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NETVASCO - 15/11/2009 - DOM - 03:40 - Dinamite: 'Quero dar minha contribuição, mas sem ficar muito tempo'

Roberto carrega até hoje no corpo as marcas deixadas por zagueiros na época em que dinamitava as defesas adversárias com a camisa do Vasco.

Como presidente, vem impondo um novo estilo de administrar, descentralizador, e usando o prestígio de ídolo para ajudar o clube a lidar com uma herança que o distanciou de seu torcedor e dos grandes momentos. Depois de quase um ano e meio no cargo, ele reconhece a volta à Série A como um passo fundamental do processo, mas sabe que tem muito trabalho pela frente, a começar pelo saneamento das finanças e do enxugamento do inchado quadro de funcionários: “Mas vamos ter que ralar muito até lá”, avisa.

Que sentimento é esse que existe entre o Roberto e o Vasco?

É um sentimento que não pode parar (risos). Eu não planejei isso para minha vida, aconteceu de forma natural. É preciso ter metas dentro daquilo que você busca, mas sem pisar em ninguém, senão fica feio. Ainda vou ter tristezas no Vasco, elas fazem parte da vida, mas quero ter mais momentos alegres do que tristes. É fazer por merecer. Sempre me envolvi com coisas grandiosas. Futebol é multidão, política é multidão, presidência mais ainda...

Então, tem que ser natural, ser você mesmo. Estou presidente. Quero dar minha contribuição, mas sem ficar muito tempo. Tem gente que quer chegar lá. Descemos alguns degraus que não podíamos, mas estamos subindo.

Vem coisa boa por aí.

Como primeiro ídolo de um grande clube que se tornou presidente, o que você trouxe de bom para o Vasco?

Fui importante nesse processo pelo trânsito que tenho. Falo com todo mundo, do presidente da República às pessoas mais simples.

Passei por um momento eleitoral difícil, de grande desgaste, mas fui para o confronto.

Ganhei porque tive um grupo comigo, e sei que, sem mim, essas pessoas não ganhariam.

Fui ser candidato por gratidão à torcida, que me respeita e me reconhece. Dessa troca, tirei a energia para encarar o desafio.

Se ela dissesse não vai, eu não iria. É difícil avaliar ou medir o sentimento das pessoas, mas, quando perdemos para o Vitória (no jogo do rebaixamento, em 7 de dezembro de 2008) e a ficha caiu, posso dizer que eu estava muito machucado, e ainda tinha de encarar as pessoas na tribuna me cobrando.

A torcida mostrou que o momento era de todos. Foi o que me fortaleceu.

É mais fácil ser jogador ou presidente?

Acho que ser jogador (risos). Brinco com eles quando digo: façam tudo direitinho, porque depois cai tudo no meu colo. O interessante é que não centralizei, dividi as tarefas, tem muita coisa para fazer e todo mundo está ajudando, buscando alternativas.

A gente não tinha nada, e precisava modificar muita coisa.

Tivemos a sorte de formar um grupo de trabalho que comprou o nosso projeto.

O que o Vasco tem que seduziu bons profissionais?

Para entender o Vasco, só vivendo o seu dia a dia. O Carlos Alberto simboliza um pouco isso. Num primeiro momento, falou: “Vasco nem pensar”. Aí, conta que teve influência do pai... Com três, quatro dias, não queria mais sair. É um talento que poderia jogar em qualquer lugar, mas veio para cá disputar a Segunda Divisão. Ele também ganhou com isso e hoje está super feliz. O Dorival (Júnior) trabalhou no Coritiba, que é um clube médio, mas que tem uma estrutura muito boa. O Rodrigo (Caetano) vem do Grêmio, era queridíssimo, mas está apaixonado, se emociona com o Vasco. Amanhã, pode pintar outra situação, mas tenho certeza de que essas pessoas cresceram e tiveram a oportunidade de conhecer o que é o Vasco da Gama.

O clube conseguiu apagar aquela imagem arranhada?

Conseguiu. Hoje, as pessoas estão mais livres, circulam à vontade em São Januário. A oposição continua lá, nós sabemos quem são, e eles sabem a herança que deixaram, até mais do que nós, pois toda hora surge uma coisa nova. Mas tem tanta coisa para fazer que não dá para ficar regulando os outros. Já melhoramos bastante, estamos no caminho. Quero poder pagar sempre em dia como muitas empresas, mas vamos ter que ralar muito até lá.

Quais as principais dificuldades hoje?

Primeiramente, a questão dos funcionários. Precisamos regularizar. Hoje, são cerca de 530 funcionários. É preciso montar uma estrutura que funcione, ver quem atende às nossas necessidades. Há uma série de pessoas da administração passada em pontos estratégicos do clube. Quem está dando sua contribuição, vai continuar. Quem não estiver, vamos mudar. Em qualquer lugar é assim. Sem vingança.

E questões como a perda do Vasco-Barra e a falta da certidão negativa de débito para receber da Eletrobrás?

Nosso projeto para 2010 é ter um centro de treinamento. Não existe dinheiro, o Vasco não pode chegar e comprar um espaço, mas o governo federal tem áreas, é possível viabilizar. Com a área, dá para captar o recurso. Tem o centro de Duque de Caxias (na Rodovia Washington Luiz), que cedemos metade para a prefeitura. O TCU, em Brasília, diz que a outra metade não é nossa. Para o caso da Eletrobrás, estamos buscando uma solução. Sem esse contrato, fica tudo muito mais difícil.

Ter um bom técnico, um bom jogador e uma grande torcida por trás é o que basta para ganhar uma Série B?

Não. O Vasco só caiu da Série A para a B, mas a estrutura hoje é igual ou melhor.

O trabalho é de ponta, não deve nada a clube algum.

O Vasco está voltando e vai manter o seu padrão. O grupo, porém, não é o que vai disputar o Estadual e o Brasileiro.

Vamos ter que reforçar, até pela resposta do torcedor.

Dorival disse que o clube não pode perder a tradição de montar grandes equipes...

O Vasco vai ter um time de Série A, dentro da realidade do Vasco. Vamos gastar o que a gente tem, não posso gastar mais do que arrecado.

Essa é a filosofia.

Até onde o Vasco chegará para renovar com ele?

Quando ele veio, teve proposta do Corinthians, do Santos, mas entendeu o projeto. Acho que, para ele, foi legal, mas não é o que o Dorival quiser. Reconhecemos o trabalho, e, como vem dando certo, temos de fazer um esforço para continuar, mas dentro da nossa realidade. Estamos tendo um papo legal, ele tem sido muito verdadeiro. Queremos que ele permaneça.

Conduzir com sucesso um processo tão difícil é bom como ser campeão em campo?

A gente projeta algo e sai em busca de conquistas.

Não adianta jogar 20 anos e não ganhar nada. Estamos trabalhando e vou dar minha contribuição. Falo para ele (o filho Rodrigo Dinamite, juvenil do Vasco que acompanha a entrevista) que tem que ganhar. Futebol é assim.

Você sonha um dia ver o Rodrigo capitão e camisa dez do Vasco?

Depende mais dele do que de mim. Sempre digo que tem que ralar, não é fácil.

Eu dou condição para ele evoluir.

Quando ele era pequeno, dizia: vou fazer mais gols do que você. Se fizer metade, já estou satisfeito (risos). Na minha época de juvenil, as estrelas eram Paulinho, Pastoril, Gaúcho. Eu corria por fora.

Como você pretende agradecer tudo que vem acontecendo de bom?

Gosto de São Jorge.

Na igreja, fizeram uma homenagem ao Vasco. Estou para ir lá, no mais tardar semana que vem.

Fonte: O Globo

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