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NETVASCO - 16/09/2006 - 10:55 - Times que mantêm treinadores estão nas primeiras posições Um fato curioso domina a parte de cima da tabela do Campeonato Brasileiro. Os seis primeiros colocados - São Paulo, Internacional, Santos, Grêmio, Vasco e Paraná - foram os únicos times que ainda não trocaram seus treinadores. Estabilidade funciona! Até agora, em 23 rodadas, 31 técnicos já comandaram os 20 times da Série A. Contando os interinos, o número sobe para 37. Ou seja, quase o dobro de treinadores em relação ao número de vagas oferecidas na Primeira Divisão. Foram 22 trocas em 23 jogos, praticamente uma por jornada. Os recordistas são o Santa Cruz e o São Caetano (ver ao lado). Para Abel Braga, comandante do Internacional, vice-líder do torneio, esse fato não é uma coincidência. - No futebol, não tem surpresa. Prejudica trocar. Imagina a confusão para o jogador. Ninguém faz trabalho igual. O esquema pode ser o mesmo, mas sempre muda algo diz ele, que destaca ainda o prejuízo financeiro dos clubes com as trocas. Muricy Ramalho, do São Paulo, corrobora com o discurso de Abel. O treinador do líder do campeonato acrescenta que, além de planejamento, é preciso mudar a mentalidade de quem manda nos clubes. - É por isso que o Inter se levantou, tem dirigentes conscientes. Para Caio Júnior, do Paraná, é obrigação dos dirigentes analisar o profissional antes de o contratar. - Estive oito anos em Portugal. Lá, você quase não vê os times mudarem. O técnico não deixa de ser bom por uma derrota. Ficar trocando tanto mostra uma ignorância cultural de quem contrata. Mano Menezes, do Grêmio que, ao lado de Renato Gaúcho, do Vasco, é o único que está em seu clube desde a temporada passada -, vê a relação estabilidade-produtividade com outros olhos. - Pode ser que esses times não tenham trocado de técnico justamente por causa dos bons resultados. Resultado importa muito. ´Rebaixados´ são os que mais trocam A coincidência não se restringe à ponta da tabela. Na parte de baixo, tentando fugir do rebaixamento, estão os recordistas de trocas do Brasileirão deste ano. O Santa Cruz, lanterna da competição, já teve quatro comandantes diferentes no torneio. Fito Neves, o quinto, recém-contratado, ainda não estreou. Situação semelhante à do São Caetano, antepenúltimo colocado. O atual técnico do Azulão, Hélio dos Anjos, é também o que passou, ao lado de Emerson Leão - atualmente no Corinthians por mais equipes no campeonato: três (Juventude, Fortaleza e São Caetano). Geninho, do Goiás, também teve três empregos, mas por dois clubes (Goiás, Corinthians, depois voltou ao primeiro). Mesmo recordista, Hélio dos Anjos defende a estabilidade dos treinadores. - A manutenção da comissão técnica é fundamental para o sucesso de uma equipe. É complicado mudar sempre. O mais difícil é para os jogadores. A mudança de filosofia atrapalha muito. Europa aposta na estabilidade Na Europa, a manutenção dos treinadores não é nenhuma novidade. De 2003 (ano em que os pontos corridos foram introduzidos no Brasileirão) para cá, levando-se em conta os cinco maiores campeonatos nacionais do Velho Continente (Inglês, Italiano, Espanhol, Alemão e Francês), nenhum campeão trocou de técnico durante suas campanhas vitoriosas. Mas não são só os títulos que fazem um treinador europeu ficar. Mesmo sem conquistar o Inglês desde a temporada 2002/03, o técnico do Manchester, Alex Ferguson, é mantido no cargo. O escocês está no clube há 21 anos. No Brasil, a situação é diferente. O Corinthians, último campeão brasileiro, teve três técnicos diferentes neste campeonato. Fonte: Lance |
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