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Vasco x Flamengo

Roberto Dinamite

Texto publicado como prefácio do livro "Flamengo x Vasco, o Clássico dos Milhões", de Roberto Assaf e Clóvis Martins, lançado em 28 de setembro de 1999.

O maior clássico vivido por mim, sem dúvida. Jogar contra o Flamengo mexia mais com todos nós, jogadores do Vasco. E ganhar do Flamengo era sempre sensacional. Havia uma repercussão maior. O sabor era de vencer o grande rival.

Vasco e Flamengo, no Maracanã, era um jogo diferente. Movimentava não só os jogadores, como os torcedores e a imprensa de um modo geral. Não apenas na véspera, mas vivíamos durante toda a semana que precedia o jogo, intensamente, cheios de esperanças.

Lembro de um jogo especial, talvez o Vasco x Flamengo mais importante: 1981. Era uma melhor de três. Nós vencemos o primeiro jogo de 2 x 0, eu fiz os dois gols. A segunda partida (se empatássemos o Flamengo seria campeão) vencemos com um gol marcado por mim aos 45 minutos do segundo tempo, de uma bola cruzada na área! Que emoção! Foi a glória para os vascaínos. E um desastre para os rubro-negros. Nós acabamos perdendo o terceiro jogo, em que um tal ladrilheiro entrou em campo saído do túnel do Flamengo. Mas tudo bem. Apesar do Flamengo ter sido o campeão... eu fiquei muito feliz porque sabia que havia triunfado.

Costumo dizer que o que eu sentia quando estava na boca no túnel do Maracanã, 180 mil pagantes lotando o estádio, parece com a sensação que se tem ao entrar na Marquês de Sapucaí, num dia de Carnaval, para desfilar por uma escola de samba, no Rio de Janeiro... acelera a batida do coração. E a adrenalina foi sempre a mesma. Não existia essa coisa de já estar acostumado com o peso da rivalidade depois de cinco ou dez anos de experiência. Nos meus 21 anos de carreira, 20 atuando com a camisa do Vasco da Gama, sempre vivi um Vasco x Flamengo com gosto de surpresa.

A rivalidade era enorme. Os jogadores adversários pouco se falavam em campo, mas havia respeito. Eu nunca falei do Zico ou ele de mim para gerar notícia.

O clássico é tão forte que o importante é ter, no gramado, o que não é programado mas esperado: um grande jogo, um grande público e muita emoção nos noventa minutos. Essa minha lembrança faz parte da história!

Mesmo não atingindo mais a marca de 180 mil pessoas, porém dentro da realidade dos números atuais, pretendo viver, como torcedor, muitos outros clássicos entre Vasco x Flamengo. Espero que haja sempre um público em paz. A favor do esporte!