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| NETVASCO - 04/07/2006 - 03:21 - Saiba como funciona o mercado negro dos ingressos Começa a venda e começam os abusos... L! mostra a facilidade em burlar o que é lei As partidas mais aguardadas do Rio de Janeiro, as finais da Copa do Brasil, em 19 e 26 de julho, estão recheadas de esquemas de segurança. Para conter a ação dos cambistas, foi determinado pela organização que cada torcedor poderia comprar apenas dois ingressos. Mas não é bem isso que está acontecendo. A reportagem do LANCE! conferiu de perto a ação de um cambista que revelou como fazia para driblar a determinação (confira na página ao lado). Intrigada com a facilidade para se adquirir mais ingressos do que é permitido, a reportagem resolveu tentar comprar mais de dois bilhetes de uma vez. Surpreendentemente, e com muita facilidade, a missão foi bem sucedida. O primeiro passo foi definir quantos ingressos seriam comprados. Por ser mais que o dobro do permitido, a reportagem decidiu que tentaria obter cinco entradas. Como o nosso "professor" ensinou que nas Laranjeiras era o melhor ponto para se dar o golpe, a sede do Flu foi a escolhida. Chegando lá, o segurança que coordenava a fila de torcedores reconheceu o repórter, que já havia trabalhado por lá de manhã. Como ali a missão não teria sucesso, a reportagem do LANCE! rumou para outro ponto de venda: a bilheteria 8 do Maracanã. O cenário contribuiu para a ação: movimento pequeno, poucos policiais na fiscalização e caixas vazios. Às vias de fato, então: - Cinco ingressos por favor - pediu a reportagem do LANCE!. - Cinco? Mas eu só estou autorizado a vender dois ingressos por pessoa - respondeu o funcionário. - Jura que tem problema? O bilheteiro para e conversa com o funcionário do guichê ao lado: - Tá bom então. Vou quebrar o seu galho. São 150 reais. Pagamento feito, ingressos contados e conferidos, só restou o agradecimento ao "favor" que foi feito. - Muito obrigado e um bom dia de trabalho - agradeceu o repórter. - De nada, fique com Deus e bom jogo - respondeu. O número de cinco ingressos, porém, foi apenas o escolhido pela reportagem, aleatoriamente. A abordagem, e depois o sucesso, foram tão tranqüilos que a impressão que fica é que se fossem solicitados dez, eles haveriam sido comprados. A facilidade era tamanha que se o repórter quisesse pular para o caixa ao lado e comprar mais cinco ingressos, teria conseguido. Talvez isso explique por que cada vez mais há bilhetes nas mãos de cambistas. Cambista conta ao LANCE! como comprou, ontem, 20 ingressos para a primeira final No texto ao lado, você viu a facilidade com que o repórter do LANCE! comprou os cinco ingressos para a final. Mas isso não é nada comparado ao que os cambistas de verdade fazem diariamente. Na sede do Fluminense, o cambista que se identificou como Paulo Berbt (não foi mostrado nenhum documento) saiu da fila muito tranqüilo com o seu bolinho de 20 ingressos. Questionado pelo repórter sobre como tinha conseguindo comprar aquela quantidade de entradas, Paulo, de 22 anos, calmamente começou a sua aula. Segundo o cambista, o processo é simples. O primeiro passo é entrar normalmente na fila e comprar os dois ingressos permitidos. Depois, é tentar chegar no caixa ao lado e comprar novamente. Outra estratégia utilizada é abordar torcedores comuns que estão na fila para comprar apenas um ingresso e dar o dinheiro para eles comprarem um segundo ingresso para o próprio Paulo. E por aí o número de bilhetes vai aumentando. Mas Paulo reconhece que não é em todo lugar que ele consegue concluir seus planos com sucesso. Na Gávea e em General Severiano, segundo o cambista, a missão é bem mais complicada. - Antes de chegar aqui, passei pela Gávea e nem saltei do carro. Percebi de longe que daria confusão se eu tentasse qualquer manobra. Lá sempre acaba em confusão. Aqui nas Laranjeiras a situação é bem mais tranqüila e eu posso desenvolver o meu trabalho - afirmou. Cambista desde os 18 anos, e não só em partidas de futebol, Paulo reconhece que não é a profissão ideal. Mas por estar necessitando do dinheiro para pagar a faculdade de Educação Física que cursa, o "trabalho" acaba virando o ideal. - Esse ramo é um investimento certo. Dificilmente se perde dinheiro, você só tem a lucrar. Em um jogo como esse, então, que a procura é muito grande, vou ter um bom faturamento - garantiu. Paulo já decidiu a sua estratégia para o primeiro jogo da final. Quando os ingressos se esgotarem, ele vai começar a revender. E o preço? No mínimo R$ 50, quase o dobro do valor correto na bilheteria. - A torcida vai comprar. Nem todo mundo tem tempo de enfrentar uma fila dessas e a solução é sempre nós, cambistas - reconheceu. Na manhã de ontem foram "apenas" 20 ingressos. Mas Paulo afirmou que hoje irá, mais uma vez, rodar os pontos de venda e comprar mais ingressos para a final. Diretor do Flamengo surpreso com denúncia Responsável do Flamengo pela coordenação da venda de ingressos para o clássico, o diretor de arrecadação do clube, Flávio Pereira, ficou surpreso com as denúncias feitas pelo LANCE!. Segundo o dirigente, a empresa Ingresso Fácil recebe as instruções do clube e coordena a venda. Cabe ao Flamengo apenas a fiscalização. - Aconteceu um erro que não deveria ter acontecido. Já tomei as medidas necessárias e cabíveis. Mas o ser humano não é perfeito e está sujeito a falhas. Foi o que aconteceu com o bilheteiro - afirmou Flávio Pereira, frisando que dificilmente isso irá acontecer com os ingressos de meia-entrada: - Passei o dia inteiro na frente do computador fiscalizando a venda dos ingressos de estudante. Segundo o diretor, a determinação de vender apenas dois ingressos por torcedor é do clube. A medida visa atender um número maior de rubro-negros: - Poderíamos colocar cinco ingressos por pessoa, mas isso iria restringir demais a torcida. A indignação de Flávio era grande pelo ocorrido. Para o dirigente, cabe à Polícia Militar coibir o número cada vez maior de cambistas. - Eles, hoje, são verdadeiros artistas. Nós críamos maneiras para detê-los e eles bolam novas soluções para continuar - lamentou. Para a PM, não houve surpresa Quando soube da ação da equipe de reportagem do LANCE!, o major Marcelo Pessoa, responsável pelo Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (Gepe), não se surpreendeu. Disse que prender esses pequenos cambistas não é a solução do problema. - Vamos atrás dos peixes grandes. Esses que furam fila e compram ingressos a mais vão sempre existir - disse o major, que alegou ter ordenado a venda de até cinco ingressos após o término da fila no Maracanã. O Flamengo, no entanto, responsável pela venda, não mudou o limite de compra de dois ingressos por pessoa. Poucas filas e uma bomba no Botafogo Alheio a todos os problemas, os torcedores que apenas queriam comprar ingressos para assistir ao jogo não enfrentaram as longas filas que se imaginavam. Apenas na parte da manhã houve uma espera um pouco maior. À tarde, as filas eram muito pequenas. A maior fila do dia foi na bilheteria 8 do Maracanã, mas as vendas ocorreram sem grandes problemas. General Severiano, sede do Botafogo, também mostrou uma concentração grande de torcedores. A ausência de confrontos foi um ponto positivo. Na Gávea, houve penas um princípio de tumulto, rapidamente contornado pelos policiais. O caso mais sério foi em General Severiano: um torcedor passava de carro e atirou pela janela uma bomba de fabricação artesanal que atingiu alguns torcedores. Ninguém ficou gravemente ferido. Foram comprados aproximadamente 26 mil ingressos e as vendas continuam hoje, das 10h às 17h. Fonte: Lance |
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