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Netvasco - 18/04 - 01:12 - Vasco é o verdadeiro clube do povo

No início da década de 70, um jovem compositor chamado Francisco Leonardo escreveu um samba sobre um operário que pegava o trem de marmita na mão e, aos domingos, juntava-se à torcida de Dulce Rosalina, a Renovascão. A música reforça uma tese que vem ganhando corpo entre os vascaínos e que atinge diretamente os rubro-negros, rivais de hoje e de sempre. Por sua história, seria o Vasco o verdadeiro clube do povo, ou seja, aquele que mais teve suas raízes fincadas nas camadas populares da sociedade.

Claro que não se trata de pôr em dúvida a hegemonia rubro-negra em todas as classes sociais. Segundo as mais recentes pesquisas, o Flamengo tem no Brasil três vezes mais torcedores que o Vasco. O que alguns vascaínos ilustres reivindicam é que a história do clube sempre esteve mais associada ao povo que o rival, a começar pela abertura a jogadores negros e operários entre os clubes grandes.

— O Flamengo é populista; o Vasco é popular — afirma o jornalista e escritor vascaíno Sérgio Cabral, um estudioso da cultura popular brasileira.

Para embasar o caráter popular do Vasco, Cabral gosta de enumerar os sambistas de primeira linha — muitos deles advindos dos morros do Rio — que dão ou davam expediente na torcida cruzmaltina: Nélson Cavaquinho, Ismael Silva, Zé Kéti, Jamelão, Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Aldir Blanc, Nei Lopes, Dicró, Nélson Sargento, entre outros. Um deles, Martinho da Vila, autor do samba “Calango vascaíno”, lembra que o Flamengo nasceu numa elitista Zona Sul, enquanto o Vasco é o único grande clube carioca da Zona Norte:

— A construção do Estádio de São Januário, com a ajuda de torcedores, é um das grandes provas de que a raiz do Vasco é a mais popular.

A convite do GLOBO, Martinho da Vila se encontrou com o amigo rubro-negro Neguinho da Beija-Flor, que surpreendeu ao dar sua primeira declaração sobre o assunto:

— Sou rubro-negro, mas pela história do Vasco, todo negro deveria ser vascaíno.

Logo depois, no entanto, ele se explicou melhor:

— Por outro lado, o povo português foi quem mais “esculachou” o negro na época da escravidão. O tronco ninguém esquece.

Longe de ser um embate, o encontro entre Martinho e Neguinho é uma confraternização de sambistas que não deixam as rivalidades e provocações de lado. Eles não são os únicos que se uniram para falar das paixões pelo Flamengo e pelo Vasco. O rubro-negro João Bosco e o vascaíno Aldir Blanc, parceiros de longa data, compuseram “Gol anulado”, um samba em que um vascaíno bate na mulher de cinto depois que descobre que ela é flamenguista.

Outras músicas expõem um lado diferente da de Francisco Leonardo. Em “O juiz apitou”, de Wilson Batista e Antônio Almeida, o trabalhador é rubro-negro e o patrão é vascaíno: “O Flamengo perdeu pro Botafogo/ Amanhã vou trabalhar/ Meu patrão é vascaíno/ E de mim vai zombar”. O mesmo acontece no samba “Coisas do destino”, também de Wilson Batista: “Ai, ai, são coisas do destino/ Sou rubro-negro, meu patrão é vascaíno/ Ai, ai esse emprego eu vou perder/ Mas deixar de ser Flamengo/ Não, não pode ser”.

Mestre em sociologia do futebol, o professor da Uerj Ronaldo Helal questiona a tese de que o Vasco é o verdadeiro clube do povo. Embora reconheça a natureza elitista do Flamengo, Helal acredita que esta teoria pode ser uma tentativa de mudar o conceito do clube de São Januário no imaginário da população carioca.

— O Vasco sempre foi visto como o clube do colonizador, que é aquele que explora a colônia. Talvez ilustres vascaínos estejam tentando mudar esta imagem — afirma o professor, que é rubro-negro. — Aliás, as atitudes da diretoria do Vasco nos últimos anos não condizem com a história democrática do clube.

No meio de toda a polêmica, a única certeza é que o jogo de hoje, como se diz sobre tudo no Brasil, vai acabar em samba. Do povo rubro-negro ou do povo vascaíno.

GOL ANULADO

“Quando você gritou Mengo/ No segundo gol do Zico/ tirei sem pensar o cinto/ e bati até cansar./ Três anos vivendo juntos e eu sempre disse contente/ Minha preta é uma rainha/ Porque não teme o batente, /Se garante na cozinha/ E ainda é Vasco doente/ Daquele gol até hoje/ O meu rádio está desligado/ Como se irradiasse/ O silêncio do amor terminado./ Eu aprendi que a alegria/ De quem está apaixonado/ É como a falsa euforia/ De um gol anulado”
De Aldir Blanc e João Bosco

E O JUIZ APITOU

“Eu tiro o domingo para descansar/ Mas não descansei/ Que louco fui eu/ Regressei do futebol/ Todo queimado de sol/ O Flamengo perdeu/ Pro Botafogo/ Amanhã vou trabalhar/ Meu patrão é vascaíno/ E de mim vai zombar/ Foram noventa minutos/ Que eu sofri como um louco/ Até ficar rouco/ Nandinho passa a Zizinho/ Zizinho serve a Pirilo/ Que preparou pra chutar/ Aí o juiz apitou/ O tempo regulamentar/ (Que azar...)”
De Wilson Batista e Antônio Almeida

COISAS DO DESTINO

“Ai,ai são coisas do destino/ Sou rubro-negro, meu patrão é vascaíno/ Ai, ai esse emprego eu vou perder/ Mas deixar de ser Flamengo/ Não, não pode ser/ Lá no meu quarto/ Tem escudo e tem retrato/ De vários campeonatos/ Sou Flamengo pra chuchu /Ainda me lembro/ Gazeteava a escola/ Só pra ver o bate-bola/ Na rua do Paissandu”
De Wilson Batista

Fonte: O Globo




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