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NETVASCO - 13/09/2006 - 11:32 - Continua a indefinição da Federação de Futebol do RJ

Em Assembléia Geral encabeçada por Flamengo e Botafogo, respaldada por decisão judicial, realizada nesta terça-feira, na sede do América-RJ, 16 afiliados à Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) nomearam Hildo Nejar como novo presidente interino da entidade.

Além de todos ganharem um telegrama que garantia a ilegalidade da reunião, alguns também receberam telefonemas e até um convite para um churrasco, a ser realizado na mesma hora do encontro na sede do América.

"Foram todos convidados para esse almoço num momento em que a federação deve R$ 30 milhões, mas encontra forças para pagar boca-livre para as ligas", disparou Pedro Trengrouse, representante da Liga de Bom Jesus do Itabapoana. Leia mais

Contudo, este promete ser apenas mais um capítulo do longo imbróglio envolvendo a disputa pelo poder da Ferj após a morte do ex-presidente Eduardo Viana, o Caixa D'Água.

"A primeira providência é comunicar a decisão à Ferj para que o Hildo assuma a presidência de imediato e, caso haja alguma contestação, vamos encaminhar o processo à Sexta Vara Cível para que o Juiz encaminhe o Hildo à presidência", disse o diretor jurídico do Botafogo Vantuil Gonçalves, que não arriscou uma previsão de quando Hildo poderá efetivamente assumir a presidência da Ferj.

"Vai depender do tempo de análise do Juiz para tomar a decisão. Mas nos cercamos bem para que seja prevalecida a vontade dos clubes", completou. "Nenhuma das partes envolvidas vai conseguir decidir isso. Com certeza, só a Justiça vai decidir", disse o presidente do América Reginaldo Mathias.

O imbróglio envolvendo a sucessão presidencial na Ferj começou poucos dias após o falecimento de Viana. Amparado pelo estatuto da federação, o vice-presidente Rubens Lopes assumiu o poder. Contudo, Flamengo e Botafogo contestam a legitimidade desta sucessão.

Isso porque antes da morte de Viana foi realizada uma Assembléia Geral - no dia 14 de dezembro de 2005 - que alterou o regime sucessório. Em atrito com Rubens, Caixa D'água nomeou Hildo Nejar como seu sucessor no caso do seu afastamento temporário ou permanente justamente para evitar qualquer possibilidade de seu desafeto assumir a presidência da Ferj.

A mudança no estatuto contou com a aprovação de todos os afiliados presentes àquela Assembléia. "Isso foi registrado no registro civil das pessoas jurídicas e, portanto, é incontestável. Na nossa opinião, temos que dar posse ao doutor Hildo Nejar imediatamente", afirmou o presidente do Flamengo Márcio Braga.

Por isso, Flamengo e Botafogo deram entrada no processo para realização da Assembléia Geral desta terça, na qual os afiliados decidiriam quem deveria ser nomeado presidente interino da Ferj até o final do mandato de Eduardo Viana, que termina em 2007.

Mas enquanto os rivais comemoram o resultado do encontro, que não contou com as presenças de Vasco, Fluminense, os demais clubes da primeira divisão e vários outros das Séries B e C, a Ferj contesta a legalidade do mesmo.

"A reunião teve caráter ilegal. Não fomos nós que organizamos. Isso foi uma invenção do Márcio Braga, sem fundamento nenhum. Ele convocou alguns clubes e decretou Hildo Nejar como presidente. Não reconhecemos essa decisão. Aliás, nós publicamos um edital falando sobre a ilegalidade da reunião e o Juiz da Sexta Vara Cível nos deu razão. O presidente segue sendo Rubens Lopes", disse Pedro Costa, assessor da presidência da Ferj.

Entretanto, o diretor jurídico do Botafogo apresentou uma cópia da decisão judicial tomada pelo mesmo Juiz da Sexta Vara Cível, Heleno Pereira Nunes, que garante a legalidade da Assembléia Geral desta terça. Por outro lado, a mesma decisão admite que as deliberações tomadas pelos afiliados na reunião desta tarde só terão validade após o final do processo.

"Tentaram descaracterizar a Assembléia dizendo que ela é ilegal porque não foi convocada pela Ferj. Mas hoje mostramos para todos a decisão do Juiz. Portanto, quero deixar claro que essa assembléia está sendo feita de forma legal, com respaldo do Juiz. A legitimidade é total", garantiu o advogado.

PRESSÃO DA FERJ ESVAZIA

Durante a Assembléia Geral desta terça-feira, convocada por um quinto dos afiliados à Ferj para discutir a sucessão presidencial da federação, vários representantes acusaram a entidade de fazer pressão sobre os membros na tentativa de esvaziar a sessão.

"A federação tentou de tudo para atrapalhar a reunião e pode até responder civil e criminalmente por isso, através de decisão do juiz da sexta vara cível", disse o advogado alvinegro.

Além de todos ganharem um telegrama que garantia a ilegalidade da reunião, alguns também receberam telefonemas e até um convite para um churrasco, a ser realizado na mesma hora do encontro na sede do América.

"A pessoa que se diz presidente [Rubens Lopes] marcou, para o momento dessa assembléia, um churrasco em Paracambi [município do interior do estado] com as ligas da região. Foram todos convidados para esse almoço num momento em que a federação deve R$ 30 milhões, mas encontra forças para pagar boca-livre para as ligas", disparou Pedro Trengrouse, representante da Liga de Bom Jesus do Itabapoana, outra cidade do interior do Rio de Janeiro.

"Recebi uma ligação nos convidando para uma churrascaria que, inclusive, pertence a um diretor da federação", confirmou Luiz Carlos Pina, presidente da Liga de Desportos de Nova Iguaçu.

"Andaram telefonando para vários clubes da segunda e da terceira divisão. Tinha um tal de senhor Bitencourt se dizendo em nome do presidente Márcio Braga comunicando que não haveria a reunião", disse o presidente rubro-negro.

Desta forma, dos cerca de 40 afiliados que assinaram a ata para a convocação da Assembléia Geral desta terça, apenas 19 compareceram ao encontro.

"Gostaria de parabenizá-los pela coragem de estarem aqui presentes. São verdadeiros heróis de uma batalha surda que se trava com pessoas que se dizem desportistas, mas não merecem nem serem tratados como senhores", elogiou Márcio Braga, referindo-se principalmente aos representantes dos clubes pequenos, que se dizem coagidos pela Ferj.

De qualquer forma, a reunião foi validada pelo Juiz Heleno Pereira Nunes porque sua realização teve a concordância de um quinto dos afiliados à Ferj, quorum mínimo considerado necessário pelo Código Civil.

"Os clubes da primeira divisão deram um péssimo exemplo hoje. Essa Assembléia deveria estar sendo realizado com auditório lotado, mas isso não aconteceu. Não por opção e sim por medo das práticas perseguitórias que essas pessoas empregam na federação", disse Pedro Trengrouse.

Dos 19 afiliados que compareceram à Assembléia desta terça, apenas três não votaram pela nomeação de Hildo Nejar: o Profute, da terceira divisão, que se retirou no meio da reunião e com isso não votou, além de América e Teresóplois Futebol Clube, que votaram pela abstenção.

Já Flamengo, Botafogo, Ceres, Campo Grande, Estácio de Sá, La Coruña, Esprof e as Ligas municipais de Macaé, Bom Jardim, Queimados, Nova Iguaçu, Teresópolis, Japeri, Belford Roxo, Bom Jesus do Itabapoana e Cantagalo votaram pela nomeação de Hildo Nejar.

Ao todo, a Ferj conta com 178 afiliados - 89 ligas municipais, 50 clubes da terceira divisão, 27 da segunda e 12 da primeira.

TELEGRAMA NA ÍNTEGRA

A Ferj comunica a todos os seus afiliados que não convocou nenhuma assembléia, conforme divulgação publicada na imprensa. Trata-se de um movimento ilegal e que descumpre frontalmente o estatuto da federação e a legislação vigente, em especial o Código Civil Brasileiro, fomentado por elementos desagregadores.

RUBENS LOPES PODE SER PUNIDO

De acordo com o diretor jurídico do Botafogo Vantuil Gonçalves, Rubens Lopes pode ser punido por tentar atrapalhar a realização da Assembléia.

Fonte: Pelé.Net




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