conversar com todo mundo e estranhamente eles declararam que não iriam com o meu nome, antes mesmo de eu ser lançado. Antes do dia 22 de maio, dia do lançamento da Frente, eles declararam que não nos apoiariam. Volto a dizer, não existe unificação excedente, a gente precisa sentar, conversar, para que as pessoas unifiquem. Se você começa a excluir, não tem unidade. Nunca briguei com ninguém lá de dentro, mas pode existir alguma divergência pessoal e alguns que estão lá eu não conheço bem”.

Roberto Monteiro

“A gente não tem essa preocupação de escolher nomes. Como eu te disse, todo mundo fala em unificação, mas a unificação tem que ser de todos os grupos. A Frente Vasco Livre tem muito mais que Roberto Monteiro e Fred Lopes. A gente está trazendo pessoas do BNDES, do Time da Virada. Estamos montando grupos de trabalho com profissionais bastante qualificados, profissionais que tem condição de criar esse projeto que o Vasco precisa. Temos também o Marcos Macêdo, que é um economista com larga experiência em planejamento e gestão de projetos; Eduardo Machado, que é empresário pós-graduado em marketing pela PUC, Horácio Junior, que é da Cruzada e consultor de negócios da Stfanini. Todos são grandes nomes para ajudar o Vasco”.

Divergências entre Cruzada e Identidade

“Acho que isso é um amadurecimento natural. A política do Vasco, a partir da figura do Eurico, eliminou algumas gerações de vascaínos que queriam participar da vida política do clube. Nesse momento estão surgindo novos nomes, pessoas jovens interessadas pelo clube e eu acho que é ai que se encaixa a Cruzada, a Identidade Vasco e os diversos outros grupos”.

O que vão fazer de diferente da gestão Dinamite?

“Acho que tudo. O fato de uma ou outra pessoa ter participado de uma gestão que em algum momento não foi eficaz não significa que as pessoas não tenham qualidade. O grupo que vai entrar e ocupar esse espaço é um grupo completamente diferente, a começar pela presidência. Então, se você for pensar assim vai eliminar todo mundo, porque o Vasco teve cinco presidentes ao longo de 50 anos. Todo mundo que exerceu um cargo no Vasco, ou foi com o Eurico, ou foi com o Dinamite”.

Experiência em gestão

“A minha passagem dentro do clube foi restrita ao departamento médico. Acho que eu colaborei bastante no departamento médico, não só na parte técnica, como na parte médica, mas também na organização dos processos, na organização da governança do departamento médico. Mas muito mais que isso, eu tenho uma vida fora do clube. Eu iniciei do zero e construí três clínicas – uma delas tem quase 30 anos funcionando e muito bem. Hoje eu já não administro mais essas clínicas. Tenho sócios e são eles hoje que exercem essa função de administração. Posso dizer que tenho minha vida resolvida e tenho bastante tempo para cuidar do Vasco”.

Propostas

“A nossa proposta é de reestruturar toda a parte que diz respeito ao programa de sócio, que é o menor do Rio. Se não me engano é o décimo nono do Brasil com 14 mil torcedores, enquanto o Botafogo tem 30 mil e o Fluminense 35 mil. Clubes como Vitória e Remo estão na frente do Vasco. Acho que esse programa de sócio deve ser ampliado para que o sócio possa votar, impedindo determinadas manobras que a gente sabe que até hoje são muito utilizadas no clube, e com isso dando maior transparência e democracia nas eleições. Vamos fazer disso uma arrecadação para o clube. Hoje as receitas do Vasco são quase que exclusivas do direito de transmissão, então há uma necessidade de explorar melhor outras fontes de receita como o programa de sócio, o marketing, licenciamento. Enfim, em cima disso que a gente vai trabalhar e dar uma viabilidade financeira ao clube. Temos que buscar um aumento dessas receitas através das iniciativas e diminuir os gastos, controlar melhor os gastos e efetivamente trabalhar melhor o orçamento, com melhor planejamento, com gestão desses recursos. O dinheiro do Vasco tem que ser mais bem gasto do que tem sido”.

“Outra coisa que vamos fazer é equacionar as dívidas do clube da seguinte forma: objetivando a redução dos juros, o alongamento dos prazos e o perdão parcial débitos, que são situações absolutamente normais em negociações de dívidas elevadas”.

Otto e Julio

“Acho que a candidatura do Otto é muito recente, não conheço a base de sustentação dele. Eu vejo o Otto fazendo campanha, mas sinceramente não sei quem está o apoiando. Já o Julio, acho que perdeu bastante da última eleição para cá, porque os grupos que deram sustentação a ele não estão mais com ele, estão na Frente Vasco Livre. Não sei se ele vai conseguir conciliar outro tipo de apoio que vai acontecer daqui para frente, mas acho que o espaço de crescimento da chapa dele não é muito grande”.

Nota do Eurico

“Difícil, acho que um dois estava bem dado, porque acho que ele não modificou nada do cenário e o que a gente viu aí foi que em 2015 ele se salvou por causa do Profut. Em 2016 o que salvou o Vasco foi o adiantamento das luvas da cota de TV. Se não fosse isso, o Vasco teria um déficit de uns 50 milhões. A relação com o torcedor, a falta de transparência, um balanço que nem a auditoria consegue fazer direito porque não tem documentos, é uma gestão desastrosa ao meu ver”.

O que o torcedor pode esperar da sua gestão

“Transparência e democracia. O Vasco precisa de proposta e trabalho, que é o que estamos fazendo, nos reunindo duas, três vezes por semana, criando grupos de trabalho, buscando quem possa trabalhar nesse ou naquele núcleo, quer seja no marketing, quer seja na gestão, do esporte amador. O Vasco precisa de um grupo de trabalho e não de uma pessoa ou de dois ou três que acham que vão resolver. O Vasco precisa de um grupo que desenvolva um trabalho sério que pense na gestão da crise, porque vai ter muita dívida, a herança que vai ser deixada de última hora. Acho que temos que mostras a nossa proposta de trabalho, e mostrar que estamos abertos para todos que queiram ajudar o Vasco”.



Fonte: Torcedores.com