![]() |
. | ![]() |
|
| NETVASCO - 22/12/2006 - 12:16 - Após 20 anos, Rio revê estabilidade de treinadores A principal mudança no futebol carioca para 2007 é que nada vai mudar. Pela primeira vez em 20 anos, os quatro principais clubes do estado vão conservar seus comandantes de uma temporada para outra. Alheios aos resultados em campo (o Botafogo de Cuca, o Flamengo de Ney Franco e o Vasco de Renato Gaúcho fizeram boas campanhas no Campeonato Brasileiro, mas o Fluminense de Paulo César Gusmão quase caiu), os dirigentes do Rio de Janeiro resolveram apostar na manutenção de suas comissões técnicas. O prestígio dado aos treinadores dos quatro grandes cariocas no fim deste ano contraria o que vinha sendo feito pelos clubes. A última geração que permaneceu à frente de suas equipes de uma temporada para outra foi a de 1986-1987. Naquela época, Antônio Lopes dirigia o Fluminense, Joel Santana comandava o Vasco, Sebastião Lazaroni era o técnico do Flamengo e Joel Martins estava à frente do Botafogo. No Campeonato Brasileiro de 2006, apenas seis clubes não trocaram de técnico (São Paulo, Internacional, Grêmio, Santos, Paraná e Vasco, que curiosamente ocuparam as seis primeiras posições da tabela). O sucesso da continuidade dos comandantes criou uma nova diretriz para o trabalho no Rio de Janeiro. "Os resultados do Campeonato Brasileiro mostram o quanto essa seqüência é importante. O treinador que fica mais tempo no clube pode fazer um planejamento mais detalhado e tem mais facilidade para encontrar os problemas e as virtudes da equipe", ponderou Paulo César Gusmão, atual comandante do Fluminense. Gusmão, aliás, é o maior exemplo do quanto a política de seqüência das comissões técnicas ignora os resultados no Rio de Janeiro. O treinador ficou 18 partidas consecutivas sem triunfar no Campeonato Brasileiro (nesse período, dirigiu Cruzeiro, São Caetano e Fluminense) e a equipe carioca foi seriamente ameaçada pelo rebaixamento. Mesmo assim, a diretoria resolveu renovar o contrato do comandante para 2007. O pensamento de médio e longo prazo também impediu a saída de Renato Gaúcho do Vasco. A despeito de ter perdido a decisão da Copa do Brasil para o rival Flamengo e de ter feito um início irregular no Brasileiro, o comandante continuou à frente da equipe de São Januário. Assim, terminou o ano na sexta posição da tabela da competição nacional e ainda foi indicado pela CBF como um dos três melhores técnicos de 2006 (os outros foram Mano Menezes e Muricy Ramalho, vencedor dessa eleição). Na opinião do técnico Antônio Lopes, a aparente alteração na forma de os cartolas gerirem os clubes foi motivada pela constatação de que um trabalho de qualidade no comando técnico de uma equipe só se dá com uma seqüência de partidas. "Todo mundo está entendendo que, no futebol, o técnico tem de ficar de um ano ou mais no cargo. Só assim o treinador conhece o elenco e o clube em todos os aspectos", avaliou Lopes, que chegou a citar alguns casos de sucesso de sua 'tese'. "Temos os exemplos do São Paulo, que ficou a temporada toda com o mesmo treinador [Muricy Ramalho], o Inter com o Abel [Braga], o Santos com o [Vanderlei] Luxemburgo. Acho que os dirigentes aprenderam a lição", continuou o treinador, que atualmente está sem clube. No entanto, Lopes é voz dissonante. Para a maioria, a conquista das vitórias ainda é o que garante o emprego dos técnicos. "Por mais que você queira trabalhar com os mesmos profissionais, tudo depende de resultado. É muito mais fácil um cara sair do que trocar o elenco", disse o vice-presidente de futebol do Botafogo, Manoel Renha, em um discurso bastante usual. Um exemplo claro da pressão dos resultados é o Fluminense. Em 2006, a equipe carioca teve seis treinadores diferentes: Ivo Wortmann, Paulo Campos, Oswaldo de Oliveira, Josué Teixeira, Antônio Lopes e Paulo César Gusmão. A constante troca no comando culminou na luta da equipe tricolor para escapar do rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro. Aliás, o responsável por salvar o time do descenso ganhou prestígio com os cartolas - ao menos por enquanto. "O PC foi corajoso ao assumir a responsabilidade de salvar o Fluminense do rebaixamento. Agora ele terá o tempo que um treinador precisa para colher os frutos do trabalho", garantiu o coordenador de futebol Branco. No início do ano, antes de anunciar Ivo Wortmann, a diretoria tricolor inovou e chegou a realizar testes com alguns candidatos a treinador para avaliar qual seria a melhor escolha para substituir Abel Braga, que havia se transferido para o Internacional (time no qual conquistou a Copa Libertadores e o Mundial). Aliás, para o técnico Sebastião Lazaroni, que ficou marcado por ter comandado a seleção brasileira que caiu nas oitavas-de-final da Copa de 1990, na Itália, para a Argentina, a 'dança das cadeiras' nos clubes é um artifício que os cartolas utilizam para ocultar os erros na administração. "O resultado é que provoca a situação de instabilidade e, para tapar ou esconder uma falha, o dirigente troca o técnico", disse o ex-comandante da seleção. Outro fator complicador levantado por Lazaroni é o atual 'inchaço' no mercado de técnicos. "Naquela época já existia a cultura de trocar treinador, mas acontecia com menos freqüência porque o mercado era menos concorrido. Hoje existem muitas faculdades que jogam treinadores no mercado", informou. No Brasil, a única exigência para o exercício da profissão é o curso superior de Educação Física. Entretanto, esta imposição pode ser facilmente burlada. O próprio técnico da seleção brasileira, Dunga, não tem essa formação. TÉCNICOS DE 1986-1987 Joel Martins - Botafogo Ex-jogador do Botafogo, iniciou em 1986 a segunda passagem como técnico do time alvinegro (a primeira aconteceu em 79). O comandante assumiu a vaga deixada por Zagallo e saiu na temporada seguinte, quando foi substituído por Jair Pereira. Sebastião Lazaroni - Flamengo Campeão carioca com o Fla em 86, Sebastião Lazaroni seguiu até a temporada seguinte no clube rubro-negro. O treinador ganhou destaque por ter comandado a seleção brasileira na Copa de 1990, quando a equipe canarinho foi eliminada pela Argentina nas oitavas-de-final e foi muito criticada por seu fraco desempenho. Antônio Lopes - Fluminense Depois de ter ficado na segunda posição do Estadual do Rio de Janeiro de 1986 com o Vasco, quando lançou jogadores como os tetracampeões Mazinho e Romário, Lopes assumiu o Fluminense em 1986 e saiu no ano seguinte sem ter conquistado nenhum título. No ano seguinte, Lopes foi para o Flamengo e deixou o time depois da primeira rodada da Copa União. Joel Santana - Vasco Assumiu o Vasco em 1986, no lugar de Cláudio Garcia, e saiu no ano seguinte. O treinador havia conquistado a Taça Guanabara de 1987, mas aceitou uma proposta do futebol árabe e deixou o time para Sebastião Lazaroni se sagrar campeão estadual. HERÓIS DA RESISTÊNCIA Ney Franco, Flamengo: Campeão da Copa Brasil e 11º colocado no Brasileirão. Cuca, Bota: Renovou e fica no clube até final de 2007; não ganhou título. R. Gaúcho, Vasco: está empregado desde 2005 e teve o seu auge no BR. PC Gusmão, Fluminense: Livrou equipe da Série B e tem o apoio da diretoria. 'Novatos', técnicos tentam se firmar no Rio de Janeiro A manutenção dos treinadores à frente das quatro principais equipes do Rio de Janeiro certamente não se deve ao prestígio deles no cenário nacional. Ao contrário de Vanderlei Luxemburgo, Emerson Leão, Paulo Autuori e Muricy Ramalho, por exemplo, os comandantes de equipes cariocas, além de pouca experiência, não possuem um currículo vitorioso. O único que pode se gabar de ter conquistado um título de expressão é Ney Franco, que este ano ganhou a Copa do Brasil. O técnico chegou ao Flamengo com o status de promessa após ter surpreendido o poderoso Cruzeiro na decisão do Campeonato Mineiro de 2005, quando dirigia o modesto Ipatinga. Nesta temporada, Ney Franco chegou a levar a equipe do interior de Minas novamente à decisão do Estadual e às semifinais da Copa do Brasil, quando foi eliminado pelo próprio Flamengo. Aliás, o treinador estreou no clube da Gávea às vésperas da decisão da competição nacional, que teve como oponente justamente o Vasco, principal rival rubro-negro. "Esse título contra o Vasco representou minha valorização profissional e foi muito importante para a carreira. Começo a entrar no patamar dos melhores técnicos do Brasil", garantiu Ney, sem falsa modéstia. Derrotado na decisão, Renato Gaúcho mostrou personalidade, levou o time cruzmaltino à sexta posição no Brasileiro e foi eleito o segundo melhor treinador da competição. Em 2002, o técnico já havia disputado as semifinais do certame no comando do Fluminense. Além do bom desempenho no Vasco, time que dirige há um ano e meio, Renato conta com a confiança do presidente Eurico Miranda, que dificilmente demite treinadores. Aliás, o comandante destacou o período à frente da equipe como um 'trampolim' para alçar vôos mais altos. "O trabalho a longo prazo faz muita diferença. Aqui no Vasco eu tenho uma tranqüilidade grande, graças ao presidente. Isso ajuda muito, inclusive na minha carreira", classificou Renato. Em General Severiano, Cuca segue os passos de Renato. Prova do bom trabalho realizado em 2006 foi o esforço feito pela diretoria do Botafogo para renovar o vínculo do comandante até o fim da próxima temporada. "O mais importante é que eu não joguei seis meses da minha carreira fora. Fiz um trabalho direcionado à formação da equipe para a próxima temporada e fico feliz por poder continuar isso", afirmou Cuca após a renovação. Aliás, o histórico do treinador já conta com uma semifinal de Libertadores - com o São Paulo, em 2004 - e uma arrancada histórica com o Goiás no ano anterior, quando tirou a equipe esmeraldina da zona de rebaixamento e fez a melhor campanha do segundo turno da competição. Com dois títulos mineiros pelo Cruzeiro - 2004 e 2006 -, Paulo César Gusmão acumulou fracassos em seus últimos clubes. O treinador chegou a ficar quatro meses (ou 18 partidas) sem vencer no Campeonato Brasileiro, dirigindo o próprio Cruzeiro, o São Caetano e o Fluminense. Para 'engrenar' na carreira, PC confia na estrutura que a equipe das Laranjeiras oferece. "O Fluminense me dá todas as condições de trabalho e tenho a confiança do Branco. Podemos fazer uma grande temporada no ano que vem", disse. Rio tem histórico de instabilidade recente O fato de os quatro times grandes do Rio de Janeiro não terem mantido seus treinadores de um ano para outro nos últimos 20 anos pode chamar atenção, mas apenas confirma uma tendência no futebol carioca. A falta de planejamento adequado e de títulos de expressão nacional motivou trocas constantes no comando técnico das equipes, sobretudo nos últimos dois anos. Curiosamente, o recordista em número de treinadores nesse período é o único carioca que conseguiu um título nacional. Ney Franco conquistou a Copa do Brasil desta temporada com o Flamengo, mas foi o oitavo treinador da equipe rubro-negra desde o início de 2005. Antes de Ney Franco, que assumiu o time da Gávea em maio, passaram pelo Flamengo Julio César Leal, Cuca, Celso Roth, Andrade, Joel Santana, Valdir Espinosa e Waldemar Lemos. A instabilidade de treinadores, porém, não é exclusividade do Flamengo. O time rubro-negro é seguido de perto por Fluminense e Botafogo. E a equipe tricolor conseguiu um grande número de comandantes em um espaço de tempo muito menor que o dos rivais. No ano passado, Abel Braga foi o único a comandar o Fluminense. Quando ele trocou as Laranjeiras pelo Internacional, contudo, a mudança constante começou. A diretoria tricolor exagerou nesta temporada e teve seis técnicos: Ivo Wortmann, Paulo Campos, Oswaldo de Oliveira, Josué Teixeira, Antônio Lopes e Paulo César Gusmão. O Botafogo não ficou muito atrás. No ano passado, o time de General Severiano contou com Paulo Bonamigo, Paulo César Gusmão, Péricles Chamusca, Acácio (interino) e Celso Roth. No início desta temporada, Carlos Roberto assumiu a equipe e conquistou o título estadual. Entretanto, nem mesmo o triunfo na competição local foi capaz de segurar o treinador no comando. No início do Campeonato Brasileiro, Carlos Roberto deixou o Botafogo e foi substituído por Cuca. A exceção à regra é o Vasco, que teve 'apenas' três comandantes desde o início da temporada passada. Além de Renato Gaúcho, Joel Santana e Dario Lourenço estiveram em São Januário nesse período. Fonte: Pelé.Net |
|
NetVasco
| Clube
| Notícias
| Futebol
| Esporte
Amador | História
| Torcidas
Mídia | Interativo | Multimídia | Download | Miscelânea | Especial | Boutique |