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NETVASCO - 24/09/2006 - 04:08 - Ex-motorista acusa Eurico de lhe pagar com recursos do Vasco

Ex-motorista particular do presidente do Vasco, Eurico Miranda, Sérgio Luiz de Souza dos Santos, de 45 anos, está requerendo na 57ª Vara do Trabalho indenização que passa de R$600 mil — inclui-se danos morais e materiais —, após 14 anos de trabalho.

No processo 01104-2006-057-01-00, divulgado pelo colunista Renato Maurício Prado, de O Globo, o advogado Luiz Filipe Aguiar cita episódios de constrangimentos devido aos atrasos salariais. O funcionário contraiu dívidas e teve o nome lançado aos serviços de proteção ao crédito — Serasa e SPC. Por isso, o autor da ação pede 100 vezes o valor do salário como indenização moral e mais 100 por material — cerca de R$600 mil.

Da ordem trabalhista, Sérgio dos Santos busca receber cerca de R$40 mil entre diferenças salariais, vencimentos de maio e junho de 2006 e 13º salários vencidos e férias.

De acordo com o processo, Sérgio dos Santos recebeu salários de fontes pagadoras diferentes. Durante o mandato de Eurico Miranda como deputado federal, o motorista foi nomeado secretário parlamentar e passou a receber salários da Câmara. Em fevereiro de 2003, chegou a ganhar gratificação natalina, conforme consta no contra-cheque anexado ao processo. Com o fim do mandato de Eurico, o salário passou a ser pago pelo Vasco e os atrasos se tornaram regra. Nesse período, segundo o o processo, Eurico Miranda devia cerca de R$21 mil ao funcionário. Pagou R$10 mil e impôs a redução do salário de R$3 mil para R$2 mil.

— Pelo que sei, ele era motorista particular do Eurico. Não sei se era motorista do presidente do Vasco. É normal o clube fazer o pagamento. A gente só se decepciona com as pessoas. O cara tira o suco e vai embora. Agora, está trabalhando para o Júlio Lopes (ex-dirigente do Flamengo) em Friburgo — disse Paulo Reis, advogado e vice-presidente jurídico do Vasco.

Também candidato a deputado federal pelo Partido Progressista (PP), Júlio Lopes nega que Sérgio dos Santos trabalhe para ele:

— Não há ninguém com esse nome na campanha.

O Movimento Unido Vascaíno (MUV) não quis se pronunciar a respeito de os salários do motorista particular serem pagos pelo clube.

Trechos do processo

"O réu (Eurico) ... durante oito anos exerceu mandato como parlamentar em Brasília ... sendo certo que as funções do autor (o motorista), neste período, não se alteraram, pois o réu passava, em média (apenas), 1 ou 2 dias por semana, na Capital Federal".

"É de se esclarecer que durante este período (1995 a 2002) o réu nomeou o autor seu 'Secretário Parlamentar', sendo certo que, muito embora assinasse diversos documentos em relação a essa 'nomeação', inclusive ponto, o autor JAMAIS foi a Brasília, JAMAIS compareceu ao Gabinete em que ... estava lotado".

"O autor, neste período, recebeu seus salários ... pagos pela Câmara dos Deputados..."

"No final de 2002, o réu perdeu as eleições e ... a partir de então começaram os problemas..."

"O réu passou a pagar através do Vasco da Gama (cópia dos cheques anexados ao processo) ..., sendo o autor também agraciado com o plano de saúde dos empregados do clube."

"O reclamante chegou a ficar sete meses sem receber ..., de maio a novembro de 2004, ... sendo certo que o réu, através do Vasco, em dezembro de 2004, pagou parte dessa dívida (R$ 10 mil) e comunicou ao autor que, a partir de janeiro de 2005, seu salário sofreria redução (de R$ 3 mil) para R$ 2 mil por mês, 'morrendo a dívida'".



Fonte: Extra (texto), O Globo - Coluna Renato Maurício Prado (trechos do processo), Extra/Digitalizado por Supervasco (fotos)

Nota da NETVASCO: Clique aqui para acessar a página do processo no site do TRT-RJ.




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