Veja comparativo entre as últimas pesquisas sobre o tamanho das torcidas

Quarta-feira, 11/01/2017 - 23:14


Dias atrás, o jornalista Lauro Jardim divulgou em sua coluna no jornal O Globo os dados resumidos de pesquisa do Paraná sobre torcidas de futebol. Como sempre acontece, a nova pesquisa gerou discussões e, mesmo em pleno Natal, agitou as redes sociais, embora num volume e intensidade abaixo do normal, realmente bem abaixo do que costuma ocorrer quando um evento como esse – “nova pesquisa sobre torcidas” – vem a público.
Repercutiu menos só por causa do Natal?
Creio que não, é mais provável que isso tenha ocorrido por um fator simples:
A pesquisa não traz nada novo.
A classificação das grandes torcidas não mudou, assim como a ordem de grandeza de seus números percentuais, o que me leva a outra colocação:

A Torcida dos “Sem Time” segue sendo a maior

Esse, por sinal, acabou sendo o grande destaque dessa pesquisa e mesmo ele, como recordou o portal GloboEsporte (aqui), também sem novidade. A força dos “sem time” é grande e parece ter se estabilizado em torno de um quinto de nossa população.
No decorrer de sua existência no portal GE, desde 2008, este OCE vem mostrando os grandes números de nossas torcidas. As maiores e mais regulares pesquisas têm sido as do instituto Datafolha e a do Ibope associado ao diário esportivo Lance. Os “sem time” sempre estiveram presentes e fortes em todas as pesquisas:

– 2010 – 18,8% na Ibope/Lance
– 2012 – 23,0% na Ipsos Marplan (cobriu somente as 12 RM e mais o interior de SP)
– 2012 – 21,0% na pesquisa Pluri
– 2013 – 20,8% na pesquisa Pluri/Stochos
– 2014 – 23,0% na Datafolha
– 2014 – 23,4% na Ibope/Lance

– 2016 – 19,5% na pesquisa do Instituto Paraná

No decorrer de sete anos, em sete diferentes pesquisas de seis diferentes institutos ou associações, o percentual da turma dos Sem Time variou de um máximo de 23,4% na pesquisa Lance/Ibope 2014 a 18,8% na mesma Ibope/Lance de 2010.
Tomado isoladamente, esse crescimento de 24,5% dos “sem time” de 2010 para 2014 seria preocupante por se tratar da mesma pesquisa (mesmo instituto, mesma metodologia). Mas, e isso é importante, é fundamental considerar, primeiro, as margens de erro das pesquisas. Nesse caso em particular, ela é de 1%, o que, em tese, nos permite colocar os Sem Time com 22,4% em 2014 e 19,8% em 2010. Assim mesmo, considerando a realidade que ela retrata, essas diferenças não são significativas.
Ainda em 2016, o SPC divulgou o estudo “Mercado de Consumo do Futebol Brasileiro”, que foi embasado em pesquisa realizada entre brasileiros com interesse em esportes. Infelizmente a empresa não divulgou os dados completos, mas entre os brasileiros com interesse em esportes, seja torcendo ou praticando ou as duas atividades, 12,1% declararam ter interesse nenhum pelo futebol. Esse percentual nos permite concluir que os “sem time” são, também nessa pesquisa, a maioria, quando consideramos o conjunto da população e não apenas, como nesse caso, a parcela dos que se interessam/praticam algum esporte.


As três maiores torcidas estão relativamente estáveis...

...considerando suas posições no ranking e seus percentuais, que apresentam variações muito pequenas entre as diferentes pesquisas, com diferentes amostras, tamanhos, segmentações, cobertura geográfica, entre outros pontos.
Pesquisa a pesquisa, desde o início desse século, há um embate duro entre a 4ª e a 5ª posição, com Vasco da Gama e Palmeiras disputando décimo a décimo de ponto. Embora a disputa ainda persista, percebe-se já um descolamento razoável do Palmeiras em relação ao Vasco, que, por sua vez, começa a ficar ameaçado pelo crescimento das torcidas do Cruzeiro e do Grêmio.

Esse mesmo Palmeiras, mantendo o ímpeto e entusiasmo que a nova arena trouxe à torcida, seguido pela campanha e pelo título brasileiro de 2016, poderá encostar na torcida são-paulina, especialmente se o time do Morumbi permanecer como figurante, como tem ocorrido nos últimos anos, exceção feita à parte final da campanha na Copa Libertadores nesse ano.

No mesmo período e considerando as duas pontas, as 10 maiores torcidas não mudaram, exceto pela mudança de posição entre Cruzeiro e Grêmio em 2016.
Da 11ª à 20ª posição as diferenças são maiores, o que é natural. À medida que o percentual diminui, qualquer mudança, ainda que pequena, da ordem, por exemplo, de apenas 1 ou 2 ou 3 décimos, é o bastante para provocar mudanças.
Nesse bloco, alguns anos de boas campanhas, na Série A, sem rebaixamento, poderão levar Bahia e Sport a superarem os números de Botafogo e Fluminense, a menos, claro, que esses dois clubes também tenham bons desempenhos esportivos, a exemplo do Botafogo nesse ano. O problema é que a força desses times vem de torcidas nacionais, ao passo que as torcidas do Sport e do Bahia são regionais. Apesar dessa desvantagem, podem crescer mais rapidamente com menos resultados que os necessários ao crescimento dos clubes cariocas.

Outro ponto importante: a maioria das pesquisas é feita com pessoas com 16 anos de idade para cima – a idade eleitoral. As pesquisas Lance Ibope, porém, ouviram torcedores a partir de 10 anos de idade e as pesquisas Pluri e Pluri/Stochos a partir de 14 anos. As mudanças no ranking de torcidas dar-se-ão a partir da entrada em cena dos novos torcedores, como sabem todos, mas é bom lembrar. E nos tempos que correm, tempos midiáticos, o impacto de boas campanhas pode ser maior...
Assim como também pode ocorrer, e um pouco já estamos vendo, um crescimento no número de torcedores de times da Europa.

O quadro abaixo nos dá uma boa imagem das realidades das torcidas dos nossos times:




Aproveito para desejar a todos os leitores deste OCE um maravilhoso e próspero 2017.

Desejo, torço e continuarei torcendo pelo bem-estar das famílias de todas as pessoas que morreram na tragédia de Medellín. Espero, também, que autoridades e empresas resolvam rapidamente tudo que for necessário para que essas pessoas, privadas de seus entes queridos e na maior parte seus provedores, possam seguir vivendo sem problemas de ordem material.

Deixo, também, meus votos para que a Chapecoense volte aos principais palcos do futebol como protagonista. Boa sorte e bom trabalho a Vagner Mancini, aos jogadores e aos dirigentes, que têm a fundamental incumbência de manter a gestão que diferenciou a Associação Chapecoense de Futebol.
Feliz 2017 a todos e ao Brasil.

Fonte: Blog Olhar Crônico Esportivo - GloboEsporte.com

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