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NETVASCO - 24/03/2007 - 06:20 - Baixinho e Animal estão no centro das atenções do futebol Ainda que tenham, entre si, um histórico de muitas brigas e parcerias fracassadas - no Vasco, no Flamengo e no Fluminense -, a mais famosa dupla de bad boys do Brasil, Romário e Edmundo, vem sendo o centro das atenções da cobertura esportiva neste início de temporada. Quem poderia imaginar que os veteranos poderiam estar freqüentando ainda as manchetes dos jornais e os gritos das torcidas? Apesar do sucesso, muita gente aposta que Baixinho e Animal não serão capazes de levar seus clubes a títulos, pela fama de desagregadores. Aos que implicam com a dupla, eu gostaria de recordar uma passagem do filme "... E o Vento Levou". Antes que pensem que eu endoidei, explico a relação entre filme e craques. O clássico novelão americano traz uma cena em que o cínico Rhett Butler e a espevitada Scarlett O'Hara estão fugindo dos ianques numa velha charrete. Impaciente com a fila de homens desvalidos, caminhando vagarosamente para o campo de batalha e fechando a estrada, Scarlett esbraveja: "Que diabos! Esses homens não vão acabar de passar nunca?!". Com a argúcia habitual, Rhett observa, em meio ao estampido dos canhões do general Sherman: "Eu não teria tanta pressa, Scarlett. Esses homens são tudo o que resta ao velho e orgulhoso Sul". Eis aqui o que eu queria dizer aos que criticam os veteranos: eu não torceria tanto pelo final da carreira de Edmundo e Romário, pois eles são tudo o que resta do velho romantismo do futebol brasileiro. Quando eles pendurarem as chuteiras, a cortina terá baixado para um dos mais triunfais atos do futebol brasileiro e, sobretudo, carioca. De Marcos Carneiro de Mendonça a Zizinho; de Ademir de Menezes a Garrincha; de Gérson a Roberto Dinamite; de Zico a Romário; o futebol carioca sempre teve jogadores ponteando na cena nacional. Depois de Romário e Edmundo, quem sobrará? Quem continuará a tradição? Obina? Ora, poupem-me. E ele é baiano. Ronaldo? É carioca, mas nunca jogou por um grande clube do Rio. Romário e Edmundo são os últimos representantes do autêntico jogo carioca: malandros, habilidosos, classudos com a bola nos pés, polêmicos e atrevidos. Não comento suas vidas fora dos gramados. Por tudo que fizeram, eles são os últimos românticos do futebol brasileiro. Depois deles, virão as trevas - e os canhões do general Sherman. Aos que acham que os dois farão pouco por seus clubes, pondero que não é impossível que, imbuídos de um certo espírito de "última cruzada", eles deixem de lado parte do ego em busca de títulos que iriam coroar suas carreiras. Romário quer o gol mil, mas sabe que ele seria uma lembrança mais doce para a torcida vascaína se viesse acompanhado do título carioca. Edmundo também sabe que de nada valerão as ótimas atuações se elas não ajudarem o Palmeiras a conquistar o título que persegue há anos. Por último, dois apelos. À diretoria do Palmeiras, reforços. E ao árbitro Gutemberg de Paula Fonseca para que ele tenha sensibilidade e permita que, caso o Baixinho marque o milésimo amanhã, o jogo possa ser interrompido para a merecida celebração. Não custa nada. Fonte: JB Online |
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