Julio Brant fala sobre seus projetos para o Vasco e alfineta união de Horta e Otto
Sexta-feira, 06/10/2017 - 08:32
Há um mês das eleições presidenciais do Vasco, os bastidores da política em São Januário estão fervendo. Tudo indica que o pleito marcado para o próximo dia 7 de novembro terá a presença de quatro candidatos: o situacionista Eurico Miranda e os oposicionistas Fernando Horta, com o apoio de Otto Carvalho, Alexandre Campello e Julio Brant. Esse último concedeu entrevista ao Torcedores.com, falou sobre os seus projetos de gestão e atacou a união das chapas "Mudança com Segurança", de Fernando Horta, com "Ao Vasco Tudo", de Otto Carvalho.

No bate-papo, Brant, que tem formação em jornalismo, falou sobre os projetos de reforma de São Januário, construção de CT e também da criação de um time de e-sports, sensação do momento no Brasil.

O empresário conta com o apoio de Edmundo, Mauro Galvão, Pedrinho e Felipe, todos ídolos vascaínos. Em 2014, ele foi derrotado por Eurico.

Confira a entrevista na íntegra:

Torcedores.com: Como viu a união das chapas Mudança com Segurança, de Fernando Horta, com Ao Vasco Tudo, de Otto Carvalho?

Julio Brant: Horta é o genérico do Eurico! Horta e Otto não entregaram seus cargos no Vasco. Para deixar claro, Horta é vice-presidente geral do clube. Na ausência do Eurico ele assume. O Otto é presidente do conselho fiscal. Os dois são tão responsáveis pelo desastre nos últimos três anos de Vasco quanto o Eurico. Eles rebaixaram o Vasco mais uma vez em 2015 e querem colar no torcedor vascaíno um discurso de oposição. Essa é a segunda chapa da situação e a criaram para dividir a oposição. Essa chapa é fake!

Torcedores.com: Como foram as conversas com Alexandre Campello para uma possível união de chapa? Chegaram a um consenso?

JB: As conversas têm sido produtivas, mas ainda não houve acerto. Temos falado sobre modelo de gestão e governança. Os dois grupos estão empenhados para encontrarmos uma base sólida.

Torcedores.com: Tem algum receio de que, caso eleito, possam "agir nos bastidores" para prejudicarem sua gestão?

​JB: Nada derruba uma boa gestão. O antídoto para uma eventual manobra é a competência, credibilidade e transparência. Defendo um novo modelo de gestão e a formação de um equipe de profissionais que seja capaz de desenvolver um trabalho que o Vasco precisa. Se houvesse realmente essa "força de bastidores" o Vasco não seria garfado em vários jogos nos últimos anos. Essa coisa de bastidores é mais uma bravata.

Torcedores.com: A Tecnoplano vai bancar todos os custos do CT e da reforma do estádio? O Vasco vai ter de pagar alguma quantia? Se sim, de onde tirá-la? A atual administração fez uma espécie de vaquinha na internet para que os torcedores pudessem colaborar com a reforma do ginásio do basquete, e foi um sucesso. Se o Vasco tiver que pagar algo referente às suas instalações, pretende usar esse mesmo método, se necessário?

JB: Boa parte da minha vida profissional foi estruturando e viabilizando projetos de grande porte. Estamos estudando toda a engenharia financeira que vai desde a criação de novas receitas em São Januário até o aumento da cessão de cadeiras cativas, passando por Leis de Incentivo. O Vasco não consegue captar novas receitas pela completa falta de credibilidade e pelo apequenamento da marca. A crise do Vasco é profunda!

Torcedores.com: O Vasco tinha o funcionamento de suas redes sociais muito frequente, porém, com a parceria com a AM4, isso acabou. Os torcedores reclamam. Pretende voltar com essa maior comunicação do Vasco com os torcedores?

JB: Claro! A minha primeira formação de ensino superior foi comunicação social. Sou jornalista e sei ​exatamente o papel e a força das mídias sociais em um clube. Queremos aproximar ainda mais o torcedor, seja ele sócio, ou não, com o Vasco. As mídias sociais do clube serão o principal canal na minha gestão.

Torcedores.com: De 0 a 10: Como avalia a gestão de Eurico Miranda?

JB: Nota zero! Ele fez a campanha eleitoral de 2014 em cima de bravatas e falsas promessas. Não se governa mais com tirania e populismo. O torcedor vascaíno está humilhado com mais uma administração desastrosa e vexatória. Mais um rebaixamento, diminuição de receita, perda de patrocinadores, aumento da dívida…

Torcedores.com: Alguma chance de o Vasco buscar um parceiro que pague melhor que a Caixa ou tentará mesmo a renovação? E empresa de material esportivo, já conversou com alguma?

JB: O Vasco é um clube continental! As empresas querem seu nome no Vasco. O problema são as pessoas que estão gerenciando o clube neste momento. O investidor não quer a sua marca e o seu dinheiro atrelado a uma instituição sem transparência e fechada. O Euriquismo está enraizado no Vasco, e com a ajuda de Horta e Otto, querem apequenar o Vasco por mais três anos. Não conversei com nenhuma empresa de material esportivo, mas tenho certeza que ganhado a eleição teremos um clube forte e com marca Vasco resgatada. Nossa equipe é formada por gestores, que são reconhecidamente bem sucedidos no mercado de trabalho.

Torcedores.com: Felipe e Pedrinho, hoje seus aliados, tiveram uma experiência como treinadores a pouco tempo. Eles podem vir a assumir essa função no clube caso não haja permanência do Zé?

JB: Especular qualquer situação seria inapropriado e desrespeitoso. Zé Ricardo é o atual treinador​, um profissional, e como qualquer outro merece ser respeitado. A experiência de Vasco que o Felipe e ​​Pedrinho carregam é muito importante. São vencedores e referência dentro da história do clube. Neste momento eles estão apoiando a Chapa Sempre Vasco como vascaínos, por entenderem que o Vasco precisa mudar.

Torcedores.com: Caso seja eleito, qual será a política do clube em relação a reforços?

​JB: A gestão do futebol será feita por um comitê. É ele quem vai determinar as diretrizes sobre o futebol do​ Vasco. Um dos nossos compromissos é ter no elenco 33%, no mínimo, de jogadores formados na base. O Vasco tem uma tradição de revelar craques. Os três maiores artilheiros do Campeonato Brasileiro vieram da categoria de base do clube. Também precisamos entender que não há mais espaço para que alguém, sozinho, determine a contratação de um jogador. Depois ele sai do Vasco e o clube fica com a conta, reduzindo nossa capacidade de investimento. A escolha de reforços vai obedecer critérios técnicos e multidisciplinares.

Torcedores.com: Gostaria que você falasse mais sobre o projeto de criar um time de e-sports

JB: Uma marca gigante como a do Vasco não pode ficar de fora desse mercado. Queremos um time para jogar contra os melhores do mundo. Estamos falando de um nicho que está lucrando por ano quase R$ 900 milhões. O Brasil está no top 3 de consumidores de e-sports, atrás apenas de China e Estados Unidos. A Globo, SporTV e Esporte Interativo têm programas em relação aos jogos eletrônicos. Estádios lotados na Ásia, Europa e América. Não podemos e não vamos fechar os olhos para este mercado.

Torcedores.com: Qual será a sua primeira atitude caso seja eleito?

JB: A primeira atitude a ser tomada será de total transparência com o sócio, torcedor e a imprensa. O Vasco é um clube fechado, arcaico e que parou no tempo em todos os sentidos. O torcedor vascaíno precisa voltar a frequentar São Januário. O Vasco sempre foi um clube social. Queremos o Vasco de volta ao topo!



Fonte: Torcedores.com