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- 19/04 - 01:57 - HÁ
DEZ ANOS O FUTEBOL BRASILEIRO PERDIA DENER
Neste
dia 19 de abril completam-se dez anos desde que um acidente automobilístico
tirou a vida de um dos jogadores mais habilidosos da história recente
do futebol brasileiro: o atacante Dener, que jogava pelo Vasco mas
cujo passe pertencia à Portuguesa-SP.
Nascido em 2 de abril de 1971 (curiosamente, mesmo dia, mês e ano
do nascimento do "Animal" Edmundo), Dener Augusto de Souza fez suas
primeiras jogadas nas ruas da Vila Ede, bairro da zona Norte de
São Paulo. Em 82, aos 11 anos, o meia pisou pela primeira vez no
Canindé. Quatro anos mais tarde, teve de abandonar o sonho de fazer
carreira no futebol para ajudar a mãe com as despesas de casa.
Órfão de pai desde os oito anos, Dener e os irmãos tiveram de começar
a trabalhar para tentar pagar as dívidas acumuladas pela mãe. Ele
estudava pela manhã, trabalhava à noite e jogava futebol por cachê
na Vila Maria, pelo colégio Olavo Bilac.
Em 1988 voltou a treinar nas categorias de base da Lusa, após uma
passagem frustrada de dois meses pelo São Paulo. O técnico Antônio
Lopes, na época treinador do elenco de cima, o tirou dos juniores,
transformando-o em profissional. A primeira grande glória na carreira
de Dener foi na Copa São Paulo de Futebol Juniores, em 1991, quando
foi eleito o melhor jogador da competição. Na oportunidade, a Lusa
conquistou seu primeiro título na Copa SP.
A genialidade dentro de campo o levou à seleção brasileira ainda
em 1991, com apenas 20 anos. Encantado com o futebol do garoto franzino,
o técnico Falcão o escalou em 11 jogos com a camisa amarelinha.
Não fosse a morte prematura, Dener - que era cotado para vestir
a "Amarelinha" na Copa do Mundo de 1994 - poderia ter recuperado
o brilho dos tempos de futebol-moleque apresentado pelos brasileiros
nas Copas de 70 e 82.
A habilidade incomum era ofuscada em muitos momentos pela indisciplina
nas quatro linhas e fora delas. De origem humilde, Dener se deslumbrou
com a fama e com o dinheiro abundantes e se envolveu em diversos
episódios de indisciplina ao longo da curta carreira. Em 1993, após
uma transferência frustrada para o Corinthians, Dener foi emprestado
ao Grêmio, sagrando-se campeão gaúcho.
Em 1994, teve seu passe emprestado ao Vasco e imediatamente conquistou
o carinho da torcida, que passou a saudá-lo com o nada modesto grito
de "Ê, cafuné, ê cafuné, o Dener é a mistura do Garrincha com o
Pelé!".
Recém-chegado a São Januário, Dener ofuscou ninguém menos do que
Diego Maradona durante uma série de amistosos do Vasco contra o
Newell’s Old Boys, então clube que "Dieguito" defendia, na Argentina.
Semanas depois, conquistou a Taça Guanabara com uma goleada por
4 a 1 sobre o Fluminense. Foi o último título que comemorou.
O último jogo de Dener aconteceu dois dias antes de sua morte. Foi
um empate por 1 a 1 contra o Fluminense, no Maracanã, pelo turno
do quadrangular final do Estadual. Curiosamente, nesta partida o
atacante vascaíno se envolveu numa áspera discussão com o lateral-esquerdo
tricolor Branco e ambos acabaram expulsos.
Dener jamais saiu derrotado de campo com a camisa do Vasco: dos
17 jogos que disputou, venceu dez e empatou sete, marcando cinco
gols.
No dia 19 de abril, Dener, que tinha acabado de completar 23 anos,
faleceu em um acidente automobilístico. Ele chegava ao Rio de Janeiro
para participar do treinamento da manhã pelo Vasco. Na companhia
do amigo Oto Gomes de Miranda, Dener deixara São Paulo às 23 horas
do dia anterior, após ter definido junto aos dirigentes da Lusa
sua transferência para o Stuttgart, da Alemanha.
Miranda dirigia o Mitsubishi Eclipse branco de Dener, que dormia
no banco ao lado. O carro, vindo da Avenida Brasil, bateu em uma
árvore na Avenida Borges de Medeiros, na Lagoa Rodrigo de Freitas.
A morte foi imediata. Dener foi estrangulado pelo cinto de segurança
e apresentava asfixia e fratura cervical. Deixou viúva e três filhos.
Uma placa posta no local registra que ali perdeu a vida um dos últimos
poetas da bola.
Meses depois do acidente, um laudo policial confirmou que Miranda
havia dormido ao volante, perdendo a direção do veículo. No acidente,
o amigo do craque acabou perdendo as duas pernas. Em 1995, Miranda
foi assassinado na porta de sua casa por integrantes do Comando
Vermelho, facção com a qual mantinha ligações.
A torcida vascaína, no entanto, não se esqueceu de Dener. Assim
que se ouviu o apito final da decisão do Campeonato Estadual de
1994 (Vasco 2 x 0 Fluminense - dois gols de Jardel), os torcedores
que estavam no Maracanã gritaram "Olê, olê, olê, Dener, Dener" antes
mesmo de soltar o grito de "Tri, tri, o Vasco é tri, Tererê!" (numa
referência ao primeiro tricampeonato estadual da história do Clube).
GALERIA:
Clique
para ouvir o depoimento do então vice-presidente de futebol do Vasco,
Eurico Miranda, ao chegar ao local do acidente que matou o jogador
Dener.
FICHA TÉCNICA
Dados Pessoais
Nome Completo: Dener Augusto de Souza
Data de Nascimento: 02/04/1971
Local de Nascimento: São Paulo (SP)
Data de Falecimento: 19/04/1994
Local de Falecimento: Rio de Janeiro (RJ)
Clubes
1988 a 1993 - Portuguesa-SP
1993 - Corinthians-SP
1993 - Grêmio-RS
1994 - VASCO
Títulos
1991 - Copa São Paulo de Juniores - Portuguesa
1993 - Campeonato Gaúcho - Grêmio
1994 - Taça Guanabara - VASCO
1994 - Campeonato Carioca - VASCO (post-mortem)
Números no Vasco
Jogos: 17
Vitórias: 10
Empates: 7
Derrotas: 0
Gols: 5
Média Gols/Jogo: 0,29
Primeiro Jogo: 21/01/1994 - Amistoso - Vasco 0 x 0 Newell's Old
Boys-ARG
Primeiro Gol: 26/01/1994 - Amistoso - Vasco 2 x 2 Newell's Old Boys-ARG
Último Jogo: 17/04/1994 - Estadual - Vasco 1 x 1 Fluminense
Último Gol: 09/03/1994 - Estadual - Vasco 2 x 1 Olaria
Seleção Brasileira
Jogos: 11
Gols: Nenhum
Fonte: NETVASCO (texto e ficha), BOL (texto), Gazeta Esportiva (texto),
O Dia (foto), O Globo (foto), Placar (fotos) |