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NETVASCO - 24/11/2006 - 00:03 - Basquete Adulto: Grandes do RJ sofrem com a falta de investimento

A crise no basquete, por causa das brigas entre a Confederação Brasileira (CBB) e a Nossa Liga (NLB), não atingiu apenas as Seleções masculina e feminina. Grandes clubes do Rio de Janeiro, como Vasco, Botafogo e Fluminense, que tiveram grandes equipes entre 1999 e 2002, também estão sofrendo com a decadência da modalidade no Brasil. A exceção é o Flamengo, que ainda tem patrocínio.

Por causa da falta de investidores, o Botafogo, que foi semifinalista no Campeonato Brasileiro de 2001, nem conta com uma equipe na categoria adulto.

Pelo mesmo problema, o Vasco, bicampeão brasileiro em 2000 e 2001, e o Fluminense, que já contou com jogadores de Seleção, como Demétrius e Marcelinho, resolveram disputar o Campeonato Estadual deste ano com equipes muito jovens. A média de idade do time vascaíno é 21,7 anos, enquanto a do Tricolor, com atletas das categorias infanto-juvenil e juvenil, é de 17,8.

A ausência de jogadores mais experientes fez falta aos dois clubes. O Fluminense nem se classificou para o returno e o Vasco passou em quinto lugar, atrás de Flamengo, Rio/Pan 2007, Grajaú e Macaé.

- Fomos eliminados agora, mas colheremos os frutos no futuro. Claro que o melhor a se fazer é mesclar experiência com juventude, mas o clube não tem dinheiro para contratações e temos de respeitar. Não dá para disputar de igual para igual na categoria adulto tendo como jogador mais velho um menino de 20 anos (Diogo). Teremos uma melhor campanha em 2007 - explicou Fábio Pereira, técnico do Fluminense.

Os próprios atletas concordam que não têm maturidade suficiente ainda para agüentar a pressão contra jogadores mais velhos.

- Faltam atletas mais velhos para nos dar conselhos. Por conta disso, perdemos a maior parte dos jogos pela falta de experiência - disse Marcellus, armador do Vasco, de apenas 18 anos.

Flamengo: o único que recebe dinheiro

O Flamengo também diminuiu muito a quantidade de capital destinada ao basquete, mas é o único clube do Rio que ainda investe na modalidade. Com patrocínio de Gatorade, Nike e Petrobras, o clube conta com a melhor equipe do estado na atualidade, o que fica claro com a liderança no Estadual.

O treinador Paulo Sampaio, o Chupeta, garante que a presença de jogadores mais experientes está fazendo a diferença para o Flamengo na competição - É sempre importante haver jogadores mais velhos para tranqüilizarem o grupo na hora decisiva. Ao mesmo tempo, a disposição dos jovens dá mais movimentação dentro de quadra. Nossa equipe conta com as duas coisas e com certeza somos diferenciados por isso - explicou o técnico.

Os dois jogadores mais experientes do grupo rubro-negro são o pivô Gema, de 35 anos, e o ala-pivô Leo, de 31. Os dois reconhecem o valor dos mais jovens, mas concordam com a opinião do treinador.

- No fim das partidas, faz falta a maturidade. Procuro sempre passar tranqüilidade aos atletas mais jovens nesses momentos, para que eles não se desesperem e deixem a vitória escapar nos minutos ou segundos finais. No basquete, tudo pode acontecer - disse Gema, que já defendeu a Seleção Brasileira.

Redução enorme de gastos em pouco tempo

O grupo que foi utilizado pelo Fluminense no Campeonato Estadual deste ano não tem nenhum jogador com idade acima de 20 anos. Quatro atletas são da categoria infanto-juvenil, até 17, e os outros oito são do juvenil, até 20.

Essa decisão acabou com os gastos do Tricolor no basquete. Nenhum dos jogadores, segundo o superintendente de esportes olímpicos do clube, Renê Machado, recebe salários. Somente o armador Pedrinho, de 18 anos, recebeu uma ajuda de custo durante o estadual de R$ 300.

Há cerca de 5 anos, o mesmo Fluminense, que hoje não tem dinheiro para pagar nem mesmo a comissão técnica, investia R$ 125 mil nos salários do basquete profissional. O maior era R$ 35 mil.

Até o Flamengo, que ainda investe no esporte, passou a gastar menos com o basquete nos últimos anos. Antes eram gastos R$ 350 mil com salários e o maior deles era de R$ 120 mil. Hoje, se investe R$ 90 mil e o maior é R$ 12 mil.

O Vasco, que investia R$ 200 mil em salários no grupo que foi bicampeão brasileiro (2000/2001) e da Liga Sul-Americana (1999/2000), hoje tem como teto salarial o valor de R$ 800.

- Se não há dinheiro, não há do que reclamar - disse o técnico vascaíno, Cristiano Medeiros.

GRANA

CLUBE      FOLHA SALARIAL ANTIGA FOLHA SALARIAL ATUAL
Flamengo   R$ 350 mil            R$ 90 mil
Vasco      R$ 200 mil            Não divulgado
Fluminense R$ 125 mil            R$ 300

CLUBE      MAIOR SALÁRIO ANTIGO  MAIOR SALÁRIO ATUAL
Flamengo   R$ 120 mil            R$ 12 mil
Fluminense R$ 35 mil             R$ 300
Vasco      R$ 25 mil             R$ 800
ERA UMA VEZ - O Vasco foi bicampeão brasileiro em 2000 e 2001


Fonte: Lance




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